A minha parada de sucessos

 

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Quarentena é retiro e participação. Um passivo ativo, o um por todos que esfrega na cara a obviedade da interdependência (menosprezada) da condição humana. Isolar para conter é a regra agora.

Faço diariamente o exercício de lembrar de que a solitude não é solidão e o foco é manter a cuca legal. Segue o top 5 da parada de sucessos dessa despretensiosa quarentona em quarentena,que vos fala:

Cozinhar

Cozinhar é um exercício básico de autocuidado. Acho cafonérrimo quem acha bacana dizer que não sabe fritar ovo. Yes, you can, deixa de indolência, vai! Se virar na cozinha passa pela própria sobrevivência e pode ser um barato. Alguns chefs de cozinha tem aproveitado o isolamento pra compartilhar aulinhas em vídeos e transmissões ao vivo e gratuitas via Instagram. Por aqui a belezura da Rita Lobo comanda a Panelinha no @ritalobo. Na gringa, o estreladíssimo chef italiano Massimo Bottura ensina freneticamente seus truques em @massimobottura, narrados num saboroso inglês macarrônico. Um blog cremoso de receitinhas e lugares pra comer quando a chuva passar é o www.casalcozinha.com.br, cria orgulhosa da casa.

Maratonar é preciso

Pra não pirar é necessário oxigenar os pensamentos com outras histórias, pelamor! Outro dia vi que entre os títulos mais assistidos do Netflix estão Pandemia, Epidemia e Flu. Assim fica difícil manter a sanidade, minha gente. Manter-se informado é extremamente importante assim como desligar o pensamento obsessivo de “Dona Bela”. Façam listinha de indicações de séries e filmes nos grupos de zap e promovam o Oscar do Confinamento. Meu palpite vai para Peaky Blinders na categoria melhor produção, trilha sonora e ator principal de largar família. Bates Motel é campeão no roteiro, figurino, reviravoltas e calafrios; afinal Hitchcock é rei. Cata a dica da tia Hanna e façam as suas apostas aí.

Nova habilidade

Aprender um novo idioma, fazer Yoga por app, estudar sobre a formação das galáxias, escrever um livro. Qualquer atividade que te desafie. Que te desperte e dê tesão. Nada melhor que “um sacode” pra tirar a gente da letargia. Eu tenho feito aulas de natação com o tutor marido que manja muito do riscado e tem apresentado uma didática surpreendentemente paciente, para a nossa alegria. Aprendi a pular de ponta e foi contentamento de criança no circo. Tô na sua cola, Phelps!

Adoráveis mulherices

Há de se convir que o quesito beleza tem sido altamente impactado. Raízes capilares inconvenientes, cutículas indomáveis, sobrancelhas intimidantes. É tempo de descobrir seus talentos recônditos e compartilhar cazamiga que estão na mesma canoa. São desaconselháveis intervenções que possam ser mais delongadas como cortar uma franja Amélie Poulain, ou se auto tatuar, por exemplo. O resto tá liberado. Hoje às 15h tô dando aula de babyliss com ponta reta e na sequência entra a Marina (morena que se pinta como ninguém) com o delineado perfeito. Acompanhe a programação diária.

Ressuscitei o telefonema

Eu, que até ontem abominava falar ao telefone, me peguei batendo papo, jogando conversa fora na maior patifaria e pra pagar língua com gosto, tenho recomendo isso imoderadamente. E não tô falando de uma ligadinha anêmica, não. Tô dizendo para realizar um vigoroso e pujante telefonema. Pra falar de planos, pra contar o que tem feito, pra chorar as pitangas, pra descrever os trajes da saudade, pra passar a receita daquele bolo de fubá, pra ler poema, pra fazer inconfidências, para tomar um vinho por fio, para relembrar a infância, para cantar junto e desafinado, pra manter o com tato. Vamos criar alternativas pro abraço, enquanto ele precisa ficar guardado. Vídeo chamada funciona, mas não caiu nos meus encantos. Fica sempre aquele clima de sorrisinho amarelo de repórter esperando pra entrar ao vivo. O telefonema tem sido de muita valia pra mim. Sabe aquela sua prima que era irmã, mas mudou pra Curitiba e a vida tratou de separar? Dá um telefonema pra ela. Tá todo mundo meio carente, se sentindo meio fodido, não é privilégio seu. Os velhinhos da sua vida então; nunca precisaram tanto ouvir sua voz. Melhor que canudinho de doce de leite. Liga pra mim e pra ele também, é um bom momento de tocar dando um toque.

Autor
Sou a rapa do tacho de uma família mineira de cinco filhos. Apareci por descuido e cresci despercebida, num universo de adultos. Aprendi quase tudo através da observação e da imitação. Este relativo descampado social me brindou com uma vastidão no campo da imaginação. Passei a habitar o mundo das palavras e por isso fui uma criança com vocabulário e repertório incomuns. A inadaptação fez surgir uma habilidade que me permitiu criar pontes e afetar as pessoas através da minha escrita. Quando me dei conta disso me senti segura. A escrita, para além da necessidade, passou a ser o meu modo de existência.

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