O que suas roupas estão contando sobre você e o bolo de fubá que não sai de moda

 

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Algumas coisas não são para todo mundo. Aprendi a lição quando tentei trazer a corrida para a minha vida e confirmei, mais tarde, com consequências mais dramáticas, quando decidi empreender, em 2015. Passei um ano inteiro tentando fazer dar certo uma agência de conteúdo que me trouxe muito aprendizado, incríveis conexões, meia dúzia de certezas e nenhum dinheiro. Como sem ele — o dinheiro — a conta não fecha, fechou, por consequência, a agência.

O lado bom desse fracasso foi que entre o enterro do projeto e o nascimento de um outro, decidi aproveitar o tempo que tinha para me dedicar a um curso que namorava há alguns anos e exigia a dedicação que só uma entressafra profissional me permitiria. Depois de alguns meses de muitas aulas, me formei Consultora de Imagem pelo Senac. Um curso que fiz para mim e certamente uma das melhores coisas que fiz por mim nesse vidão de meu Deus.

Minha conexão com a moda nasceu comigo. Quando cheguei, minha mãe tinha uma loja de roupas, já alisava tecidos com encantamento, apreciava costuras indefectíveis e suspirava por um acabamento perfeito. Ela nunca vendeu coisas que não durassem, que deformassem com meia dúzia de visitas à máquina, que sumissem rapidinho do guarda-roupas e, por isso mesmo, cresci longe do comportamento descartável que a maioria das pessoas estabelece com a vestimenta.

Desde muito menina, enxerguei a moda como a mais evidente e palpável expressão de arte, como parte importante do dia a dia, como representante da mensagem que eu queria passar para o mundo sobre quem sou e a primeira coisa que aprendi na consultoria coroou o que minha mãe me ensinara: moda é bem diferente de estilo. Nas palavras de Coco Chanel, a estilista que veio para libertar as mulheres, trazendo o conforto como direito: “moda passa, estilo fica”.

Agora, vou te contar a segunda coisa que aprendi no curso e, se você se parece comigo, a informação fará com que se ajeite na cadeira, inconformado. Mas, em contrapartida, fará com que entenda que as escolhas que você faz quando se veste, podem determinar a forma como o mundo te enxerga e isso, amigo, é grande!

Albert Mehrabian, pioneiro em pesquisas sobre linguagem corporal, apurou que a mensagem na comunicação interpessoal é transferida na seguinte proporção: 7% verbal (somente palavras, o seu conteúdo), 38% vocal (incluindo tom de voz, velocidade, ritmo, volume e entonação, ou seja, o quanto você demonstra segurança), 55% não-verbal (gestos, expressões faciais, postura e, claro, a forma visual como você se apresenta).

Sua roupa é a forma como você se apresenta ao mundo, sobretudo hoje, quando os contatos humanos são tão velozes. A moda é linguagem instantânea. — Miuccia Prada

Eu sei, parece cruel, afinal, mais vale quem somos em nossa essência, as mensagens que trazemos, o conteúdo que carregamos… acontece que o nosso cérebro não está programado para entender dessa forma. Se nossa postura, o modo como nos sentamos ou a intensidade de um aperto de mão dizem tanto sobre quem somos, pense sobre como as roupas que escolhemos podem definir nossa identidade!

As roupas podem construir diversas narrativas e expressões sobre nós mesmos: mostrar como queremos ser vistos, nos diferenciar ou criar identificações, ocupar posições ou oposições dentro de um grupo.

O que acontece com a maioria de nós é que vamos vivendo a vida nos adaptando ao que está nas vitrines, como verdadeiras “vítimas” da moda. Lembre-se: o trabalho da indústria é chamar a nossa atenção, por outro lado, o nosso trabalho é entender quem somos, saber o que é a nossa cara, o que precisamos manter/trazer para o nosso guarda-roupas para sermos bem representados no dia a dia, já que sempre que vestimos uma roupa revelamos algum aspecto sobre nossa identidade.

Mas, afinal, qual é o seu estilo? Quem te inspira? O que você não se vê usando de jeito nenhum? Qual é o seu tamanho? Muitas, muitas vezes, estamos com as costuras dos ombros caídos, os sutiãs pequenos ou inadequados para o formato dos seios, as calças com barras por fazer, ajeitando decotes e exibindo cores que estão longe de nos favorecer. Acredite: a maioria das pessoas sabe muito pouco sobre si!

Se algumas coisas não são para todo mundo, como já tive a chance de provar, é possível afirmar que, seja através das combinações do que vestimos, do corte de cabelo, dos piercings que usamos, das tatuagens que fazemos, cada vez mais, estamos em busca de um visual pessoal, exclusivo, marcante e que essa montagem discursiva vem, ao contrário do que muitos pensam, na contramão do padrão estético estabelecido porque tem a missão, justamente, de explorar o que beneficia o corpo, no formato que ele tem. Encontrar o estilo seu é, inclusive, um passo enorme para o (re)encontro com o corpo.

Se (re)descobrir, desenvolver o olhar para cortes, cores e formas, definir como você se vê e como quer ser “enxergado” vai levá-lo ao descobrimento sobre a importância da indústria da moda, mas, muito mais que isso, sobre a força que a construção de um estilo pode exercer sobre a sua autoestima. Com o tempo, ouvir “isso é a sua cara” de alguém que nem te conhece tanto assim, pode te encher de certeza de que você está no caminho certo e sendo interpretado exatamente como gostaria.

