Foto: William Mesquita

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Quantas cidades existem em BH? Como nossos corpos transitam por elas? Como ocupar os espaços urbanos, superar desafios físicos e sociais, se conectar com o outro? Quais as dores e as delícias vividas por quem se dispõe a produzir eventos? Afinal, quem determina o que é um evento? Na última terça, 90 pessoas se reuniram para o segundo encontro do Além do Rolê — nossa série de painéis para discutir, sob várias perspectivas, a cena cultural de Belo Horizonte.

Ver o centoequatro cheio de gente engajada e disposta a compartilhar experiências e ideias mostra como esse espaço de debate era uma demanda em BH. O cara a cara, a conversa horizontal, em roda e sem microfone. Uma construção coletiva feita por pessoas, para pessoas, com representantes de vários movimentos e vozes que se encontram e, juntas, se potencializam.

Dessa vez, contamos com a presença de 5 convidados de honra: Belisa Murta (produtora e DJ do Coletivo MASTERp la n o), Carlos Magno (Box Entretenimento que está por trás do Breve Festival, Carnaval do Mirante, Baile do Dennis, dentre outros rolês), DúPente (produtor que hoje integra a Gabinetona), Lucas Mortimer (músico, produtor técnico e idealizador do Festival Transborda) e Nata (Coletivos Habitantes e FA.VELA). Realidades e propostas diferentes, contribuições igualmente enriquecedoras e coerentes. Aqui, vou destacar pontos-chave da discussão:

A cidade não é a mesma para todxs

E isso vale não apenas para a área de produção de eventos. Pessoas com vivências diferentes partem de lugares diferentes na sociedade. O lugar onde mora, a cor da pele, o rolê que propõe: condições socioeconômicas influenciam diretamente tanto na viabilização dos eventos, quanto no acesso a eles.

Quando falo em viabilização e acesso aos eventos, me refiro às locações que são concentradas nas regiões Centro-Sul e Leste, à rede de transportes que não é integrada, aos recursos que não são distribuídos proporcionalmente entre as regiões e às taxas pagas aos órgãos públicos, como licenciamentos e alvarás, que são as mesmas para todos, independente do porte e perfil do evento — taxas excludentes e seletivas, que deveriam se valer de parâmetros e referências diversas, uma vez que estamos diante de distintas realidades.

Ou seja, a cidade funciona com várias mini-cidades, heterogêneas e simultâneas, que não são tratadas com isonomia e têm suas diferenças desconsideradas para atender a um padrão pré-estabelecido e tradicional. O ideal é que as políticas públicas se valham de parâmetros e referências diversas, capazes de atender às peculiaridades de cada movimento, seja uma feira independente, um grande festival ou uma festa na rua.

Manifestação cultural ≠ Eventos

Qual é o conceito de evento imposto pela Legislação? Quem pode dizer se um produto cultural, uma manifestação artística ou uma festa é um evento ou não? Quem pode impedir um rolê de acontecer e por quais razões impede? Essa falta de definição em processos legislativos abre brecha para que produtores fiquem reféns de burocracias e de instituições que não se abrem ao diálogo.

Felizmente, temos percebido uma abertura por parte de alguns representantes políticos. DúPente, enquanto membro da Gabinetona e pessoa que está envolvida há anos na produção de rolês em BH, lidera também o grupo de fortalecimento de culturas juvenis e vem articulando encontros e assembleias, junto às vereadoras Áurea Carolina e Cida Falabella (PSOL), para propor medidas mais efetivas que possam desburocratizar essas questões e democratizar a cena cultural.

Conexões para ir além

É fato: precisamos atuar em rede e ponto. Unir forças e vozes potencializa o movimento e quebra barreiras que limitam os rolês. Precisamos nos conectar aos nossos semelhantes para fortalecer a rede e, aos nossos diferentes, para agregar diversidade e conhecer realidades distintas das nossas. Juntos, seguimos trocando figurinhas pelo caminho, que pode ser atravessado com muito mais facilidade quando estabelecemos parcerias.

Para uma cidade diversa, desejamos rolês diversos, um modus operandi cultural que abrace BH e seus rolezeiros, que dê espaço para tudo acontecer. O reconhecimento do público e a efervescência da produção cultural é o que move os produtores a continuarem acreditando e se dedicando para promover experiências cada vez mais completas e envolventes. Fazer rolê é fazer cultura, é resistir em um espaço marcado imposições. Mas a rua é nossa, a cidade é nossa, e vamos lutar pelo direito de ocupá-la cada dia mais.

Comunicação: eu não sou um robô

Outro ponto que foi consenso no painel foi o que tratou das estratégias de divulgação e comunicação de um rolê. Eventos maiores pedem campanhas mais completas, em mais veículos da mídia e, provavelmente, com maior investimento financeiro. Rolês menores e mais independentes enfrentam um desafio maior para fazer a informação romper bolhas e circular. Todos os rolês precisam de uma comunicação humanizada.

Na era da automatização e do marketing digital, é preciso criar e fortalecer também as estratégias offline. É importante envolver o público, oferecer conteúdo de qualidade e, definitivamente, não forçar a barra. Ninguém quer sentir que está falando com um robô e um relacionamento personalizado conta muito pra reputação de um rolê!

Fora isso, produtores e promotores dos rolês precisam driblar constantemente os algoritmos do Facebook, que dão um alcance orgânico mínimo para os eventos. Para solucionar essa questão, nada como o bom e velho boca a boca, as listas de transmissão via WhatsApp, os grupos de facilitadores que vão espalhar a palavra do rolê Felizmente, as pessoas e os encontros físicos têm muita força.

GUAJA: no rolê e além dele

A série de painéis Além do Rolê se desdobrou a partir do GUAJAnorolê, o guia cultural idealizado por Gabriel Prata que traz dicas dos mais variados eventos que movimentam a cena belo-horizontina. Estão nessa empreitada também a Julia Abrahão, representante do Baer-Mate em BH, e a equipe de Comunicação do GUAJA.

Expandir as fronteiras do guia foi uma iniciativa essencial, que naturalmente atende a sua proposta de pautar questões relativas à cena cultural de BH. Nada mais coerente do que abrir e ampliar essa discussão, certo? Assim  como no primeiro encontro, sem dúvidas o painel “Alô, Produção!” sacudiu a ideia de cada um ali presente e, com essa energia, seguimos para os próximos.

Muita água vai rolar! Vamos mergulhar juntos? Continue nos acompanhando por aqui e em nossas redes sociais para ficar por dentro das novidades!

Foto: William Mesquita

[VÍDEOS] Mais do que rolou

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Nos encontros me redescubro, nos desencontros me reinvento e nas experiências me multiplico e inspiro para ir sempre além. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou.

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