Qual sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?

 

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Frase famosa do doutor Freud que nos questiona sobre qual é a nossa responsabilidade sobre o nosso próprio sofrimento. Essa pergunta é o motor da análise e coisa que eu e meus pacientes
conhecemos de perto!

Mas, ao falar de desordem, Freud me faz pensar também em um aspecto mais concreto e real da palavra que diz respeito à bagunça dos nossos espaços, da gaveta, do armário, da casa, da vida,
aquelas que a gente vai empurrando para lá, deixando para um dia da faxina, que nunca chega. Hora de refletir: temos escolhido os objetos com os quais compartilhamos espaço, tempo e existência? Sabemos distinguir o que é descartável, inútil, fútil ou estamos apegados à tudo? O que realmente nos importa? Será que temos conseguido desapegar, deixar correr, deixar fluir, se despedir, deixar partir? Será que não está difícil escolher o que é prioridade? Será que são só as gavetas que estão bagunçadas ou essa desordem aponta para a bagunça que nos habita por dentro?

Às vezes a bagunça, a desordem no espaço não é só um problema de contingência ou de correria do
dia-a-dia mas revela uma confusão interna, uma dificuldade em organizar as coisas dentro de nós,
em identificar prioridades, desejos, distinguir o que ainda faz sentido para nós e deixar ir embora o que não nos representa mais. Pode parecer só mais uma faxina boba; pode parecer que nada disso tem a ver com Psicanálise, mas se a gente se aprofunda no olhar, percebendo a
si mesmo e quem tá perto da gente, podemos transformar até uma simples faxina na gaveta numa
oportunidade para cuidarmos mais da gente distinguindo o que merece ou não permanecer com
a gente.

Para quem se interessar, pesquise sobre a Osoji, a tradicional limpeza de final de ano japonesa ou folheie os livros da Marie Kondo. Não precisamos de um Ano Novo para entrar em harmonia com nós mesmos e nossos espaços — internos e externos.

Autor
Sou psicóloga e psicanalista e adoro escrever sobre os encontros humanos que vivencio no consultório. Esses encontros têm sido uma oportunidade de pensar (e repensar) a vida. Acredito que o trabalho no consultório tem sempre um potencial político e de promoção da liberdade e da defesa de que cada pessoa, cada paciente, que cada um de nós tem o direito de ser e viver da sua forma e maneira. Trazer um pouco das reflexões sobre as pessoas, a partir do que acontece nas quatro paredes do consultório tem sido a minha proposta e exercício diário! Por aqui nada de uso de jargões, diagnósticos ou receitas de como se deve ser ou viver. A proposta é oferecer uma abertura para reflexões que nos ajudem a aprofundar em nós mesmos e em nossa complexidade.

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