Inteligência emocional: como desenvolver essa habilidade no trabalho

 

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“Ao longo da minha carreira, eu vi mais pessoas falharem por falta de inteligência emocional do que por competência.”

Essa frase, dita pelo CEO Edmar Ferreira durante uma reunião geral da Rock Content, exemplifica bem a importância da inteligência emocional para alcançar o sucesso profissional.

A verdade é que, por mais que as habilidades técnicas de um funcionário sejam inquestionáveis e sua entrega de resultados excelente, algumas skills nada relacionadas à sua competência possuem um peso igual ou até maior para as empresas.

Não é à toa que a skill mais bem vista e procurada no momento é a resiliência — a capacidade de se recuperar e se adaptar rapidamente às mudanças ou golpes de má sorte. Gestores e coaches de carreira batem exaustivamente na tecla da resiliência, incentivando profissionais a encararem as adversidades com um ar positivo e seguirem em frente.
No entanto, inteligência emocional vai muito além do autocontrole e da adaptabilidade. Inclusive, um funcionário aparentemente resiliente pode não ter inteligência emocional e estar à beira de uma crise de burnout. Mas você saberia identificá-lo?

Neste artigo, vou te ajudar a identificar a presença e a ausência de inteligência emocional, além de técnicas para desenvolver essa habilidade no seu time e em você mesmo. Afinal de contas, ninguém está livre de perder as estribeiras, e a melhor forma de lidar com momentos de instabilidade é se preparando para eles!

O que é e o que não é inteligência emocional

Inteligência emocional é a capacidade de identificar, compreender, gerir e utilizar suas emoções de forma positiva. Muitos empresários experientes pecam pela ideia de que, no ambiente de trabalho, devem assumir uma identidade completamente fria e distante, livre de emoções. Outros, por acreditarem que estão acima de regras e podem se comportar de qualquer maneira, inclusive descontando suas emoções nos funcionários.

É claro que nossas emoções, quando tomam o controle de nós, podem induzir ao erro e gerar atritos. Porém, se bem canalizadas, elas podem ajudar você a aliviar seu estresse, se comunicar claramente com seu time, superar obstáculos na empresa e até mesmo a resolver conflitos, facilitando a conexão com o outro.

Em outras palavras, inteligência emocional não é sobre ignorar as emoções, mas aprender a lidar com elas — tanto as suas quanto as dos outros. Um ambiente em que todas as pessoas são “programadas” para serem produtivas e tem suas emoções suprimidas é, inclusive, extremamente prejudicial!
Quando você veste uma máscara de gestor insensível, cria um distanciamento enorme da equipe e passa a imagem de intolerância. Da mesma forma, se você externa suas emoções de maneira excessiva, passa a imagem de descontrole.

Em ambos os cenários, o resultado é o mesmo: funcionários e colegas com medo da sua reação. É como se ninguém fosse autorizado a falhar ou demonstrar fragilidade na sua presença, o que pode levar o time a omitir problemas sérios de você e até mascarar situações para amenizar a realidade.
Por outro lado, demonstrar que você também tem momentos ruins e falhas, mas é capaz de lidar com isso de forma racional, humaniza a sua liderança e inspira seu time a superar esses momentos da melhor forma: pelo exemplo.

O time, aliás, também precisa ser estimulado a lidar com suas emoções de forma saudável.
Uma gestão insensível somada à rotina pesada do escritório forma a receita perfeita para desgastar a relação empregador/funcionário por completo. Por exemplo, se você cobra de seus liderados ignorando as emoções com as quais eles estão lidando no momento, pode transformar um funcionário insatisfeito em uma verdadeira bomba relógio.

Conduzir uma gestão mais empática e próxima dos funcionários e ter conversas regulares para medir os sentimentos do time demonstra que você se importa com o bem estar coletivo e cria um ambiente de acolhimento.

