Por que eu desativei as notificações dos meus aplicativos de mensagem

 

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Eu era aquela pessoa que vivia no Whatsapp e no Messenger do Facebook. Vivia MESMO! Não só para conversar com os meus amigos, como também para resolver questões de trabalho. A gente vive num mundo hoje que tudo pode ser resolvido na palma da mão. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo e sabe por que tem uma parte ruim? Porque faz com que a gente tenha pouca noção de limites.

Recebia mensagens de trabalho o dia inteiro, a qualquer hora. Como era um compromisso meu, eu corria para respondê-las o mais rápido possível – mesmo que a resposta não exigisse tanta urgência assim. Então, a minha vida era ficar com o celular na mão resolvendo pepinos!

Além disso, eu também sempre corria para responder meus amigos quando eles mandavam mensagem. Ficava sem graça de deixar eles esperando lá, sabe? Fora isso, eu tinha alguns amigos que estavam acostumados com essas respostas relâmpagos (que mais uma vez, nem sempre tinham tanta urgência assim!) e que ficavam deveras irritados se elas não chegassem rapidamente.

Vocês estão percebendo um padrão e como eu estava reagindo a ele? A mensagem chegava e eu corria para responder. Dessa forma, eu estava acostumando as pessoas que sempre que elas mandassem mensagem, eu as responderia na hora. Acostumei as pessoas que trabalhavam comigo que se chegasse uma mensagem às 14h de um domingo elas teriam resposta. Acostumei alguns amigos que ser uma boa amiga é respondê-los na hora, sem pestanejar.

Isso estava me causando um stress absurdo. Me incomodava ver aquela quantidade de notificações na tela do meu celular. Me estressava demais saber que eu “tinha” que responder aquelas pessoas na hora mesmo se eu não quisesse responder.

Falando especificamente de conversas com amigos e coisas que não são urgentes, vamos combinar que às vezes a gente não tá a fim de responder, né? Não só porque está ocupado ou coisa assim. Tem horas que a gente não tá muito no clima de conversa e TUDO BEM. Você não é pessoa ruim por não querer responder uma mensagem na hora que ela chegou.

E aí pensando nisso tudo, eu resolvi desativar as notificações de todos os meus aplicativos de mensagens. Tirei também aquele visto por último do Whatsapp e a confirmação de leitura. Tirei porque isso era motivo de “olha, você está online e não me respondeu”, “olha, você viu minha mensagem e não respondeu” – seja porque eu não queria, porque não estava com tempo ou porque estava resolvendo outras coisas no aplicativo.

É uma paz não ter o celular apitando o tempo todo e não ter aquela ansiedade louca para responder todo mundo rapidamente. É claro que às vezes rola mesmo de esquecer de responder uma mensagem – e eu faço isso o tempo todo! Mas a ansiedade para simplesmente tirar uma notificação da tela do celular não tem mais.

Trabalhando basicamente com internet, a gente tem: de três a quatro emails, Whatsapp, Messenger, directs no Instagram e Twitter. Todos esses canais recebendo mensagem o tempo todo. Então é preciso ser compreensivo e também ter certa etiqueta na hora de entrar em contato com as pessoas.

Não é legal ficar ligando o tempo todo. Não é legal mandar áudios gigantesco no Whatsapp pra quem você não tem intimidade. Não é legal ficar cobrando respostas na hora. Não é legal mandar mensagens fora do horário comercial e exigir respostas na hora. Para amigos, é preciso entender que nem sempre dá para responder na hora e isso não significa que você não é querido.

Se a pessoa esqueceu de te responder, vale mandar um: oii, você viu a mensagem que te mandei? A gente vive num mundo muito corrido, que exige respostas rápidas o tempo todo, mas vale a pena pensar em desacelerar e não ir num ritmo que é completamente contra o seu.

E é bom você se acostumar a desacelerar essa urgência e acostumar o outro também a esperar um pouco, a não querer tudo na hora e ficar irritado quando não consegue.

Aplicativos de mensagens facilitam MUITO a nossa vida (eu, por exemplo, quase não uso telefone e odeio atender ligações rs), então não vamos deixar que essa facilidade toda de comunicação nos gere estresse, situações indelicadas e uma ansiedade desnecessária.

Depois que desativei as notificações dos meus aplicativos de mensagem, percebi que fico menos ansiosa quando chega alguma outra notificação no celular. Percebi que não tenho mais essa urgência de estar presente o tempo todo, sabe? Aprendi a colocar limites na minha relação com meu celular e também com as pessoas.

A gente tem que melhorar a nossa relação com a tecnologia para que ela não nos engula. Ou melhor: a gente precisa melhorar a nossa relação com a tecnologia para que ela não prejudique a nossa enquanto pessoas!

Autor
Eu escrevo (bastante) e gosto de colocar, literalmente, a mão na massa trabalhando com produtos artesanais feitos em concreto, cerâmica e papel. Sou jornalista há 3 anos e trabalho com produção de conteúdo online há 10 no meu blog, o Hey Cute, e todas as suas redes relacionadas. Escrevo sobre empoderamento e beleza negra, também digito (e falo!) bastante sobre comportamento, tenho paixão por moda, cultura e considero BH o sinônimo da palavra lar.

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  1. Karla,

    Gostei muito do seu texto. Acredito que esta visão de “urgência” pra tudo é um dos grandes problemas desta geração. Sou programador e desde 2011 exclui meu perfil do Facebook, 2014 exclui o WhatsApp da minha vida e em 2015 não acesso mais o Instagram. Eu sempre era requisitado pra algo, perdia o foco fácil e ainda por cima tinha que trabalhar além dos meus horários.

    Se aparecer alguma coisa urgente, urgente mesmo … alguém ira me ligar e se eu puder atenderei e iremos resolver da melhor forma possível.

    Assim como tudo na vida, é preciso de equilíbrio, a sua proposta de ótima, mas eu ainda sonho com um mundo onde é tecnologia apenas 1 meio, não a razão e a concentração de tudo.

    Eu sou um cara da tecnologia falando isso, sou um pouco estranho mas é a realizada. Você descreveu bem em seu texto ” … A gente tem que melhorar a nossa relação com a tecnologia para que ela não nos engula …” concordo contigo!

    Existe muita gente falando sobre o uso enlouquecido da tecnologia, redes sociais, aplicativos e tal, mas o que está falando é um pouco racionalidade no uso, as vezes penso que isso é mais uma questão de crítica/analítica e um pouco de filtro pessoal do que algum “produto” ou “pensamento”
    gerado pelo mercado ou pelos “influenciadores digitais”.

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