Building the Future: Os desafios da produção imobiliária nas cidades do Século XXI

3 quartos, lazer ideal. 4 suítes, 4 vagas livres na garagem. Pavimento corrido com ar condicionado. Passa-se o ponto. Breve mais uma atração para você neste shopping. Compre o apartamento e ganhe um carro zero na garagem. Cozinha gourmet equipada. Vista para o mar. Venha tomar um drink conosco.

De um lado, a cidade parece um outdoor de ofertas de produtos imobilários encalhados. De outro, um contingente de pessoas insatisfeitas, que não se veem naqueles espaços que reproduzem as lógicas de vida de seus pais e avós. A produção imobiliária está em crise.

Reinventar-se ou desaparecer. Esse dilema, que tem afetado contemporaneamente todos os meios de produção convencionais, é também uma urgência para quem atua na produção imobiliária das cidades brasileiras.

Todos os meios de produção baseados em uma lógica de progresso e crescimento econômico que partem de uma estratégia evolutiva tendem a desaparecer. A transformação dos contextos sociais, econômicos e culturais se acelera. Empresas sólidas desaparecem rapidamente pela obsolescência acelerada de seus produtos e processos. O sistema produtivo do mercado imobiliário e seus produtos padronizados já não respondem às demandas contemporâneas para habitar e trabalhar nas cidades. Por outro lado, empresas cuja estratégia se baseia em lógicas revolucionárias, que partem do desenvolvimento de novas ideias e não do aprimoramento de ideias antigas, são as que têm sucesso hoje. O computador pessoal destruiu a Olivetti, que um dia foi a mais importante fabricante de máquinas de escrever, hoje produtos de museu. O Airbnb introduziu uma lógica de locação que compete com hotéis e empresas imobiliárias. A Uber concentra riquezas extraídas dos sistemas locais regulamentados de transporte. Profissões, negócios e produtos desaparecem com uma rapidez nunca vista. O apartamento tipo que o mercado insiste em continuar produzindo é a máquina de escrever do Século XXI.

Outro pilar que alimentava a produção imobiliária era o crescimento demográfico. As cidades brasileiras se urbanizaram rapidamente na segunda metade do século XX, trazendo enormes contingentes populacionais do campo que produziram demandas gigantescas para a construção de edifícios, equipamentos e espaços públicos. Essa transformação já se esgotou. Quase 90% da população vive hoje nas cidades. O estoque imobiliário disponível já é equivalente ao déficit de habitações. Não há mais demandas quantitativas. Mesmo em um improvável cenário de retomada do desenvolvimento econômico, já não haverá demanda como em outros tempos. Sobreviverá quem se reinventar primeiro.

Quais as novas lógicas de produção, ocupação e uso de espaços num mundo hiperconectado?

Quais as novas dinâmicas de trabalho no mundo hoje? Que espaços elas demandam?

O que as pessoas desejam e não encontram?

São possíveis outros modos de vida na cidade?

Como requalificar estruturas existentes obsoletas?

Como potencializar e usufruir da vida urbana?

Como ampliar a vida útil das estruturas projetadas?

Como gerir espaços em um mundo baseado na lógica de compartilhamento?

Como reinventar a produção imobiliária neste novo contexto?

Essas são perguntas urgentes, cujas respostas estão por ser construídas. Dessas respostas talvez surjam novos modos de gestão e produção imobiliária, novos mercados e novas possibilidades para quem (re)desenhará e viverá nas cidades nas próximas décadas.

Aulas

aula 1 — 27/02/18

Arquitetura, infraestrutura e a produção da cidade: as oportunidades da obsolescência