No fim das contas, a fórmula é simples: maior inteligência emocional é igual a líderes melhores, time mais feliz e resultados incríveis. E é exatamente isso que você quer, certo?
Como saber se alguém (inclusive você) possui inteligência emocional
Agora que você já sabe o que é inteligência emocional e sua importância no trabalho, listei os sinais mais comuns das pessoas que possuem e das que não possuem essa skill. Leia e avalie o seu nível de inteligência emocional:

Sinais de baixa inteligência emocional

  • Satisfação externa — Um profissional que precisa sempre do reconhecimento dos outros para ficar feliz com o próprio trabalho é certamente uma pessoa insegura de suas ações.
  • Foco na perfeição — Com frequência esse profissional não entrega seus projetos no prazo utilizando sempre a desculpa de que “ainda não está como ele esperava”. E provavelmente nunca estará.
  • Guarda rancor e se culpa — Em caso de falhas no projeto, esse profissional se ressente com os colegas que não deram o mesmo sangue e se tortura por não ter sido capaz de fazer tudo sozinho ou melhor.
  • Aponta responsáveis — Sempre que se depara com um problema, a primeira atitude desse profissional é apontar culpados.

Sinais de alta inteligência emocional

  • Encontra satisfação em si mesmo — Um profissional com alta inteligência emocional encontra satisfação nos resultados que alcançou, e não nos elogios que recebeu ou deixou de receber.
  • Foco no trabalho feito — O foco desse profissional está na entrega e em cumprir prazos. Ele sempre tenta entregar o melhor trabalho, mas está consciente de que fez o possível caso não consiga.
  • Perdoa e segue em frente — No caso de falhas no projeto, esse profissional acredita que todos os envolvidos deram o seu melhor, inclusive ele mesmo, e por isso devem ter a consciência tranquila.
  • Aponta soluções — Quando se depara com um problema, a primeira atitude desse profissional é pensar uma solução para resolvê-lo.

As oito armadilhas do ego para gestores

Além dos sinais que mencionei acima, o escritor Jen Shirkani, autor do best seller EGO vc. EQ, identificou oito características de fraqueza comuns à gestores que se deixam levar pelo ego. Fique atento se você:

  • Ignora críticas — Um líder com fraqueza de ego acredita que está tudo bem porque não recebe feedbacks construtivos, quando na verdade não dá abertura para que seus liderados falem ou ignora suas críticas deliberadamente.
  • Menospreza a comunicação — Confia cegamente no seu conhecimento de mercado e habilidades técnicas para liderar, deixando de lado o relacionamento interpessoal com o time.
  • Poda a diversidade — Esse líder se cerca de pessoas que gostam dele e pensam como ele. Toma decisões sem incluir a equipe e tende a excluir pessoas que o desafiam de alguma maneira, tratando as como maus funcionários.
  • Não abandona o controle — Microgerencia seu time, tomando para si várias atividades fora de seu escopo e tornando os liderados completamente dependentes dele.
  • Desconhece os efeitos de suas ações — Delega tarefas completamente fora das responsabilidades e conhecimentos do time, sempre exige mais do que o combinado e considera seu tempo mais importante que o dos outros, remarcando e faltando reuniões.
  • Coloca-se em outro nível — Esse líder está acima das regras da empresa por ocupar um cargo de chefia, fica sempre fechado no mesmo grupo de pessoas ao invés de interagir com o time todo ou então se sente livre para portar-se da mesma forma que fazia antes de ter uma equipe sob sua responsabilidade.
  • Desconecta-se da realidade — Perde o contato com o time, não conhece seu local de trabalho e não tem a menor ideia do que sua equipe está fazendo.
    Não é consistente — Esse líder entra constantemente no piloto automático, dá atenção diferente às pessoas que recorrem a ele e usa seus dias ruins como justificativa para agir de forma antiprofissional.
  • Todas essas características são sinais de que você não está sabendo lidar com seu cargo de gestão de maneira saudável e podem acarretar na insatisfação de seus liderados e até no turnover da empresa.
  • Mas é completamente possível fugir dessas armadilhas do ego desenvolvendo sua inteligência emocional, como vou explicar a seguir.

