Consciência em um mundo caótico

 

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“O mundo está muito esquisito”, “eu não sei o que tá acontecendo com o mundo”, “estou perdido”.  Eu comecei a observar o quanto as pessoas (incluo eu) têm sentido que o mundo está mesmo à beira de um colapso. E estaríamos errados?

Marielle Franco, mulher negra, feminista, militante dos direitos humanos. Morta, eliminada, como uma peça malquista nesse jogo de xadrez. Nosso ex-presidente popular preso, e um atual presidente que governa com 5% de aprovação. Uma Amazônia vendida e seus povos sacrificados, esquemas corruptos para deter o dinheiro na mão dos bilionários e uma desigualdade social que volta a crescer em tempos de recessão. Realmente, quem não está perdido, está mal informado.

“Nós hoje vivemos numa sociedade em crise. Crise é uma palavra que quer dizer mudança. Quando uma crise se instala, estamos nos modificando. Isto vale para indivíduos e para grupos. Coitadas das pessoas e das sociedades que nunca tiveram crises: estão estagnadas. E a vida significa movimento e transformação”. Espelho da lua

Mas como realizar uma transformação na escala necessária? Quando a gente está em crise e não tem a menor ideia de como lidar com os problemas que se apresentam a nós, o que fazer? Descobri que temos duas opções. Ou a gente fica estagnado e até busca conforto em visões antiquadas (o que explica essa onda conservadora mundo afora). Ou a gente evolui nosso nível de consciência para conseguir lidar com os desafios a partir de abordagens mais complexas que tais questões pedem de nós. É olhar para um quadro em branco, sem a menor ideia do que vai sair, e com a única certeza que a combinação de tintas disponível é insuficiente se eu não trocar de pincel.

Nível de consciência

Alguns pensadores como Ken Wilber e Frederic Laloux entenderam que todo o universo caminha em uma direção, que é rumo ao aumento da sua complexidade. Logo, o caminho natural do mundo é ir ficando mais complexo. E, para que a gente não se sinta confuso e seja hábil para atuar e lidar com os desafios, precisamos elevar nosso nível de consciência.

Achou complexo? Eu posso explicar.

Os principais estados de consciência que consideramos hoje são denominados pelos pensadores como impulsivo vermelho, conformista âmbar, realizador laranja, pluralista verde e evolutivo teal. Cada nível que avança inclui aspectos do anterior e o transcende, criando novas formas mais complexas de lidar com os problemas e estar no mundo. É como se, ao alcançar o estado evolutivo teal, eu conseguisse ver e agir conforme todos os estados anteriores, e mais um.

Ver o não visto

Estudando sobre criatividade e física quântica, eu entendi que a forma como vemos o mundo é sempre limitada. É como se estivéssemos vendo um pedaço da realidade, e achando que ela é tudo que existe. Por isso, quando olhamos para esses grandes desafios na nossa frente, ficamos paralisados. Tudo aquilo que estamos vendo, geralmente é baseado no passado, e o passado não era capaz de lidar com tamanha complexidade.É preciso encarar o quadro em branco e perceber que há mais que branquitude naquela imagem que se apresenta diante de nós. Por isso, parar por alguns instantes e admitir que não sabe a resposta talvez seja um bom caminho para vislumbrar novas possibilidades.

Quando olhamos para a política brasileira, por exemplo, vemos um problema tão estrutural e enraizado, que fica difícil vislumbrar que do dia para a noite o congresso do Brasil irá se inspirar na Noruega e finalmente experimentaremos a tal da democracia total. É aí que ficamos descrentes, uns falam até de intervenção militar (passado), de fugir do país e coisa e tal. Mas, talvez exista uma outra forma de fazer uma política transparente e justa em um país colonizado que nós nunca pensamos antes.

Criatividade para mim é então, quando admitindo não saber, olhamos para o quadro em branco e, de repente, damos esse salto quântico. Um salto que amplia nossa consciência para ver algo que talvez estivesse sempre ali, mas a gente não era capaz de ver com nossa mente racional e prática. Um salto que ocorre só quando desistimos de apenas racionalizar — e aprendemos a parar de fazer por alguns instantes — para ver o não visto, através de outras inteligências que nos constituem, mas que não aprendemos a utilizar como sentimentos, intuições e pensamentos com significado.

A verdade é que o mundo está em crise: da política ao amor, não sabemos muito bem como lidar com o caos que se apresenta em nossa frente. Mas talvez, ao resgatar a inteligência que não está na nossa mente, mas também no corpo e no coração, seremos capazes de aumentar nossa consciência, ser mais criativos e aprender a lidar conscientemente em um mundo caótico, transformando pouco a pouco nossos espaços em lugares onde realmente queremos estar. Talvez se sentir perdido em um mundo caótico seja um bom indicativo da sua lucidez. Talvez.

Bora experimentar e conversar mais sobre isso? Dia 7 de maio eu e o Raoni Pereira estaremos no GUAJA para trazer ferramentas e conversas, às 19h30. Assista também nosso minicurso disponível gratuitamente online e saiba como participar do nosso grupo de transformadores através do Rolimã.

Autor
Publicitária, escritora e facilitadora criativa, me dedico a estudar e viver a transição para uma nova economia a partir da criatividade humana. Com seis anos de experiência em processos criativos, desenvolvi projetos com criação e gestão de marcas, projetos criativos, e criação de ambientes colaborativos através de espaços de conversas de qualidade e pensamento disruptivo. Trabalho com conhecimentos e ferramentas advindas da Teoria U, Design Thinking, Comunicação Não Violenta, Thinking Environment, Transition Design, Art of Hosting, Transition Towns, Economia Colaborativa, Criatividade Quântica e Constelações de sistemas

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