Carlos Alberto Maciel, Arquitetos Associados

Carlos Alberto Maciel é arquiteto, mestre e doutor pela Escola de Arquitetura da UFMG, onde é professor de projeto. É um dos sócios fundadores do escritório de arquitetura ArquitetosAssociados, um dos escritórios brasileiros mais reconhecidos de sua geração, baseado em Belo Horizonte e responsável por diversas obras premiadas no Brasil e no exterior, como as Galerias Miguel Rio Branco e Claudia Andujar, ambos em Inhotim. É também sócio-fundador da OVO, empresa que procura introduzir valores da arquitetura na produção e no mercado imobiliário.
Pensar a arquitetura como infraestrutura implica em reconhecer seu potencial de construção da cidade e sua abertura à transformação. Construções duram mais do que pessoas. Pensar sua permanência digna, ativando o espaço público e acomodando usos imprevistos é um modo de redefinir o potencial de novas estruturas e de edificações obsoletas como oportunidades para a cidade.
Além de abordar esses temas na aula de abertura do curso, Carlos Alberto atuará como mediador em cada uma das aulas dos demais convidados, articulando os diversos conteúdos ao longo do curso.

aula 2 — 01/03/18

Comportamento e perspectivas de futuro

Daniela Klaiman, WinWin

Daniela Klaiman é formada em Tecnologia, Futurismo e Empreendedorismo pelo TIP — Transdisciplinary Innovation Program, Universidade de Jerusalém, Israel, pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona, e foi, durante 5 anos, Diretora de Planejamento e Consumer Insights da BOX1824. É co-fundadora da UNPARK e da WinWin, curadora e organizadora do TEDxMauá desde 2011, e usa toda a expertise para realizar projetos de (re)posicionamento, planejamento, investimento em mídia e inovação para Nike, Pepsi CO, Nestlé, Coca-Cola, Unilever, Fiat, Itaú, C&A, Melissa.
Todas essas marcas investem num reposicionamento viabilizado pelo estudo de comportamento das pessoas porque entendem a mudança que estamos vivendo e já estão sentindo o impacto e a necessidade de atualização. Grandes tendências de comportamento, como a mudança de mindset do individual para o coletivo, e do mercado, como a economia compartilhada, estão promovendo mudanças e trazendo novos players ao topo. Afinal, as plataformas digitais que usamos hoje são parte integral do nosso cotidiano e operam com uma comunicação super aberta, horizontal, sem barreiras.
Isso está levando ao fim do monopólio de mercado e construindo o monopólio social. O protagonismo está dando lugar à vontade de simples execução de um projeto — o que é um indicador de uma forma coletiva de pensar, substituindo a competição agressiva. Hoje as pessoas querem estar onde todas as outras estão, o que significa que as marcas precisam estar alinhadas com essas vontades e produzir o que faz sentido para essas pessoas, neste momento e no mundo.

aula 3 — 06/03/18

Demografia e planejamento metropolitano em Belo Horizonte

Roberto Luiz Monte-Mór, Face–UFMG

Roberto Luiz Monte-Mór é Ph.D. em Planejamento Urbano (2004) pela Universidade da Califórnia, Los Angeles — UCLA, com mestrado em Planejamento Urbano e Regional (1980) pela UFRJ, e graduação em Arquitetura e Urbanismo (1971) pela UFMG. Atualmente é Professor Associado no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional — Cedeplar, da Face — Faculdade de Ciências Econômicas, e no Núcleo de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo — NPGAU, da Escola de Arquitetura, ambas da UFMG. Leciona e pesquisa nas áreas de Economia e de Urbanismo, com ênfase em Teorias da Urbanização e do Planejamento Urbano e Regional, atuando principalmente em planejamento urbano e regional e planejamento metropolitano.
Em 2050 a população urbana mundial terá dobrado. Uma das faixas etárias que mais cresce hoje na América é acima de 85 anos. E o número de crianças? Qual a dinâmica de vida dos jovens e adultos com trabalho e o quanto ela se aproxima do nomadismo? Quais são as configurações familiares? O que o título de Patrimônio Mundial da Unesco da Pampulha pode nos dizer sobre o turismo da cidade? Para o quê o novo Plano Diretor parece indicar?
Numa escala mais local e no território habitual, Monte-Mór vai nos ajudar a entender os indicadores que dizem respeito ao que vai se transformar e o que permanecerá em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.

