Em tempos sombrios, vote em Dandara

 Foto: Arquivo Pessoal

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* por Flávia Ayer e Fred Bottrel

Num dia qualquer de 1984, a cantineira Francisca Ferreira se deparou como um de seus 10 filhos dançando como a cantora Gretchen na sala de casa, na periferia de Fortaleza. A mãe levou a criança, então com 10 anos, ao médico. Queria saber se era homem ou mulher. O médico disse que era homem.

Contrariando o diagnóstico, a alma feminina por trás dos olhos azuis esverdeados aflorou oito anos depois. Dandara Kataryne na verdade era mulher. Em fevereiro do ano passado, o Brasil a conheceu de forma trágica a história dela, num crime brutal que chocou o mundo. Aos 42 anos, ela foi espancada até a morte.

Numa viagem a Fortaleza, resgatamos a história de vida e morte da travesti, num trabalho que resultou no curta-metragem Dandara. O filme agora concorre ao Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas, dando visibilidade a uma brasileira assassinada pelo preconceito. É o voto popular que vai eleger o vencedor.

“Ninguém aguenta mais tanta barbaridade”- Ricardo Vasconcelos, irmão de Dandara

Em tempos sombrios e de ódio, o pedido é para que assistam e votem em Dandara. A votação está aberta até 2/11, basta clicar aqui.

Temos a impressão de que, se levarmos essa história à vitória, ganharão todos aqueles que só querem ter o direito de existir. Um alento, um grito por respeito, um sim para a diversidade.

Dandara foi mais uma vítima no país que mais mata transexuais e transgêneros no mundo. A travesti cearense foi assassinada por 12 pessoas em um linchamento público em plena luz do dia em Fortaleza. Os algozes filmaram as cenas e o vídeo rapidamente viralizou pelas redes sociais.

“Botaram no carro de mão e ficaram criticando porque usava calcinha” – Francisca Ferreira, mãe de Dandara

Derivado de uma grande reportagem publicada pelo Estado de Minas em 2017, o documentário de 14 minutos foi gravado nos locais onde Dandara nasceu, viveu, trabalhou e morreu. Conversamos com familiares, amigos e responsáveis pela investigação mostrando as feridas ainda abertas em quem convive até hoje com a saudade da perda.

A trilha sonora original é do músico Rafael Braga e a identidade visual, de Rafael Maia. A assistência de edição é de Getúlio Fernandes, cor de Vinícius Duarte e a produção de Rafael Alves e Marcelo Augusto Oliveira.

Contamos com vocês!

#DandaraSim #DandaraPresente #nemumaamenos

Autor
Jornalista e celebrante de casamentos na Amor Sempre Vivo. Acredito em três verdades absolutas: pessoas precisam ser ouvidas, histórias precisam ser contadas e a razão para nossa existência está em amar e ser amado. É por isso me tornei mais do que jornalista, uma jornalista que conta histórias de amor. Tive clareza desse propósito quando eu e Pedro celebramos nosso próprio casamento. Depois daí não parei mais. Aqui, a repórter dá vazão a tudo aquilo que faz o coração pulsar e mantém o amor sempre vivo.

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