Um papo e um café com Cida Falabella

 Foto: Stella Nardy

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Eu poderia começar descrevendo minha conversa com Cida Falabella contando sua trajetória pelas lutas culturais ou sobre seus projetos na Câmara de Vereadores de BH, mas não seriam o bastante para traduzir a potência do nosso encontro e a minha honra por ter sido parte deste momento. Antes disso, quero destacar a luz que irradia do seu olhar e seu discurso incrivelmente lógico, usando cada palavra com propriedade e paixão ao falar sobre nossa cidade, espaços, políticas e pessoas.

Antes de ser atriz, professora ou vereadora, Cida é Mulher, uma das quatro que foram eleitas nas últimas eleições municipais: ao todo, são quatro mulheres e 39 homens, fato que torna sua presença na Câmara ainda mais essencial. Mais do que uma ocupação feminina (e feminista) que se dá gradativamente na política belorizontina, Cida (PSOL) representa uma esperança em políticas públicas mais inclusivas e horizontais, por meio da expansão da atuação da Gabinetona — nome dado ao gabinete legislativo do projeto “Muitas — Pela Cidade que Queremos”, que visa uma integração cada vez maior com movimentos sociais e do qual Cida faz parte.

Um pouquinho de história

Cida Falabella é formada em História e Mestre em Artes pela UFMG. Desde 1978, atua nos movimentos culturais da cidade, especialmente no campo do Teatro. A Cultura é, portanto, elemento fundamental de sua formação pessoal, profissional e, hoje, é seu principal eixo de atuação enquanto vereadora, criando interseções com a Educação e o Direito à cidade. Dentre seus projetos estão, por exemplo, o fortalecimento da rede de centros culturais da periferia — que são muitos, mas sofrem com a falta de verba e de autonomia — e a qualificação dos professores da Educação Infantil, que é de responsabilidade do Município.

“Na década de 90, com a chegada da Esquerda ao poder e a criação da Secretaria de Cultura, vivenciamos um momento de expansão do setor cultural, fortalecendo alguns festivais como o FAN (Festival de Arte Negra), o FIC (Festival Internacional de Corais) e o Festival de Quadrinhos. Belo Horizonte entrou em um circuito cultural, que encontrou barreiras posteriormente, devido à uma política centralizadora que tratou a cidade como uma empresa, e não como um organismo vivo”, explica a vereadora.

A partir daí, tiveram início manifestações populares para ocupação dos espaços públicos, e a campanha da Muitas tem muito a ver com isso. “Nosso mote é ‘a cultura pela cidade’, tanto no sentido de abordar a cidade pelo viés da cultura, quanto no de espalhar nossas ações para o maior território possível. Nossa eleição tem muito a ver com a retomada desse espaço institucional da cultura e do debate de políticas públicas”, completa.

BH: cultura, luta e expansão

Motivar a população a reconhecer a Cultura como algo determinante na política e, principalmente, na democracia, não é tarefa fácil. Geralmente, as pessoas não compreendem suas dimensões simbólicas e sua importância, e por isso é tão necessário garantir que o maior número de pessoas, das mais diversas classes, bairros e idades tenha acesso às propostas e debates. Esse acesso só será viável caso as pessoas se identifiquem e confiem nos políticos.

“Estamos chegando a lugares que não imaginávamos, quebrando barreiras culturais e territoriais. As pessoas que estão na Gabinetona não são técnicos legislativos, são pessoas que vêm das lutas, e isso faz com que a representatividade seja real. Nós criamos interseções entre os movimentos e imagino que esses círculos que se conectam são potencializados. Através destes encontros, tentamos reconstruir um outro projeto de cidade.”

Belo Horizonte é reduto de intensa produção cultural e, sem dúvidas, tem potencial para alçar voos ainda maiores, rumo a um modelo de cidade feito para e pelas pessoas. Para tanto, iniciativas como a das Muitas e cidadãs como Cida Falabella, que fazem política com sensibilidade e de forma horizontal, são peças indispensáveis ao grande quebra-cabeça que é uma cidade. “Eu vejo BH como um lugar de muita diversidade e riqueza, que muitas vezes ficam encobertas. Depois que você levanta esse véu, percebe todo esse mundo pulsante. Estamos aprendendo a abrir e nos deixar transbordar.”

É preciso observar de perto nossa cidade, para que as práticas e decisões políticas sejam transformadas e transformáveis. Em um mundo onde tudo é pra já, sintético e comprimido, encontramos pessoas dispostas a refletir sobre a cidade, democratizar o espaço urbano e a nadar contra a corrente investindo em uma cidade viva, produtora e consumidora de cultura. A luta contra os vários golpes — políticos, sociais e econômicos — é diária, e saber que existem representantes políticos das nossas vontades traz certa tranquilidade. Obrigada, Cida!

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Nos encontros me redescubro, nos desencontros me reinvento e nas experiências me multiplico e inspiro para ir sempre além. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou.

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