Como desenvolver inteligência emocional

Assim como toda soft skill, a inteligência emocional não é uma coisa que você aprende de um dia para o outro, mas um processo. E a única maneira de desenvolvê-la é por meio de quatro pilares: autoconhecimento, autocontrole, empatia e sociabilidade.

1º passo: Autoconhecimento
É muito simples dizer que está se sentindo mal no trabalho, mas a maioria das pessoas não sabe explicar exatamente por quê. É por isso que o primeiro passo para a inteligência emocional é identificar e interpretar suas emoções.

Vamos supor que você se sente mal sempre que precisa falar em público, como numa reunião geral da empresa. Reserve-se alguns momentos de introspecção para entender por que e como isso acontece.

Em primeiro lugar, reflita: o que é estar mal? Você se sente frustrado, ansioso ou inseguro? Defina bem o seu sentimento e anote os sinais físicos que seu corpo dá, depois, anote quais pensamentos te ocorrem quando precisa falar em público e responda: eles são fundamentados? O quanto você acredita neles? Qual seria a pior coisa que poderia acontecer se eles fossem verdade?
Logo você saberá que se sente inseguro quando precisa falar em público porque acredita que não é qualificado o suficiente, por exemplo, e por isso fica com as mãos suando frio e tremendo.
Também saberá que esse pensamento é infundado, já que você possui um diploma na sua área e anos de experiência, e que você realmente não acredita que é desqualificado, apenas está nervoso. Mas, se realmente fosse desqualificado, o máximo que iria acontecer é não te chamarem novamente para falar.

Agora admita: todo esse conhecimento sobre si mesmo te dá muito mais poder sobre suas emoções do que saber apenas que não gosta de falar em público, concorda?

2º passo: Autocontrole
Se você pratica o autoconhecimento, sabe exatamente quais são seus gatilhos emocionais e consegue reconhecer uma crise chegando. E se você é capaz de antecipar uma crise, também tem poder para retomar o controle e agir sobre elas.

Use os conhecimentos que você tem sobre seu emocional e direcione isso para uma atitude positiva! Quer ver como?

Sempre que estiver em uma situação desconfortável, tome alguns segundos para se recompor e ler os sinais que seu corpo está te dando.
Imagine por exemplo que você está em uma reunião conturbada, onde se sente pressionado por um colega para entregar coisas que estão além da sua função.
Se você sabe que sempre cruza os braços quando está muito nervoso e percebe que está fazendo isso no meio dessa reunião, pode tomar o controle da situação assumindo uma postura mais relaxada. Apoie as mãos sobre os joelhos, respire fundo e conte até dez antes de se expressar.
O mais importante é policiar-se para nunca perder o controle das suas palavras, da sua postura ou das suas ações. As consequências podem ser bastante ruins, especialmente se você ocupa um cargo de liderança. Mas, se você consegue assumir o controle de si mesmo, está com todo o caminho livre para assumir o controle da situação também.

3º passo: Empatia
A empatia é a capacidade psicológica de se colocar no lugar do outro, compreendendo suas emoções e sentimentos como se você mesmo as vivenciasse.
Lembre-se que, assim como você, as pessoas com quem você se relaciona no trabalho também externam suas emoções por meio de palavras, ações e postura. Portanto, fique atento para reconhecer as emoções do outro para além do que ele diz.

Você já aprendeu as respostas físicas que seu corpo dá em momentos de desconforto, certo? Uma vez que você é capaz de se reconhecer suas emoções e controlá-las, pode utilizar esse conhecimento para ser um líder ou colega melhor e mais empático.

Suponhamos que, por acaso, alguém altere a voz para você durante uma reunião. Observe outros sinais que possam justificar porque essa pessoa está se portando assim e tente se colocar no lugar dela. Ela está dando sinais de ansiedade? Está passando por um momento complicado?
Além disso, quando conversar com um colega, seja realmente curioso. Pergunte como a pessoa está e realmente escute. Praticar escuta ativa é uma das melhores maneiras de demonstrar empatia pois, nos momentos mais difíceis, a maioria das pessoas só quer alguém para ouvi-las sem julgamentos. Lembre-se disso!