aula 4 — 08/03/18

O Real Estate da Economia Compartilhada

Lucas Mendes, WeWork

Atualmente, Lucas lidera as operações da WeWork no Brasil. Graduado pela Faculdade de Direito da UFMG e MBA pela Universidade da Califórnia, Berkeley, trabalhou na ONU e no CADE antes de se juntar à equipe de M&A e Antitruste do Itaú, onde foi fundador do CUBO, uma plataforma para empreendedores digitais.
A WeWork, atualmente, está entre as dez startups mais valiosas do mundo, segundo o Wall Street Journal, com valor estimado em mais de 17 bilhões de dólares. A companhia tem cerca de 160 endereços em diferentes países e um número de membros que supera 80.000. Esses valores estão diretamente relacionados à economia compartilhada, que está conectada à vontade dos indivíduos em executarem ideias, com menos ênfase no protagonismo. E o compartilhamento não para no coworking: atualmente, existem espaços compartilhados também para o varejo e as indústrias. Isso indica uma nova direção, e vai impactar a demanda de espaços, seus moldes e o planejamento das cidades.
Esses fatores se conectam ao mercado imobiliário por indicarem uma forma de comercialização focada no serviço, e não na venda ou no aluguel. Existe uma nova camada, correspondente a este novo modelo, que explora o imóvel com valores superiores aos usuais de aluguel — algo que não existia até 10 anos atrás. O que viabiliza esse formato é a tecnologia e suas plataformas que contribuem para uma relação de confiança entre quem oferece o serviço e quem consome (relação essa que estava enfraquecida, culturalmente, nas últimas décadas). O que vem a seguir no mercado imobiliário? Saber explorar as possibilidades do co-everything e unir as plataformas digitais a serviços palpáveis pode ser o caminho para a inovação nos próximos anos.

aula 5 — 17/03/18

A cidade nas alturas: New York e São Paulo

Raul Juste Lores, Folha de São Paulo

Raul Juste Lores recebeu, em 2011, o prêmio APCA, com reportagem sobre a importância da arquitetura na construção de cidades justas, belas e ecologicamente equilibradas. É jornalista em São Paulo, ex-correspondente em Washington, New York, Beijing e Buenos Aires, e edita o blog Cidades Globais alocado no site da Folha desde abril de 2012. Em 2017 lançou o livro “São Paulo nas Alturas”, que reconstitui a história e os projetos dos expoentes do período de 1950 e 1960, batizado como “milagre da arquitetura”. Um dos méritos do livro é devolver visibilidade a arquitetos criativos daquela época. O talento desses profissionais, contudo, seria em vão não fossem os incorporadores abertos à inovação. Eles foram, sem dúvidas, essenciais à era de ouro da arquitetura paulistana.
Enquanto esteve em NY, em 2012, Raul dedicou-se à investigação do processo de construção do High Line, cuja história é o feliz encontro de uma ONG persistente, um prefeito fazedor que exige resultados de sua equipe, uma iniciativa privada e uma sociedade acostumada a não esperar tudo do governo. A execução do projeto contou com grandes doações – mais de U$100 milhões. Em um dos primeiros anos do projeto atraiu 3,7 milhões de visitantes – 1 milhão a mais do que o MoMA. A área antes degradada, cheia de galpões e matadouros, atraiu investimentos de mais de R$4 bi. Nos primeiros três anos da sua inauguração, a prefeitura arrecadou R$1,8 bi com a valorização da área. Apenas em construções autorizadas com o novo zoneamento, que permitiu prédios mais altos na vizinhança, surgiram mais de 35 edifícios residenciais e comerciais.
O sucesso do High Line ilustra a potência da vontade e da ação da sociedade civil, e o quanto projetos alinhados com uma demanda e um desejo de uma comunidade trazem bons resultados para uma coletividade ainda maior.

