Ao rolê… e além!

 Foto: Estático Zero

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centoequatro, sete da noite do dia 25 de junho, segunda-feira. 60 pessoas reunidas para discutir “por que as coisas custam o que custam?”, tema do primeiro encontro da série de painéis Além do Rolê. Produtores de eventos, donos de estabelecimentos, empreendedores, rolezeiros e rolezeiras de Belo Horizonte prontos para compartilhar experiências, ideias e inquietações.

Foto: William Mesquita

Quem deu play no bate-papo foi o Gabriel Prata, idealizador do guia GUAJAnoRolê (calma, vou falar mais disso depois). O primeiro passe foi para os convidados e convidadas especiais ali presentes: Adair Groove do Mi Corazón, Bruna Martins do Birosca s2, Bruno Golgher do Café com Letras, Carol Mattos do MASTERp la n o e Pedro Pacheco do Zona Last.

Depois de duas horas e meia de conversa participativa e enriquecedora, o gostinho que ficou foi de quero mais. E eu vou explicar os porquês.

Afinal, por que as coisas custam o que custam?

Por trás da (aparentemente) simples tarefa de precificação, estão o trabalho de toda uma equipe, taxas de impostos, e o valor do produto — que tem como principal variável a experiência proporcionada aos consumidores. E no quesito experiência, existe um consenso: ela tem que ser completa e inovadora. É preciso pensar em cada detalhe que pode agregar aos sentidos do público. Uma experiência é completa e positiva quando consegue casar elementos sinestésicos com qualidade.

Veja bem, uma festa de música eletrônica não pode falhar na iluminação, mesmo que conte com os melhores equipamentos de som; da mesma forma que a ambientação sonora e de iluminação em um restaurante somam bastante à experiência gastronômica, para além dos ingredientes que compõem o prato. Esse é um ponto de atenção comum aos produtores e empreendedores ali presentes, bem como a certeza de que produzir mais e para mais gente implica na necessidade de maiores investimentos.

Mas, em tempos de recessão e de uma cultura de rua (felizmente) cada vez mais forte, como encarar o desafio de manter um negócio tanto acessível para os consumidores, quanto sustentável para seus idealizadores? Como se manter relevante? Quais estratégias usar para engajar o público? Quais públicos estão sendo de fato atingidos? Como romper bolhas? Como se comunicar com instituições do poder público?

Sim, muitas perguntas… Respostas, algumas, e uma vontade grande de encontrar soluções.

Papo reto e ser político

Conversando com cada um dos convidados, Adair, Bruna, Bruno, Carol e Pedro, identifiquei outros dois pontos comuns: a comunicação direta e transparente com o público e a importância de um posicionamento político.

Não importa o modelo do negócio, se é festa ou bar, gratuito ou pagando: não dá para deixar nada subentendido, nem pra marcar bobeira. É 2018: a internet potencializa os discursos e existir é naturalmente fazer política. Há tempos as conexões criadas com uma marca ou um negócio deixaram de ser puramente mercadológicas. Pelo contrário, elas têm sido cada vez mais marcadas por laços afetivos e afinidades políticas, e esse tipo de conexão é mais duradoura, para além do momento da experiência, para além do rolê.

Daí surge um outro desafio: por um lado, ser ideologicamente coerente com sua proposta, por outro, arrecadar grana suficiente para toda a estrutura necessária e, claro, para dar lucro a quem dedica seu tempo colocando as ideias em prática. Ainda que o objetivo final tenha mais a ver com paixão do que com lucro, tudo tem seu custo, e os boletos continuam chegando.

Na roda de conversa, ficamos por dentro de várias iniciativas que visam promover um acesso mais justo à cena de entretenimento de BH. Por menores que pareçam, são o início de um movimento que se fortalece e ótimas maneiras de, a partir de um lugar de privilégio, criar rolês mais democráticos e horizontais. Algumas dessas iniciativas são:

Lista “I’m Free”
Festas da cena eletrônica de BH, como MASTERp la n o, Mientras Dura e 101ø, oferecem entrada off para pessoas trans e travestis;

#ContrateMulheres
a Bruna do Birosca, como um ótimo exemplo, tem uma equipe de cozinha 100% feminina e feminista, empregando mulheres que já foram vítimas de acidentes de trabalho e as acolhendo em uma cozinha marcada por empatia e sororidade; em iniciativa parecida e igualmente maravilhosa, o Pedro contrata os moradores de ruas próximas ao Zona Last para dar um help no atendimento;

Pague menos
Entrada mais barata para pessoas que moram fora da Contorno e, consequentemente, gastam mais tempo e dinheiro com deslocamento, em eventos como a Segunda Preta, que rola no teatro Espanca!

Saia da sua Zona de Contorno
Eventos promovidos em bairros afastados, fora do eixo Centro-Sul, com o objetivo de facilitar o acesso aos moradores de regiões menos centrais ao entretenimento.

BH: uma construção coletiva

Tanto para superar obstáculos quanto para buscar e propor soluções inovadoras, é essencial que a gente reconheça a potência do coletivo. É esse o único tipo de força que queremos usar: a que nasce da união de nossas vozes, do diálogo e da construção de espaços de debate como este que estamos criando.

Foto: William Mesquita

A discussão sobre a cidade (os limites entre seus espaços públicos e privados, as políticas públicas, sua população e sua cena cultural) só é possível e efetivamente produtiva caso consiga abraçar o maior espectro possível de cidadãs e cidadãos dispostos a co-construir os rolês de BH. Claro, a realização dos eventos e sobrevivência dos estabelecimentos não depende somente da vontade popular, estamos sujeitos a vários mecanismos político-institucionais, mas que podem ser mais facilmente acionados se construímos, a priori, uma base coerente de discursos, interesses e representatividades.

GUAJA: no rolê e além dele

A série de painéis Além do Rolê se desdobrou a partir do GUAJAnoRolê, o guia cultural idealizado por Gabriel Prata que traz dicas dos mais variados eventos que movimentam a cena belo-horizontina. Estão nessa empreitada também a Julia Abrahão, representante do Baer-Mate em BH, e a equipe de Comunicação do GUAJA.

Expandir as fronteiras do guia foi uma iniciativa essencial, que naturalmente atende a sua proposta de pautar questões relativas à cena cultural de BH. Nada mais coerente do que abrir e ampliar essa discussão, certo?

“Por que as coisas custam o que custam?” foi o pontapé inicial de muita coisa que ainda vai rolar. Queremos engajar, inspirar e trazer cada vez mais pessoas e mais diversidade para os painéis, gerando reflexões em torno de nossas iniciativas e do nosso papel ativo como construtores do rolê e da cidade. Queremos empoderar e disseminar informações para cada rolezeiro que está nas ruas e nos estabelecimentos de BH.

Com alegria e entusiasmo, percebemos um enorme potencial de articulação entre as vozes que compareceram ao primeiro encontro, na última segunda. As duas horas e meia renderam tantas ideias que, com certeza, cada uma das 60 pessoas ali presentes saíram do centoequatro com o cérebro efervescente, repleto de de ideias, exclamações e interrogações.

Mas vou optar pelas reticências, com a certeza de que muita coisa ainda vai rolar! O próximo painel já tem data marcada: “Alô, produção!” vai ser no dia 17 de julho, também no centoequatro, e vamos discutir a produção de eventos em BH — tema em que já molhamos o pézinho no primeiro encontro. Vamos mergulhar juntos? Continue nos acompanhando por aqui e em nossas redes sociais para ficar por dentro das novidades!

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Nos encontros me redescubro, nos desencontros me reinvento e nas experiências me multiplico e inspiro para ir sempre além. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou.

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