A anatomia da atenção

 

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Imagine-se em um pub lotado. Há cerca de 20 clientes sentados em um longo balcão, bebendo. Do outro lado, uma banda embala a pista repleta de pessoas que cantam e dançam. Mais ao fundo da casa, jovens sentados em mesas conversam, riem alto, namoram, brindam. Nos três ambientes há uma sintonia no comportamento do público, eufórico. Exceto por Carlos, o segurança. Enquanto a maioria se diverte, ele trabalha. E com uma diferença para garçons, cozinheiros e músicos: seu objetivo não é atender ao público, mas observar quem entra e sai atento às pessoas suspeitas.

Como ele consegue? A resposta é foco. Assim como a lente da câmera, que enquadra um objeto para destacá-lo em uma foto, essa capacidade nos permite concentrar profundamente em uma atividade (de cada vez) por um longo período, o que merece uma menção honrosa neste acelerado e disperso mundo de hoje. Desviamos a todo tempo a nossa atenção por maus hábitos ou, em alguns casos, por temos a ilusão de que ao assumir mais de uma tarefa seremos mais eficientes no melhor estilo “consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo”. Será?

Em seu livro Foco (Editora Objetiva, 2013), Daniel Goleman, autor do best-seller Inteligência Emocional, revela a anatomia da atenção e o que faz algumas pessoas terem mais facilidade de se aprofundar em uma atividade, apesar da cartela de distrações que temos a seu disposição e bel prazer. Ele explica que o interesse é diretamente proporcional ao foco e que pessoas que se entregam a uma atividade por paixão têm um rendimento superior. Basta nos lembrarmos daquele sono súbito que pode surgir no escritório em casos de apresentações burocráticas e infindáveis (alguém se identifica?). Confira, então, três curiosidades sobre o nosso foco e uma técnica para melhorar melhor (e muito) a sua atenção.

1) Nossas emoções podem ser a chave para termos foco (ou não)

Goleman explica que nosso estado emocional pode influenciar diretamente o resultado da produtividade. Aqui o impacto se aplica positiva e negativamente em nosso desempenho. Sabe quando nossa cabeça vai longe levada por uma preocupação? Pois é. E aí, adeus concentração. “O maior desafio, até mesmo para os mais focados, vem do tumulto emocional das nossas vidas, como um recente fim de relacionamento que não para de interferir em nossos pensamentos”, ensina. Nesse caso o melhor a se fazer é resolver a questão, na medida do possível, antes de retomar a atividade.

2) Do not disturb. Uma interrupção = um novo esforço de retomada.

Você foi interrompido? Bad news. Cada vez que isso ocorre o cérebro gera um esforço de retomada, como se fosse dado o comando CLTR + Z (voltar), o que pode ser bastante prejudicial para nossa atenção. “Quanto mais o nosso foco é interrompido, pior nos saímos. Uma pesquisa encontrou uma correlação significativa entre a tendência de atletas universitários a terem a concentração interrompida pela ansiedade e o desempenho deles na temporada seguinte”, alerta.

3) Treino funcional: não deixe seu foco se tornar sedentário.

Outra descoberta interessante foi que a nossa atenção — assim como cada partezinha do nosso corpo, diga-se de passagem – desenvolve-se por meio do treino. Quanto mais focados somos, mais seremos. Quanto mais trabalhamos nossa capacidade de concentração, mais ela será potencializada. A cilada aqui é que o contrário também se aplica. “A atenção funciona como um músculo: pouco utilizada, ela definha; bem utilizada, ela melhora e se expande”, diz Goleman.

Técnica de Pomodoro e suas microjornadas de 25 minutos

Para virar a chave e aplicar uma valiosa e prática ferramenta de produtividade em seu dia a dia uma boa opção é a Técnica de Pomodoro, bastante difundida e já utilizada por muitos profissionais (euzinha, inclusive). Criada em 1988 pelo italiano Francisco Cirillo, ela consiste na divisão de tarefas (pomodori) por períodos de 25 minutos. Aqui um breve resumo para começar.

• Programe seu despertador para os próximos 25 minutos. Durante esse período, chamado de pomodori, você deve se direcionar apenas a UMA tarefa. Isso significa que você não irá checar seus e-mails, perfis nas redes sociais ou sair para tomar uma água. Mas importante: não vale parar antes ou depois desse tempo. São 25 minutos e só.
• Assim que o período terminar, você deve parar cinco minutos. De novo o alerta: não são seis ou 20 minutos. Trata-se de uma pausa curta, sim, mas obrigatória. Mesmo que você tenha embalado no seu trabalho não vale adiar o intervalo, pois ele integra o pacote e fará toda a diferença no resultado final.
• A cada três pomodoris, faça uma pausa de uma hora. É a hora, talvez, de almoçar, fazer um lanche, ir ao banheiro e despressurizar a mente com atividades leves. O recado aqui é dar espaço ao cérebro para que ele respire e volte ao trabalho energizado.

Ao fazer sua lista de providências para o dia, procure especificar quantos pomodoris serão necessários para finalizar cada tarefa. Assim você passa a aprimorar sua divisão do tempo. Simples assim. Tem feito sentido para mim. Espero que faça para você.

Autor
Sou jornalista por formação, curiosa por natureza. Observo tendências com a mesma atenção que dedico à prosa antiga, lenta e saudosa. Sou otimista. Talvez por ser mãe de um pequeno, que me transforma e tem muito a me ensinar. Gosto da diferença de ideias, do diálogo, da troca, da soma (ou da multiplicação). Rascunho ideias, insights, sentimentos. Algo que ajuda a entender o mundo ou a torná-lo melhor. Com o tempo, finalmente percebo: o que parecia tão meu encontra vozes irmãs. Uma cumplicidade que diverte e traz conforto. Que seja esse o sentido (se é que é preciso ter um).

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