aula 6 — 20/03/18

Inovação na concepção de espaços comerciais

Diego Bolson, Foodlosofia

Diego Bolson, formado​ ​em​ ​desenho​ ​industrial​ ​na​ ​Itália​ ​com​ ​especialidade​ ​em desenho​ ​de​ ​comida, é​ ​considerado​ ​um​ ​dos​ ​maiores​ ​food​ ​designers​ ​do​ ​mundo. Gira o planeta mostrando​ ​como​ ​se​ ​aplica​ ​os conceitos​ ​de​ ​Design​ ​Thinking​ ​na​ ​gastronomia, e já​ ​trabalhou​ ​com​ ​grandes marcas​ ​como​ ​Heineken,​ ​Elma​ ​Chips,​ ​Nestlè,​ ​Enivrance,​ ​PepsiCo​ ​e McDonalds.​ Hoje é ​CEO​ ​e​ ​fundador​ ​da​ ​Foodlosofia,​ um centro de design ​que​ ​se​ ​preocupa​ ​em entender​ ​as​ ​relações​ ​entre​ ​as​ ​pessoas,​ ​os​ ​mercados,​ ​os​ ​sistemas,​ ​a​ ​tecnologia​ ​e como​ transformar simples mercadorias em experiências memoráveis.
A alimentação é a pauta do século e nossa relação com a comida e sua produção clama por mudanças. Esse assunto está diretamente relacionado com um caminho provável para os espaços comerciais. É bem possível que, num cenário futuro, precisemos de novas ferramentas, novas regras e novas tradições. A globalização e a rápida mudança das técnicas contribuem para isso, afinal, nunca foi tão fácil ter acesso a diferentes tipos de comida.
Vivemos hoje na economia da experiência, e comida talvez seja a forma mais tangível de consumo de cultura. Existem fortes indícios de que a economia dos restaurantes nos EUA supere qualquer outra em alguns anos. Até lá, nossa dinâmica de consumo já terá se transformado bastante — e os espaços comerciais do futuro serão extremamente conectados à experiência do consumidor. Dado esse cenário, o grande diferencial das empresas será a capacidade de compreender quais são os tipos de experiência que irão se sobressair no mercado e aplicá-los de forma inovadora.

aula 7 — 22/03/18

O valor da arquitetura na incorporação imobiliária

Vinicius Andrade, Andrade Morettin Arquitetos

Vinicius é formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e sócio-diretor do Andrade Morettin Arquitetos, escritório com premiações importantes no panorama nacional e internacional, também vencedor do concurso para o novo museu do Instituto Moreira Salles, na Av. Paulista, que inaugurou no ano passado.
O Edifício Aimberê 1749 é um outro projeto premiado. “Este prédio de apartamentos está localizado num bairro central da cidade de São Paulo, bem servido de equipamentos urbanos, de comércio e serviços. Por isso, foi pensado como um edifício sem área comum, ou atividades coletivas dentro do lote (como academias esportivas, salões de festas, etc.), fato muito comum na maioria dos prédios residenciais da cidade. Neste caso o espaço coletivo é a própria cidade, suas praças, seus eventos. Fendas recortam o volume com o objetivo de trazer luz para os espaços internos. O projeto foi pensado desde a origem com o propósito de se criar espaços flexíveis, uma vez que nos grandes centros urbanos são cada vez mais necessárias arquiteturas que deem conta da mutabilidade e velocidade de transformação dos modos de viver.”
Reinventar-se ou desaparecer. Projetos como o Aimberê tomarem forma são uma resposta surpreendente às novas lógicas de configuração de vários aspectos da sociedade — seja dos espaços, da família ou da economia.

aula 8 — 24/03/18

Do apartamento à cidade: o apartamento contemporâneo global e a produção recente na América Latina

Fernando Lara, UFMG/Utexas

Fernando Luiz Lara é arquiteto brasileiro formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e PhD pela Universidade de Michigan (2001). Autor de vários livros e centenas de artigos, escreve extensivamente sobre questões relativas ao ambiente construído na América Latina. Fernando é Professor Titular da UFMG e Associado da Universidade do Texas em Austin onde também atuou como diretor do Centro de Estudos Brasileiros do Lozano Long Institute of Latin American Studies.
Em sua pesquisa sobre apartamentos globais, mapeou a homogeneidade nos padrões dos apartamentos em diversas partes do mundo. A partir de seu olhar para a América Latina, apresentará iniciativas notáveis produzidas nos países vizinhos que podem ser exemplares para o contexto brasileiro.

Calendário

Fevereiro 2018
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Março 2018
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27/02(ter), 01/03(qui), 06/03(ter), 08/03(qui), 20/03(ter), 22/03(qui)  -> 19h30 — 22h30

17/03(sáb), 24/03(sáb)  -> 9h — 12h

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