Desconstrução Civil

 

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Mesmo sendo você o feliz proprietário de uma enorme varanda gourmet, de um Toyota Land Speed Cruiser 2017 e do ultimíssimo iPhone, provavelmente vai concordar que há muito atingimos o limite de ocupação da Terra, de exploração do que chamamos de natureza e de contaminação dos mais longínquos rincões do planeta. Que tudo isso tenha sido gerado por uma economia extremamente avarenta e culminado em um mundo radicalmente desigual também não é difícil de aceitar com alguma observação. Afinal, é só olhar pela janela, de casa ou do carro.

Enquanto alguns poucos se debatem por versões e culpados, na prática as fábricas produzem a todo vapor, os subúrbios se espraiam incontidos, os empreendimentos intensivos em energia continuam a ser licitados, as infraestruturas logísticas transformam territórios inteiros, os modais de transporte altamente poluentes têm suas concessões renovadas, as monoculturas e o agrobusiness avançam sobre as florestas e terras indígenas, as construtoras incorporam os últimos cm2 das cidades e engenheiros, arquitetos, urbanistas e designers continuam a ser treinados para contribuir ativamente com este ciclo vicioso ecocida. E se a desigualdade já é parte da indústria criativa atual, mobilizando cérebros, recursos e soluções para os “outros 1%”, nada ou muito pouco foi feito para efetivamente desmontar, desativar, demolir e desconstruir toda a história material dos últimos três séculos e a violência tectônica que lhe é intrínseca.

Quando pensamos na genealogia da nossa civilização consumista – nós, os “condenados à modernidade” –, somos sempre levados de volta ao século XVIII, ao início da Revolução Industrial, quando os produtos se multiplicaram aceleradamente, a produção se tornou massiva e o acesso às mercadorias, roupas, utensílios, móveis foi popularizado.

Mas essa é somente parte da história, a outra parte é aquela da indústria como um sistema autopoiético que desde a sua infância não somente gesta máquinas e ferramentas para sua autorreplicação, mas que se desdobra em outras indústrias e transforma incessantemente o ambiente ao seu redor para propiciar a distribuição e a circulação de seus produtos.

Nessa história de mudanças profundas na manufatura e principalmente nas formas de habitação do mundo, a mecânica é frequentemente tida como o cerne revolucionário do progresso tecnológico e econômico ocidental, mas, sem as contribuições ativas dos engenheiros civis e dos arquitetos, a disseminação das condições de produção que viríamos a chamar de industrialização seria bastante problemática. A moderna construção civil não somente tem seu nascimento totalmente vinculado ao próprio nascimento da indústria, como teve, desde sempre, características e aspirações industriais.

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Autor
PISEAGRAMA é uma plataforma editorial dedicada aos espaços públicos – existentes, urgentes e imaginários – e além da revista semestral e sem fins lucrativos, realiza ações em torno de questões de interesse público como debates, micro-experimentos urbanísticos, oficinas, campanhas e publicação de livros.

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