2018 será feminino?

 Ilustração: Henrietta Harris

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A gente se pega repetindo que o futuro é feminino. Em estampas, posts, hashtags, a expressão ganha força dentro e fora das redes sociais. Mas o que, afinal, queremos dizer quando afirmamos que o que há por vir é feminino?

Onde estamos

Em uma edição especial da revista TPM, a afirmação vira dúvida: o futuro é coisa alguma? Afinal, há anos lutamos por ocupar mais espaços. Mas por outro lado, parece também que nós acumulamos mais funções. Mulher pode transar mais, com quem quiser, sem casar — mas até que ponto essa liberdade virou obrigação? Mulheres estão ‘chegando lá’, mas a que preço? Ela se sentem sozinhas em altos cargos? Precisam ‘se masculinizar’?

Essas são só algumas poucas dúvidas, mas a pergunta é que fica é: será se é isso mesmo que a gente queria? Acredito que não é só isso. Não é só sobre ocupar espaços já existentes, é sobre criar novos espaços. E nessa construção, é que o feminino revela sua importância para o futuro que queremos.

Para onde vamos

Lembro do dia em que comecei a estudar linguagem neutra de gênero (e pretendo falar sobre isso em um próximo texto). Notei a importância da semântica na construção do mundo que vivemos hoje, em que o masculino é o dominante não só na fala e na escrita — quando queremos nos referir a um grupo misto, por exemplo, usamos pronomes masculinos — mas também nos comportamentos relacionados a ele já que valores masculinos são associados à virilidade, força, agressividade, dureza.

E a conexão desta noção de valores masculinos e femininos, de forma mais profunda, se deu em um encontro que tive com a Camila Holpert. Em um trabalho instigante e detalhado para Molico, Camila e sua equipe estudaram a fundo a importância desses valores para o mundo em que vivemos e, principalmente, para aquele que almejamos.

Foi um despertar para que, de fato, eu possa dizer com certeza que o futuro (que a gente precisa) é feminino. Repare. Vivemos um mercado impessoal, em que lideranças devem ser agressivas para impor respeito e em que o assédio moral e sexual é normalizado em diversas áreas de atuação. Mas não é o mercado que a gente quer. O mercado que a gente quer precisa ser mais leve, com lideranças simpáticas, acolhedoras e pacientes, em que a escuta ativa seja uma realidade. E estes são valores associados ao feminino — o que explica que profissões como cuidadoras e professoras são consideradas de mulher. E explica também porque, mais do que querer, precisamos de um futuro feminino.

Um exercício essencial é compreender que valores masculinos e femininos existem em todos nós. O que acontece é que a massiva desvalorização do que é feminino, impede que esses valores se externem em homens ou mulheres. Uma falta de equilíbrio que vem criando um mundo pesado, violento e exaustivo.

Então, se 2018 será feminino, cabe à gente dizer. Cabe à gente fazer.

Autor
Sou mulher preta, comunicóloga, redatora e poeta. Especializada em Gestão de Marcas, com foco em Branded Content, sou cofundadora da navaranda - mulheres em rede, uma empresa criada para produzir experiências, encontros e conteúdos sobre diversos contextos do universo feminino: Ladies, Wine and Design BH, Museu das Minas e Saúde Sem Tabus são dos nossos projetos. [@jessicacagomes]

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