4º passo: Sociabilidade
Ao exercitar a empatia, você vai perceber uma série de oportunidades para se conectar com pessoas do seu convívio. Aproveite-as: reconheça, leia e responda ao outro!

Não adianta nada falar com um funcionário que você já percebeu que precisa de palavras amigas e tentar incentivá-lo com números. Siga o ritmo do interlocutor, a adaptação do discurso é essencial para uma comunicação clara e sem atritos.

Verbalizar empatia e compreensão também é muito importante, especialmente quando você discorda do que o outro diz. Quando discordamos de alguém, tendemos a parar de ouvir o que a pessoa está dizendo porque em nossa mente estamos estruturando uma resposta para rebatê-la. Isso não é ouvir de verdade.

Uma boa maneira de praticar escuta ativa quando em discordância é repetir o argumento do seu interlocutor em outras palavras utilizando a frase “então você quer dizer que”.
Se ele diz, por exemplo, que investir no Brasil é ruim por conta da sujeira na política e você discorda. Ao invés de rebater o argumento imediatamente, como deve ser seu primeiro impulso, você pode responder: “então o que você quer dizer é que os acontecimentos recentes passam uma imagem de instabilidade para os investidores estrangeiros?”.

Parafrasear o outro força você a realmente prestar atenção no que ele está dizendo e te ajuda a ver o argumento sem preconceitos e sob a sua própria perspectiva, uma vez que você estará explicando-o com suas palavras.

Outras maneiras de desenvolver a inteligência emocional no trabalho

Como falei anteriormente, desenvolver inteligência emocional é um processo. E, em alguns momentos, esse processo será solitário, mas contar com pessoas de confiança nessa jornada pode facilitar sua adaptação aos novos comportamentos e ajudar na sua mudança de atitude.
Grupos de apoio incentivam as pessoas a expressarem suas emoções, ajudando-as a compreender o que estão sentindo e direcionar isso de uma maneira positiva. Além, é claro, de estimular a empatia e sociabilidade em um espaço seguro e saudável.

Ter um mentor também é uma excelente maneira de se autoconhecer, uma vez que será alguém que já passou por experiências semelhantes te ajudando a visualizar as situações e tomar decisões de maneira mais inteligente.

Ler e estudar sobre o assunto também é uma boa dica. Mas a melhor talvez seja manter um diário de emoções.

Reserve um caderno ou planilha e sempre que tiver um momento de descontrole, anote o que aconteceu, como se sentiu física e emocionalmente, quais foram as consequências desse episódio. Quaisquer informações que considerar relevante.

Por mais difícil que seja escrever no início, quando as emoções estão à flor da pele, ao descrever a situação em palavras você se força a pensar racionalmente. Ou seja, se coloca livre da influência das suas emoções e pode planejar seu próximo passo com tranquilidade.
Não que demonstrar emoções seja um sinal de fraqueza, é claro. Pelo contrário, é um sinal de humanidade. Mas, aprendendo a controlar suas emoções e a demonstrá-las de forma positiva para o mundo, você pode ser uma pessoa melhor e mais feliz — profissionalmente e pessoalmente falando.

Pelo menos no meu ponto de vista! Mas me conta nos comentários qual é o seu!

Esse artigo foi originalmente publicado no Inteligência, o principal portal de conteúdos para gestores em marketing e vendas do Brasil. Visite o site.

Autor
Jornalista pela UFMG, marketeira por vocação, entusiasta de gamification e focada em melhorar o relacionamento entre marcas e pessoas por meio do Marketing de Comunidade! Atuo com Marketing Digital desde 2014 e acumulei experiência nas áreas de redação para web, mídias sociais, email marketing e geração de leads. Comecei a trabalhar com a Comunidade de Freelancers da Rock Content em 2017, me apaixonei pelo assunto e venho me especializando em Marketing de Comunidade desde então. Outros assuntos que me interessam são: saúde mental, jogos de RPG, UX, service design, user onboarding, suporte 2.0 e customer success.

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