Casa Carmen Baldo: a morada Niemeyer de Adriana Varejão

 Casa Carmen Baldo

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Uma casa projetada por Oscar Niemeyer no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, ganhou nova cara e moradores. As enormes portas de vidro que separam o terraço da sala voltaram a se abrir, e as paredes de concreto foram recuperadas e cobertas por pátina, além das pequenas transformações na garagem e nos quartos. A obra foi planejada e pacientemente aguardada durante cinco anos pelos novos proprietários, a arista Adriana Varejão e seu marido, o produtor de cinema Pedro Buarque.

Adriana Varejão, por Vicente de Melo

Entre as residências projetadas por Niemeyer no Rio, a Casa das Canoas, em São Conrado, é certamente a mais famosa, feita para servir de residência ao arquiteto e cujas curvas contribuíram para que ele fosse reconhecido fora do país. A casa onde agora mora Adriana é a chamada Casa Carmen Baldo, nome da cunhada de Niemeyer para quem a casa foi erguida. O projeto é de 1969 e, como acontece nas residências criadas pelo arquiteto, ele quase passa despercebido à primeira vista tamanha a integração com a paisagem.

A ligação entre Adriana Varejão e a arquitetura não é nova. A artista, que tem no azulejo uma matéria-prima poderosa, foi casada com o criador do Instituto Inhotim, Bernardo Paz, responsável pelo mais famoso destino de arte e arquitetura contemporâneas do país. A galeria que abriga sua obra em Brumadinho é um dos espaços expositivos mais bem-sucedidos do circuito. Foi projetada pelo arquiteto Rodrigo Cerviño Lopes em um terreno de cinco mil metros quadrados e inaugurada em 2009, depois de Adriana ter frequentado o espaço já pronto durante um ano, apenas estudando que poderia apresentar ali.

Nascida no Rio, mas criada em Brasília, Adriana agora habita a obra do carioca que fez da construção da capital o seu principal legado. Segundo a editora Thessaly La Force, que visitou a casa para uma matéria publicada na revista T, do New York Times, a reforma superou o projeto inicial. “O casal embarcou em uma renovação ambiciosa de cinco anos que honra o legado de Niemeyer e a promessa do modernismo brasileiro talvez até melhor do que seu design original. Nas últimas décadas, o modernismo tornou-se apenas uma estética, divorciada de suas intenções originais. E assim, mais incomum do que a restauração de Varejão e Buarque, é como homenageia a herança e a filosofia arquitetônica de Niemeyer — suas sensibilidades líricas e idiossincráticas, perfeitamente adaptadas ao terreno montanhoso, com grandes espaços abertos onde o interior se mistura perfeitamente com o ambiente”, escreve.

* por Mariana Barros

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