A urgência do para sempre e o bolo fofo que você respeita

 

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O que você vai ser quando crescer?

A pergunta, que se aproveita de cada um dos muitos encantamentos que vivemos, serve de pista para ganharmos as alcunhas de bailarinos, médicos, escritores, músicos ou desenhistas, antes mesmo que possamos caminhar com passos firmes.

Ainda na primeira infância, ecoa, em uníssono, a dúvida apressada: “com quem será?, com quem será?”. E desde então, uma ansiedade contagiante exige que a gente trace o futuro, sele o destino, preencha a checklist.

Entre o vestibular, o relógio biológico e a casa própria, quanto você conseguiu descobrir sobre quem realmente é?

Por que as pessoas acreditam que nos descobrimos tão cedo? Quando é que, afinal, entendemos quem somos e o que queremos para o resto de nossas vidas? E o mais intrigante: por que permitimos que nos deem prazos, nos tomem por aquilo que não somos ou não queremos ser? De onde vem a obrigação do definitivo, do para sempre?

Se não conseguiu responder a nenhuma das tantas perguntas, basta que saiba: a pressa para que entreguemos respostas irrevogáveis é intrigante, limitadora, sufocante e nos traz sensações terríveis de insucesso quando findamos uma relação, cursamos outra faculdade, voltamos ao status de juniores ao experimentarmos uma nova carreira… e tudo isso é muito injusto com o tanto que a vida nos oferece, com tudo o que podemos ter, ser, viver.

Na tábua da beirada para completar 38 anos, faz pouco, fiz morada na coragem para destruir o sistema de crenças que sempre me cobrou justificativas para cada decisão que mantivesse qualquer pequena distância daquilo que esperavam de mim.

Faz pouco, entendo não ser preciso entregar explicação plausível para o fato de priorizar minha carreira sem me preocupar com a hora certa dos possíveis filhos, investir tempo e dinheiro em um curso sem aplicação prática no meu dia a dia, pelo mais puro prazer, ou para encarar o fim de um relacionamento como uma transição — dolorosa, muitas vezes —, mas longe de merecer o status de um retumbante fracasso.

Faz pouco, descobri a beleza de realizar os meus desejos fundamentados em uma razão tão legítima quanto renegada: “porque-eu-quero” e de compreender que o meu tempo, assim como o seu, que me lê, pode ser muito, muito diferente do tempo de outras pessoas.

Por consequência, faz bem pouco, ampliei meu olhar para as escolhas do outro, me libertei de ideias limitantes e me livrei de preconceitos, há tanto, enraizados.

Aprendi, por fim, que experimentar, a qualquer momento, é trocar pontos finais por reticências, certezas precoces por descobertas, ainda que, para os apressados, pareçam tardias. É beijar suas vontades na boca e deixar para trás o risco de uma vida ordinária.

Aqui, uma receita infalível para que você encha sua casa com um cheiro de afeto e calma, um cheiro de quando as pessoas frequentavam suas cozinhas para muito mais que uma rapidinha com o microondas e sem a urgência do para sempre!

bolo de iogurte
Um bolo que vai encher sua casa de afeto e garantir que você tenha, com sua cozinha, uma relação que vai muito além de uma rapidinha com o microondas.

Bolo de Iogurte Nathália

Você vai precisar de:

  • 1 pote de iogurte natural (use o pote para as demais medidas)
  • 1 pote de óleo
  • 2 potes de açúcar refinado
  • 2 copos de farinha de trigo
  • 4 ovos (separe as claras e bata em neve para garantir um bolo bem fofo)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Como fazer

Bata as claras em neve, depois, misture todos os ingredientes na batedeira e, em seguida, despeje em uma forma redonda de 23cm de diâmetro, com furo no meio, untada e enfarinhada. Asse por cerca de 30 minutos a 180 graus.

A receita do Bolo de Iogurte foi um presente da minha amiga Nathália, na ocasião do meu chá de panela, em 2010. O casamento se foi faz tempo, mas o bolo mais fofo que você respeita ainda faz sucesso na minha casa. 🙂

Autor
Especialista em comunicação, fiz carreira no mundo digital gerenciando projetos e escrevendo para grandes marcas. Amante da moda e das artes, divido meu tempo entre meu trabalho no time de branding de uma grande startup, meia dúzia de dilemas sobre os tempos modernos, meus amores e muitos, muitos bolos.

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