O irreverente mundo da Alfaiataria

 

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Uma das formas mais dinâmicas e importantes de se definir é através da moda. Casual, sério, responsável, confiável, clássico ou moderno, somos percebidos à primeira vista pela forma que nos vestimos. Com vários séculos de existência e aperfeiçoamento, a mais fundamental das práticas masculinas é a a alfaiataria. Nascida na Itália e enraizada na Saville Row, em Londres, a confecção de roupas de alta precisão e encaixe exato no corpo, hoje é responsável por vestir capas de revistas e atores famosos.

Visitei a Blade Alfaiataria, fundada por Marcelo Durães — mais conhecido como Marcelo Blade — em Belo Horizonte para conhecer quem dá vida a estas peças de tamanha precisão.

A linhagem de alfaiates começou quando Hermano, pai de Marcelo, inaugurou sua primeira alfaiataria, em 1965, no décimo primeiro andar de um prédio no centro de Belo Horizonte, onde o filho já crescia acompanhando os processos e se habituava ao mundo da alfaiataria do berço. A Hermano Alfaiataria conquistou prêmios no Brasil, como o de traje masculino de maior criatividade e o prêmio Tesoura de Ouro na categoria traje a rigor, com um terno clássico e refinado inspirado nos cortes italianos. Os clientes rapidamente perceberam a qualidade do serviço e não demorou muito tempo até que se mudasse para a casa onde a Hermano Alfaiataria operou até o final de suas atividades: um castelo de pedra na rua Santa Rita Durão, com um grande apelo estético.

Seguindo os passos da alfaiataria fundada por seu pai Hermano em 1965, Marcelo lançou a marca Blade Runner, que começou trabalhando com jeans e após a morte do pai herdou a clientela, os renomados alfaiates e toda a equipe de produção, dando início à Blade Alfaiataria, uma herança que vinha adicionando um toque de irreverência ao trabalho feito pela Hermano Alfaiataria até então.

Localizada no bairro Cruzeiro, a Blade Alfaiataria é uma residência familiar que se tornou um fantasioso palácio masculino: Marcelo se expressa com peças decorativas no estilo Du Champ; são manequins, rodas de bicicleta, pedestais no estilo jônico e muitos outros objetos inusitados completamente cobertos por uma camada de tinta amarela de alta saturação te dão boas vindas do alpendre—se você já foi a Belo Horizonte, talvez já tenha passado por algum objeto de arte do Blade sem nem perceber; eles estão presentes em vários lugares clássicos como a rede de restaurantes Olegário, ou o Cine Belas Artes.

Ao entrar na casa, alguns passos a frente, o tom de brincadeira é trocado, pelo menos em parte, pelo clássico e masculino. Os sentidos são aguçados para o que vem aí: músicas da década de 50 e um perfume amadeirado tornam a sala de estar um lugar confortável para planejar juntos a sua apresentação em uma ocasião especial.

Diferente de uma costureira, a alfaiataria tem a proposta de fazer roupas completamente sob medida usando tecidos de altíssima qualidade produzidos na Europa. Cada peça de roupa passa por várias mãos experientes enquanto os alfaiates trabalham medindo, cortando, costurando e aplicando aviamentos manualmente a cada componente que ao longo do processo se tornarão camisas, calças, coletes e paletós feitos para o encaixe mais exato em seus clientes. Nada pode dar errado, porque a clientela é exigente: da “alta cúpula” de empresas estabelecidas no mercado aos noivos que estão prestes a ter o dia mais importante de suas vidas—um dos clientes conheceu o até mesmo o Papa Francisco durante seu casamento.


Apesar de ter o grande foco no público masculino, Matheus, filho de Simone e Marcelo, conta que já atenderam a diversas mulheres. “Elas trazem algumas fotos de referência, normalmente de atrizes famosas, tiramos as medidas e fazemos virar realidade no corpo delas,” conta.

Se seu negócio ou hobbie acontece na cozinha, a Blade tem uma boa novidade: há anos já executa projetos de aventais e dolmas, mas agora vem com força total lançando a linha Blade Gourmet, com peças e uniformes de alto nível para restaurantes.

Os preços dos costumes—calça e paletó—vão de R$ 4000 a R$ 10000, e também são feitas peças individuais como camisas e calças, a partir de R$ 500.

Autor
Sou Designer Gráfico graduado pela Escola de Design da UEMG e tipomaníaco. Depois de um ano de intercâmbio na UEL em Londres me apaixonei por formas de letras e tudo que as envolve: tipografia, lettering e caligrafia. Trabalho com mídias impressas e digitais.

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