O cerrado pede socorro

 

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O segundo maior bioma brasileiro – conhecido como berço das águas – é responsável pelo abastecimento das regiões de maior poder econômico do país. Entretanto, os investimentos em recuperação e preservação de áreas de Cerrado ainda são incipientes quando comparados a outros biomas. O desmatamento nessa região acontece cinco vezes mais rápido do que na Amazônia, que possui uma extensão quase duas vezes maior. Suas áreas são subaproveitadas em monoculturas e pecuária, o que dificulta o uso sustentável do solo.

É interessante nos atentarmos que o cerrado possui cerca de 13 mil tipos de plantas, o que o torna um dos biomas mais ricos do mundo, mas apenas um quinto continua totalmente preservado. A destruição acelerada se deve à falta de uma legislação que iniba o desmatamento predatório, somado, claro, a muitos outros fatores. É exatamente no cerrado que existe a maior exploração do agronegócio, onde se destacam a criação de gado e a agricultura da soja em grande escala.

Para se ter uma ideia, no ano passado, pesquisadores do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), e de outras instituições nacionais e internacionais, divulgaram dados preocupantes na revista científica Nature Ecology and Evolution. Segundo os estudiosos, o cerrado perdeu 46% de sua vegetação nativa, e só cerca de 20% permanece completamente intocado. Até 2050, no entanto, pode perder até 34% do que ainda resta.

Paulo Bellonia

Sou formado na área de processamento de dados, pela FACE-FUMEC (1992). Nos últimos 15 anos trabalhei na área comercial de empresas de tecnologia, mais especificamente com rastreamento veicular. Nesse segmento, atuei no mercado nacional e internacional, chegando à vice-presidência de uma empresa italiana – segunda maior do setor no mundo. Há dois anos resolvi mudar o curso das coisas e fazer algo que fosse para o bem comum e ficasse como legado para os meus filhos.

Convivendo há um tempo na região do cerrado mineiro, decidi que precisava fazer algo. Após vários estudos, tive o conhecimento da lei que determina que somente 20% das áreas privadas precisam ser preservadas. Isso quer dizer que 80% pode ser explorado com atividades do agronegócio, independentemente de ser uma área de prioridade ou não para preservação.

Save Cerrado

Nesse momento, entendi que deveria criar uma entidade para proteger essas áreas privadas de prioridade de preservação, só assim teríamos como inibir o desmatamento. E no final de 2017, nasceu a SaveCerrado. Desde o princípio sabia que não devíamos esperar o setor público, como faz grande parte das entidades, muitas delas focadas em recursos nacionais e internacionais com valores expressivos. Concluímos que as pequenas e médias empresas não possuem menos abertura para se associarem a projetos sócios ambientais.

Justamente nesse sentido que criamos a SaveCerrado, possibilitando a estas empresas a veiculação de suas marcas a uma ação relevante, de extrema importância de preservação. Os dados governamentais comprovam que essa região está sendo desmatada cinco vezes mais rápido que a Amazônia. Os impactos da destruição refletem diretamente no nível de água das grandes bacias, dentre elas a do Rio São Francisco. Em junho de 2018 vivenciamos um desses reflexos, o aumento nas contas de energia elétrica em média 27% para os consumidores, fato decorrente da falta de água nos reservatórios que provocou o acionamento das termoelétricas.

Por meio da captação de recursos da iniciativa privada e de pessoas engajadas nessa causa, atuamos na preservação e desenvolvemos projetos sustentáveis nessa região. Trabalhamos em parceria com entidades regionais e nacionais. Realizamos, também, um trabalho de educação ambiental voltado para crianças e adolescentes que vivem na cidade, além de apoiar o extrativismo sustentável de recursos em prol de uma economia colaborativa junto às comunidades locais.

A necessidade de políticas positivas para evitar o desmatamento e reduzir as emissões de gases de efeito estufa – obrigação que hoje faz parte da agenda dos 195 países signatários do Acordo de Paris – fez com que criássemos ações para mitigar o impacto climático, como a compensação de carbono – para equilibrar (compensar) a emissão de gases de efeito estufa produzidas diretamente e indiretamente por pessoas, empresas ou eventos. Por meio do selo Carbono Neutro – SaveCerrado, empresas podem calcular e neutralizar a emissão desses gases. Nossa atuação é baseada no protocolo GHG desenvolvido pela ONU e na ISO 14.064 – metodologias mais difundidas de elaboração dos inventários a nível internacional.

Se pararmos para pensar, é mais barato preservar agora do que tentar recuperar os estragos lá na frente. É satisfatório estar à frente desse projeto e entender que cuidar do planeta é também uma forma de educar nossos filhos, para que eles possam levar isso para gerações futuras.

Autor
Formado na área de processamento de dados – pela universidade Fumec – trabalhei nos últimos 15 anos na área comercial de empresas de tecnologia, mais especificamente com rastreamento veicular. Nesse segmento, atuei no mercado nacional e internacional, chegando à vice-presidência de uma empresa italiana – segunda maior do setor no mundo. Há dois anos resolvi mudar o curso das coisas e fazer algo que fosse para o bem comum e ficasse como legado para os meus filhos. Então criei a SaveCerrado, uma organização de preservação e recuperação do cerrado mineiro.

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