Bolo gelado de coco e o resgate do afeto

 

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Chovia toda a minha ansiedade. Entre um gole e outro da taça diária de tinto, dividia minha atenção entre a arte de picar milimetricamente as cebolas escolhidas na banquinha de orgânicos do bairro e os detalhes da receita que prometia toda a tradicionalidade francesa.

Levei a sopa ao forno, em duas porções individuais, cobertas por uma fatia de pão e uma porção caprichada de gruyere, puxei a banqueta e assentei ao mesmo tempo em que suspirava todos os sonhos que uma pisciana carrega.

Olhei para o computador e, entre as indicações de caldo de carne e vinho branco do site de culinária que acabara de me orientar, confessei-me vulnerável aos prazeres da curiosidade enquanto clicava no link que dizia: “Mudança de hábito abala gigantes dos alimentos — procura por comida saudável reduz receita de Kraft Heinz, Coca-Cola e Danone”.

Enquanto lia que os fabricantes de bebidas açucaradas e alimentos industrializados estão sofrendo para elevar as vendas, diante de consumidores mais conscientes sobre saúde e preços, me lembrava que os anos de 1990 eram uma junção de moda, música e praticidade e, dizer que não sabia fritar um ovo, naquele tempo, fazia tanto sucesso quanto o Nike Jordan e a cena grunge.

A explosão de congelados, de artigos de cama, mesa e banho ideais para “jogar na máquina de lavar” e a decisão de não plantar nem feijão no algodão para não assumir responsabilidades, sem que percebêssemos, foram substituídas, recentemente, por cães, gatos, o retorno das samambaias, as imponentes costelas de adão frescas no vaso da sala, a redescoberta do tricô, do crochê, da costura, da escolha cuidadosa dos ingredientes, do cozinhar, do assar bolos.

A análise, além de espanto, trouxe certa satisfação ao perceber que, entre meia dúzia de talentos, meu maior, nos últimos tempos, foi não fechar os olhos para o quanto os comportamentos são cíclicos e, assim, me permitir promover resgates importantes para uma filha dos anos 80 e 90, décadas quando as mulheres precisaram romper seus compromissos com “paninhos” para assumirem posições de igualdade.

Os paninhos de hoje não são exclusividade — muito menos obrigação — das mulheres. São desejos e prazeres de quem decidiu estabelecer uma conexão com o delicado, o atencioso, o afetuoso. No meu caso, uma reconexão com as mulheres da minha família, que, além de um legado precioso de independência, amor pelo trabalho e autovalorização, deixaram rendas, flores, doces e café recém-passado por nossas memórias.

Ainda que na França a sopa de cebola seja um dos pratos mais tradicionais, lá em casa o bolo gelado de coco, preparado por toda uma vida pela minha mãe, simboliza, aqui, o resgate do afeto que celebramos hoje.

Com vocês, o Bolo de Coco Laura, uma lembrança para novos tempos felizes!

Bolo gelado de coco. Foto: Andresa de Carvalho

Bolo de Coco Laura

Você vai precisar de:

Para o bolo

2 xícaras (chá) de açúcar
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de margarina
3 ovos
1 e 1/2 xícara (chá) de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó

Para a cobertura

1/2 lata de leite condensado
a mesma medida de leite
1 pacote de coco ralado

Para armazenar

Papel alumínio

Como fazer

Bata as claras em neve e reserve. Em seguida, misture as gemas, a margarina e o açúcar até obter uma massa homogênea. Acrescente o leite e a farinha de trigo aos poucos, sem parar de bater. Por último, adicione as claras em neve e o fermento. Despeje a massa em uma forma quadrada untada, enfarinhada e asse a 180°C, em forno preaquecido, por aproximadamente 25 minutos (ou até que o garfo saia limpinho).

Misture a lata de leite condensado com o leite e o coco ralado e reserve. Assim que tirar o bolo do forno, fure-o bastante com um garfo e jogue a cobertura por cima de todo o bolo. Quando estiver esfriado, corte o bolo, embrulhe os pedaços em papel alumínio e guarde na geladeira. Sirva geladinho com café! 🙂

Autor
Especialista em comunicação, fiz carreira no mundo digital gerenciando projetos e escrevendo para grandes marcas. Amante da moda e das artes, divido meu tempo entre meu trabalho no time de branding de uma grande startup, meia dúzia de dilemas sobre os tempos modernos, meus amores e muitos, muitos bolos.

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