Em O livro negro do estilo, a diretora de moda das revistas Elle e Marie Claire, Nina Garcia, fala sobre sua admiração às pessoas que sabem quem são e o que querem revelar ao mundo. “Essas pessoas compreenderam que aquilo que vestem pela manhã é a primeira coisa que as pessoas vão reparar nela. É o que conta ao mundo um pouco de sua história. Porém, o mais importante, é o fato de que suas roupas influenciam a forma como se sentem em relação a si mesmas durante todo o dia”, completa.

Estilo se adquire ao aprender quem você é e quem quer ser nesse mundo e, como bem define um provérbio aborígene, outro importante aprendizado: quanto mais se sabe, de menos se precisa.

Vista-se de coragem, aproprie-se com dignidade e respeito de todos os contrastes que a vida te proporcionou, acredite que somos mais livres do que sempre nos disseram e nos admiram muito mais por sermos nós mesmos do que por seguirmos o padrão que sempre nos cobraram.

Para pensar sobre o seu estilo

Esportivo Natural: É o mais comum entre os estilos porque ele esbanja conforto. Suas cores são básicas (bege, cinza, branco), embora possam se misturar com tons fortes que levantam a produção. Seus sapatos cômodos e em geral as mulheres desse estilo não tendem a usar várias bolsas, preferem poucas e em cores que combinem facilmente com várias peças. É importante que sejam grandes.

Mensagem: imagem acessível, amigável e mais esportiva. Otimismo e praticidade com sapatos confortáveis e bolsas grandes.

Romântico: As mulheres são bem femininas, usam cores pastéis e mergulham em pérolas, rendas, transparências, laços e babados. Os homens gostam de combinações monocromáticas e tendem a usar tons pastéis, suéteres e gravatas slim e borboleta.

Mensagem: imagem receptiva e bondosa, de gentileza e encanto. É um estilo pouco indicado para quem tem planos profissionais audaciosos.

Dramático: os dramáticos gostam de tendências da moda, mas o que define o estilo são as cores fortes e as combinações desafiadoras. Recortes geométricos, assimétricos, golas e punhos com certo exagero são pontos de atenção.

Mensagem: imagem dominante, sofisticada, segurança sobre si, intensidade e exigência. Bom tomar cuidado para não parecer inacessível.

Clássico: As pessoas que se identificam com este estilo têm um jeito objetivo, limpo e, ao mesmo tempo, elegante de se vestir. Peças feitas sob medida, com linhas retas, estruturadas e funcionais são as campeãs no guarda-roupa do clássico. Os tecidos são estruturados e geralmente são peças de alfaiataria.

Mensagem: imagem conservadora, passa lealdade, responsabilidade, organização e eficiência. É preciso ter cuidado para não deixar que o estilo te deixe mais sério que é.

Sofisticado: alto grau de refinamento, exigência e perfeccionismo. Quem se veste assim sabe apreciar o bom design, o bom material, o bom tecido e pode se dar ao luxo de comprar e abusar das cores claras, como em um terno, por exemplo.

Mensagem: imagem moderna, exigente, honesta, responsável, cheia de extroversão e personalidade marcante.

Exótico: o estilo mais caro em termos de produção é também aquele que caracteriza seus seguidores como únicos. Os exóticos precisam de muitas peças e acessórios, gostam de chamar a atenção pela vestimenta e não pelo seu corpo e, mais que gostar de novidades, os exóticos são a própria novidade.

Mensagem: imagem original, inovadora, geniosa, livre e pouco convencional.

Minha mãe, que amava Rogéria, Elke e Hebe, ignorava os seis estilos ensinados no Senac — esportivo natural, romântico, clássico, dramático, sofisticado e exótico — e se definia como “perua” mesmo. Só tirava os muitos anéis quando abria o caderno repleto de receitas, muitas delas sinalizadas como “da Vanda”. O bolo de hoje veio dela, embora eu nunca tenha conhecido uma Vanda e morra de vontade de saber quem foi essa danada, que contribuiu muito para o estilo afetuoso da cozinha lá de casa.

Bolo de Fubá Vanda

Você vai precisar de:

250g de fubá

250g de amido de milho

250g de açúcar

250ml de leite

4 ovos grandes

4 colheres de manteiga

2 colheres (sopa) de fermento em pó

Como fazer:

Bata os ovos com o açúcar no liquidificador por dois minutos, em seguida, misture o leite e a manteiga. Aos poucos, incorpore o fubá e o amido de milho sem parar de bater e, por fim, o fermento. Bata até que tenha uma massa lisa. Despeje a massa em uma forma redonda com furo no meio, untada, enfarinhada e asse a 200°C, em forno preaquecido, por aproximadamente 35 minutos (ou até que o garfo saia limpinho).

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Autor
Especialista em comunicação, fiz carreira no mundo digital gerenciando projetos e escrevendo para grandes marcas. Amante da moda e das artes, divido meu tempo entre meu trabalho no time de branding de uma grande startup, meia dúzia de dilemas sobre os tempos modernos, meus amores e muitos, muitos bolos.

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