Autorreconhecimento

 

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Uma das certezas clichês que mais me conforta, dessas senso comum que batem com a maior força, é a de saber que nada é definitivo, muita água vai rolar e a gente vai continuar metamorfoseando por aí. Não digo dessas mudanças que levam anos não, como comparar a gente aos 15 e aos 25, mas sim das repentinas que, de uma hora pra outra, sacodem tudo e pá, fazem a gente se perceber de outra forma.

A percepção de si mesmo é uma das maiores forças motoras de crescimento pessoal, e às vezes (muitas delas) vem acompanhada por um exercício de autorreconhecimento, mesmo que inconsciente. Sei lá, a gente tem mania de se agarrar a certos hábitos, pessoas, lugares físicos ou emocionais que já nem fazem mais sentido, mas que nos são cômodos e trazem uma (falsa) sensação de segurança. Abandoná-los também é reconhecer-se. Requer coragem, por vezes dói: mas tudo se transforma em força depois.

Eu havia me desacostumado a estar sozinha e, desde que me reconciliei com minha solidão (sem nenhuma carga negativa na palavra), me redescobri, revisitei, ressignifiquei. Re. Sim, tudo de novo, mas nunca igual — repetições inéditas, isso sequer é possível?

Por aqui tem sido possível e maravilhoso. A sensação que tenho é de que retomei minha essência. Quantas vezes procurei por ela? Quanto tempo passei sem perceber que a havia perdido? A gente se dá conta depois, mas na hora certa. Eu precisei me distanciar de mim mesma para poder ser quem eu sou hoje, quem estou sendo. E eu tenho re-amado essa minha versão, um amor brando, que não cobra e que respeita meu tempo, minhas vontades, meu corpo e intuição.

Essa ideia de transformação constante e ilimitada — de gostos, opiniões, humores — somados à uma boa dose de amor próprio tem me feito pensar muito sobre o quê e quem eu quero por perto; sobre o impacto que eu causo no meu pedaço de mundo e sobre o que eu quero fazer: de mim e para mim. Quero alçar voos ainda maiores, quero evoluir, quero ver a vida acontecendo—sozinha, com amigos, no trabalho, com a família. Muita coisa vai se fragmentar e ir embora — não era pra ser, ou melhor, bastou no tempo em que existiu. O que for pra ser meu, se fortalece e permanece.

E assim, aceitando os movimentos do mundo, restabeleço meu fluxo de ações e sobretudo de energia, e cada momentinho se torna mais valioso. De cada experiência, um aprendizado. A cada encontro, uma troca. Cansei de esperar sei lá pelo quê. Quando a gente se dedica ao aqui-agora, as horas passam e a sobrevida dá lugar à uma existência com significado.

Provavelmente não teremos 7 dias perfeitos por semana, mas em cada um desses dias a gente pode fazer, no mínimo, uma coisa que nos deixe feliz. Sem perceber, as cortinas fechadas que estão dando uma sombra esquisita nas nossas vidas se abrem, e então, a sala é invadida por uma luz intensa, que queima de um jeito bom e diz bem baixinho no nosso ouvido: “ei, você tá viva nesse universo grandioso, muita coisa ainda vai acontecer”. Isso é maravilhosamente instigante. Faz brotar a vontade de viver.

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou. Da produção cultural ao conteúdo digital, me redescubro nos encontros, e nos desencontros me reinvento. Sempre além.

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