Brumadinho, Mariana, comentaristas de portal e a cobertura jornalística de tragédias ambientais: para onde vai a nossa indignação?

 Foto: El Pais.

Receba artigos sobre cidade + sem categoria semanalmente em sua caixa de entrada!

×

Vocês se lembram quando romperam-se as barragens em Mariana, e tudo o que a internet falava era se você podia ou não usar o filtro com as cores da bandeira da França?

A nova agora é cancelar o carnaval e doar o dinheiro para as vítimas. O problema com essas discussões é que elas não apontam para o lugar certo. (Sem falar no problema lógico: Carnaval movimenta dinheiro por causa do evento, se não houver carnaval, nem há dinheiro!). O acontecimento em Brumadinho não foi um acidente, não é um desastre natural, não é uma questão de caridade.

As reparações devem ser feitas pelas partes responsáveis (alô, Vale!), de forma completa e dentro da lei (que ela seja seguida, e não corrompida!). É claro que precisamos ajudar, é claro que precisamos discutir, é claro que são necessárias ações coletivas e individuais nesta crise. E uma dessas ações é a cobrança, por uma mídia que fale de forma ética do assunto, por um governo que atue de forma incisiva na reparação, e por mais do que apenas uma retratação da Vale. Por mudanças reais, segurança, diálogo e atenção às comunidades no entorno de barragens.

Desta vez, é possível apontar para a empresa certa, e vejo isso fazendo toda a diferença na cobertura midiática do acontecimento. No caso da Samarco, a mídia foi praticamente omissa no apontamento da responsabilidade. Sem falar no nosso querido ex-governador, que realizava coletivas de imprensa dentro da sede da empresa investigada.

Dou destaque à cobertura d’O Tempo, que está dando rosto, corpo e nome às histórias das vítimas. Fugindo de um caráter sensacionalista, acho interessante que essa abordagem mostra que as fatalidades não são meros números. São pessoas, são famílias, vidas assim como a minha e a sua.

Nexo Jornal como sempre dando um show com entrevistas com especialistas e fontes diversas sobre o assunto. Tanto o Nexo quanto o G1 adotando a técnica transparente de listar “o que se sabe até agora”, que considero útil e acessível para os leitores. Jornais que estão cobrindo a tragédia presencialmente pela primeira vez, como a redação d’O Metro em Minas, que não puderam acompanhar tão de perto Mariana em 2015, vendo agora o sofrimento das vítimas e a desinformação geral da comunidade em relação ao acontecido.

Toda a minha solidariedade aos colegas jornalistas, que têm agora a difícil missão de trazer essas informações à tona. Novamente, repito o que escrevi em 2015 — estamos todos, pessoas que querem cancelar o carnaval ou não, clamando por responsabilidade.

Eu só gostaria que estivéssemos todos(as) direcionando essa demanda aos órgãos e pessoas certas.
Pedindo responsabilidade por parte da mídia, por parte do governo e por parte das empresas mineradoras (e outras organizações de médio e alto impacto socioambiental).

E vocês, o que estão achando da cobertura em Brumadinho? Quais coberturas e veículos têm acompanhado? Me conta nos comentários!

Autor
Propositalmente perdida nas infinitas possibilidades da Comunicação. Bagunceira, espalho minhas coisas por aí sem a intenção de guardar de volta no lugar. Entrei na área pelo Jornalismo e fui parar no Marketing Digital, explorando ainda uma segunda habilitação em Publicidade e sempre flertando com as Relações Públicas. Hoje, trabalho como Social Media na Filadélfia. Sou ciclista de bike do Itaú aos fins de semana, mas meu esporte favorito é ler: quebro recordes pessoais de páginas lidas por semana. Me interesso por um mundo de coisas - não sei me decidir por uma só. E nem quero.

Share the love.

Se este artigo te fez lembrar de alguém, mostra pra elx!

Para comentar você deve ter uma conta—só leva um minuto:

fazer login ou registrar-se