Lawrence da Arábia, 1.001 noites e aonde a vida leva a gente

 

Receba artigos sobre trabalho quinzenalmente em sua caixa de entrada!

×

Uma ou duas corcovas? Este poderia ser um conto sobre 1.001 noites ou Lawrence da Arábia. Mas não. É sobre aonde a vida leva a gente. A vida nem sempre é conto de fadas, né? Eu cresci ouvindo “isso não é para você”, “ali não é seu lugar”, “para de sonhar”. Cresci, fiquei mais velho, conheci mais gente e uma outra frase começou a me inspirar muito. E isso tem tudo a ver com estar aqui escrevendo para (e com) vocês. Ah, a frase? Esqueci, culpa do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), mas isso eu falo em outro texto. “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, do escritor norte-americano Mark Twain.

Em maio de 2017, mais de quatrocentas ONGs do mundo todo estiveram reunidas em Riad, na Arábia Saudita, a convite da UNESCO e a MisK Foundation. A missão era atender a sétima edição do Fórum das ONGs da UNESCO. O FA.VELA, organização social da qual sou fundador e CEO, foi a única brasileira presente. A gente logo pensa: “Poxa, que sorte a deles”. Confesso que até eu penso assim, mas olhar no retrovisor é sempre uma oportunidade de fortalecer o “propósito” (vocês vão me ver escrever muito está palavra entre aspas, mas é também tema para outro texto), comemorar as pequenas (e grandes) vitórias.

Crédito: Divulgação

A Arábia Saudita é um país fantástico, riquíssimo, com baixa desigualdade e muito mais longe que eu já pensei em ir na vida, afinal “esse lugar não é para você”. Mas favelado é um bicho teimoso, obstinado e, claro, virador… Que correria, cara! Eu nunca tinha sido parte de um evento tão grande, nem aqui e nem fora. É um outro mundo. Nem estou falando sobre a cultura deles lá, mas sim sobre a comida, os eventos, os investimentos e todo o rolê…

Mano, eu cresci numa época em que existia “lugar de boy”, fraga?! Lá era outro nível até para “lugar de boy” (vou falar disso em outro texto também, rs). Vish, até agora não foquei na história, né? A nossa queridissíma editora já deve estar fritando de eu ainda não ter enviado meu texto! Ah! Isso também é legal contar, eu nunca escrevi para lugar nenhum publicamente (projetos não contam), também nunca quis ou sonhei escrever textos para muitos lerem… Imagina para um portal que já nasce com uma missão de falar da nossa querida Beagá! Beagá das favelas também, das periferias e das minorias… Então, sobre os meus textos, o que podemos esperar? Não sei, vamos descobrir juntos, ok? NO PRESSION! 

Voltando a Riad, Arábia Saudita. Lá na terra dos camelos. Ou seriam dromedários? O eterno dilema das corcovas… Lembra as ONG’s lá do 7º UNESCO NGO FORUM 2017? Setenta delas se inscreveram para participar de uma competição de pitchs (o rolê de vender seu peixe no mundo das startups, saca?) com prêmio máximo de US$ 30.000,00. Nem pergunta se surtei. Mas, então, já tava com “sorte” mesmo…

Pensei: poxa, vou atravessar o oceano, mais de 24 horas de viagem, a galera já pagou a passagem, hospedagem, comida, rolês e tals… SE NÃO FOR PARA GANHAR DÓLARES DO PETRÓLEO A GENTE NEM SAI DE CASA! (acho que devo até ter falado isso em voz alta, rs). Contando assim pareceu simples e divertido, confesso que dei um sorrisinho daqueles de vencedor aqui neste momento em que escrevo… Mas como dizem por aí: “depois que passa a gente ri”. É uma verdade aplicável nesse caso. Um dia antes recebi um e-mail falando que o projeto que submeti tinha sido umas das cinco iniciativas finalistas! Cresci na lógica do sonho pequeno, sabe? Minha vitória já estava ali, já tinha assunto com os mano da rua: “Mano, lá na Arábia Saudita…”

O terceiro dia de evento foi o da competição. Claro que passei a noite em claro, né?! Lendo pitch em voz alta, treinando, tendo feedbacks da minha Tata, a “pitch coach” Tatiana Silva. No fim levei o terceiro lugar na competição, trouxe US$ 20.000,00 para a terrinha do pão de queijo para rodar o Corre Criativo, nosso programa de aceleração de negócios e projetos como foco em juventudes da favela e periferia. Só para constar ela, a Tatiana Silva, é quem levou o primeiro lugar, representando a ONG gringa que ela é do board aqui no Brasil: Water Youth Network. Vale a pena conhecer!

Tô procurando um fechamento para este texto… Algo de impacto, sabe? Sei lá, uma frase bacana de efeito. Mas acho que é isso aí: a vida é sobre como você leva ou deixa se levar… Não é sobre tamanho de sonhos ou pensar grande, mas sobre estar pronto (mesmo quando não se está!). Agora estou indo para o WISE 2017 (World Innovation Summit of Education), no Qatar. Eu nunca fui de estudar (não gosto até hoje), mas descobri que amo educação, a forma como ela é e pode ser feita e, claro, até onde ela chega (ou deve). O FA.VELA é sobre isso, mas se quiser saber mais, clica ai: Facebook,, Instagram, Twitter, e nosso site.

Ah, quase esqueci! Estamos com esse rolê aqui para criar o 1º Centro de Inovação e Empreendedorismo de Base Favelada, o BARRA.CO! Chega aí, dá um abraço na gente! 

That’s all folks!

Autor
Especialista em marketing estratégico e negócios inclusivos, sou também ativista e entusiasta do empreendedorismo e inovação de base favelada. Idealizador, fundador e CEO do FA.VELA, organização que atua no desenvolvimento do ecossistema de empreendedorismo e inovação de comunidades de baixa renda. Recentemente, fui o terceiro colocado da batalha pitchs da sétima edição do Fórum das ONGs da UNESCO em Riad, na Arábia Saudita, e Medalhista da Inconfidência, a mais alta comenda concedida pelo governo de Minas Gerais, atribuída a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento social, cultural, econômico e ambiental em Minas Gerais e no Brasil. Hoje atuo também como mentor e consultor na modelagem de negócios de impacto socioambiental e startups.

Deixe um comentário

Para comentar você deve ter uma conta—só leva um minuto:

fazer login ou registrar-se
Você pode gostar

Fique sempre atualizado sobre o GUAJA, assine nossa newsletter quinzenal—é grátis:

×