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Como o workshop de Fabricação Digital promovido pelo GUAJA mudou o rumo da vida de uma aluna

Cada passo que o GUAJA deu até aqui foi decisivo para darmos início ao nosso projeto de expansão. Antes da ideia de nacionalizar nosso conteúdo, já estávamos no caminho de quebrar nossas barreiras físicas, aqui mesmo em Belo Horizonte, sede da nossa casa. Um desses momentos foi em julho deste ano, quando promovemos workshops de Fabricação Digital na sede da CASACOR Minas. Na charmosa e efervescente Rua Sapucaí, região central e boêmia de BH, um casarão histórico recebeu a Mostra durante 2 meses, e foi ali que teve início a história que vou contar, sobre um balanço que deu um novo rumo à vida de sua dona, a Julia Baptista.

O Laboratório Efêmero

Os workshops, aos quais demos o nome de Laboratório Efêmero, eram parte da programação do GUAJA Sapucaí — espaço que fomos convidados a compor durante a CASACOR. Ocupamos um galpão de 420 metros quadrados que funcionava como coworking e onde aconteceram vários painéis sob temáticas relacionadas à Arquitetura e às cidades, além dos workshops, que realizamos em parceria com a Fábrica Jangada.

A proposta era inserir os alunos no universo do movimento maker e da fabricação digital, de modo que cada um planejasse e produzisse sua própria peça de mobiliário utilizando a máquina CNC (controle numérico computadorizado) e construísse, coletivamente, o nosso galpão. Os móveis ficaram expostos durante toda a mostra e, agora, destaco um deles: o Ícaro.

Julia foi a última aluna a se inscrever para a última turma do Laboratório. Ela ingressou na Fundação João Pinheiro em Administração Pública, mas não se encontrou no ramo que gostaria de seguir. Filha de artista plástica, sempre apresentou interesses voltados às artes e ao design, então resolveu abandonar a primeira decisão profissional e arriscar em busca de algo que lhe trouxesse motivação e felicidade. Em abril, iniciou uma pós em design de móveis e viu no Laboratório Efêmero a oportunidade de executar um primeiro processo de produção autoral.

Ícaro: liberdade e encantamento

“Eu não sou designer de formação, tenho interesse em estudar por pura paixão. Quem vem de outra área e mexe com isso, faz porque é apaixonado mesmo, e isso engrandece o processo”, conta. “Para a minha peça, procurei fugir de um objeto criado apenas para exposição, estático. Minha ideia era ocupar de espaço com algo interativo, que ajudasse a manter o espaço vivo.” Assim nasceu a ideia do balanço: funcional, lúdico e nostálgico, definitivamente uma estrela do GUAJA Sapucaí.

O nome Ícaro vem da mitologia grega. Filho de Dédalo, famoso artista e artesão, Ícaro ganhou um par de asas de seu pai e alçou voo em busca de sua liberdade. E libertadora é como Julia define essa experiência. “O workshop representou uma chacoalhada brutal na minha vida. Percebi o quanto experimentar novidades e ressignificar metas tradicionais que a gente estabelece na vida te coloca em contato com coisas boas. Por ter me frustrado na faculdade, imaginei que não fosse me encontrar, e hoje vejo que existem muitas possibilidades. Tem sido importante para mim ver que transições são possíveis e trazem consigo mudanças positivas.”

“Quando se faz algo com amor, nos tornamos capazes de atingir muito genuinamente a percepção alheia. Tive um retorno incrível sobre o balanço, em termos de conhecimento, experiência e contatos. Isso me rejuvenesceu e deu gás para correr atrás do que eu quero. Hoje, estou bem mais perto de onde eu quero chegar porque tenho projetos que podem me levar até lá.”

Atingir essa realização pessoal e descobrir um novo caminho foi muito gratificante para a criadora de Ícaro. Com a Fabricação Digital, Julia descobriu um universo completamente novo e rico, e pretende dar continuidade às suas produções. “Eu fui abordada várias vezes para elogiarem o balanço, e até vendi um exemplar, para o Ateliê da Cerâmica. Pretendo continuar produzindo novas peças seguindo essa linha autoral, experimental e que desperte uma memória afetiva nas pessoas. Quero explorar novos processos, novos materiais e novas vertentes do design. E vou continuar usando a Fabricação Digital, porque otimiza muito a vida.”

Sobre sua marca, Julia conta que está começando a fortalecer seu nome, pensando em identidades e em levar seus produtos para outras cidades como Rio e São Paulo, que valorizam bastante o movimento maker, autêntico e baseado no compartilhamento. “Com a grande receptividade, vi que eu poderia comercializar minhas criações. Em meio a várias cadeiras, meu balanço se tornou uma referência e isso foi uma honra. A premissa de sermos co-executores do espaço e colocar a mão na massa despertou um sentimento muito bom também, fez a gente se sentir parte daquilo, para além do rótulo de alunos.”

“Não tenho dúvidas de que o futuro é compartilhado, e o GUAJA faz parte da vanguarda desse pensamento. Enxergar necessidades do mundo, criar algo que faça sentido para mim e para os outros, em um ambiente voltado essencialmente à contemplação, me trouxe muita alegria.”

É inspirador saber que uma iniciativa do GUAJA foi decisiva para a vida profissional de alguém tão especial quanto Julinha. Esperamos empoderar e fortalecer cada vez mais pessoas, de cada vez mais lugares. Vida longa ao Ícaro e muito sucesso ao empreendimento. Voa!

Autor
A paixão pela palavra — escrita, falada ou não-dita — fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Nos encontros me redescubro, nos desencontros me reinvento e nas experiências me multiplico e inspiro para ir sempre além. Deixo um pouco de mim em tudo o que faço, e levo um pouco de tudo dentro de mim.

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