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Meu amor,

Quando comecei a imaginar essa carta, queria te contar como acontece o encontro entre os universos. Descrever lugares que se cruzam. A linha-pele. Tatá e Maria, Romeo e Sofia, Flora, Eva, Dante e David. No constante criançar, assim é o mundo. Movimento livre. Uma imensa rede que brinca e existe. Você também: mistério e florescência. Duas borboletas estalam quando dançam e voam juntas. Os cães latindo juntos. Mãos dadas em direção de algo a realmente se manifestar.

Quando alguém te disser: Somos muitas, somos todos um, confie nisso.

A comunicação entre duas partes diferentes ou alguma conversa surge de um desejo de partilha. Percepção e escuta. Voz e imagens que aparecem. Paisagem e acontecimento.

Notas de observação e espaços atravessados. Existe o micro dentro do macro. Multi universos, multi camadas. Assim podemos ser casa. Ecossistema. Pequenos habitantes que convocam à vida. Harmonia e coexistência podem vibrar alto no interior de cada corpo. Mapa-célula.

Você ainda sem nome, verbo puro. Você cada parte, todo absoluto, escuta plena. Escolher penetrar as bordas dos órgãos e mergulhar ao lado de dentro. Fundo-raso, superfície de contato, núcleo. Existirá um avesso do avesso?

Biodinâmica por terra-céu.

Isso que fragmentamos é, risco projetado, somente um pensamento? Pois bem.

Lá dentro, a vida reina. Força criativa e intensa, de transformação e multiplicidade.

Colônias organizadas respirando para a manutenção do bem estar, algum modo de viver em comunidade. Fosse isso cultura? Aprendizagem.

Te escrevo essa carta daqui onde a serra é verde e os dias passam sobre o tempo… Tecnosfera rural.

Uma estrada se alonga até o interior e um inseto é calmo como o silêncio das flores. Ele pousa. Sabe re pousar.

Através do olho observativo, milhões de leveduras produzem em suas dinâmicas, ácidos e vitaminas. Novos fungos crescerão. Contração-expansão. Respiro.

Esse é o fluxo. Sem binarismo.

Um corpo é um mundo por debaixo da derme.

Cultivar as guardiãs desse vasto campo é reconectar princípio e fim no fino fio do ciclo. Fortalecer o percurso. Caminhar junto com o grande e o pequeno. A ecologia da fermentação é rota afetiva.

Borbulhar um pote, arejar o solo, ferver o fruto e a raiz.

Manifestação da beleza selvagem. A alquimia intuitiva, o livro de receitas, um galo que canta e nitrogena onde um pé de alface vai brotar. Sintropia que posiciona bananeira e mato em comum união. Ser a continuidade de quem descobriu um caminho, prosseguir e desviar, fazer novos mapas, sobrepor. Tocar com os pés o rumo. Cultivar antigo e novo, a sabedoria natural. Primitivo antigo.

Disso tudo, te declaro meu sentimento de mundo.

Autor
Sou artista visual, vivo em Belo Horizonte e trabalho com fermentação selvagem. Por meio da Cozinha Nômade, interface criada para se deslocar pelos lugares, pesquiso e construo um trabalho em diálogo com a microbiologia, a filosofia, as medicinas e o cuidado com os seres vivos, desenvolvendo dinâmicas para criar pontes entre a arte, a poesia, a micro-agricultura, as economias colaborativas, as experiências culinárias e a reconexão com a natureza através do alimento.

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