A economia provocada pelo maior uso de bikes

 

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A bicicleta é o meio de transporte mais saudável e econômico, além de ser o que melhor favorece relações mais humanas entre seus usuários e a cidade. Para traduzir o conceito em números, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) realizou uma pesquisa inédita que dimensiona o potencial da bike em três áreas: meio ambiente, saúde e economia. O estudo será um dos temas apresentados no Velo-city, principal evento sobre bikes do mundo ocorrido neste mês, no Rio de Janeiro.

Uma das principais conclusões é que, se trocássemos as viagens realizadas de automóvel e ônibus sempre que possível, poderíamos ter um acréscimo de até R$ 870 milhões no PIB municipal por ano. Cada indivíduo também economizaria cerca de R$ 214 mensais com a troca em dias úteis. A pesquisa, que pode ser acessada na íntegra neste link, foi solicitada ao Cebrap pelo Itaú-Unibanco, que também patrocina o Velo-city.

Batemos um papo muito legal com um dos autores do estudo, o pesquisador Victor Calil, que contou os bastidores da pesquisa e comentou as principais conclusões:

A partir de 1,1 mil entrevistas com ciclistas e não-ciclistas de São Paulo, a pesquisa mostra que, se parte dos deslocamentos feitos atualmente com automóveis e ônibus fossem realizados por bicicleta, haveria ganhos de produtividade, saúde e redução da poluição. “Os dados representam uma ferramenta importante para evidenciar o poder de transformação que a bike pode ter nas cidades”, aponta Luciana Nicola, Superintendente de Relações Governamentais e Institucionais do Itaú Unibanco.

Ainda no contexto dos impactos ambientas, 31% das viagens de ônibus e até 43% das de automóveis poderiam ser pedaladas. Se o potencial ciclável fosse atingido, poderíamos ter uma redução de até 18% da emissão de dióxido de carbono originárias dos transportes de pessoas na cidade. Estima-se ainda que os ciclistas são responsáveis, atualmente, por uma redução de 3% de todo o CO2 emitido com transporte de passageiros em São Paulo.

Na perspectiva da saúde, a proporção de indivíduos regularmente ativos entre ciclistas é quase três vezes maior que a da população em geral. Concluiu-se também que o uso da bicicleta para deslocamentos cotidianos propicia aos indivíduos uma redução nas chances de adquirir uma série de doenças, e traz um benefício social de economia no sistema de saúde. Caso aderíssemos todos ao perfil de atividade física dos ciclistas, a redução da chance de ter diabetes ou doenças do aparelho circulatório levaria a uma diminuição de gastos no Sistema Único de Saúde (SUS) de 13% (R$ 34 milhões) por ano.

Segundo o estudo, metade da população da cidade não pretende adotar a bike como meio de transporte cotidiano – 51% deles dizem ter medo ou não gostar. Outros 31% estariam dispostos a usá-la em seus deslocamentos cotidianos. Entre as que estão dispostas, 31% apontaram melhorias na infraestrututura cicloviária como o principal fator que as levariam a mudar de hábito, seguido das 30% que consideram o maior estímulo à atividade física como a justificava mais plausível.

Ao analisar a questão por uma perspectiva otimista, a pesquisa revela que mais de 70% dos ciclistas da cidade passaram a utilizar a bicicleta como meio de transporte há mais de três anos. Sendo a principal motivação, a redução do tempo de deslocamento.

Conversamos também sobre A Economia da Bicicleta no Brasil com Daniel Guth (Aliança Bike) e Victor Andrade (Labmob/UFRJ), que detalharam o funcionamento do setor produtivo e a distribuição regional das magrelas pelo país.

E, no dia 07/06, recebemos o público do Esquina no Centro Ruth Cardoso (SP) para debater O Carro em Crise, com os convidados Carlos Aranha, coordenador do grupo de trabalho de mobilidade urbana na Rede Nossa São Paulo e membro eleito do Conselho Municipal de Política Urbana (CMPU), Miguel Jacob, research & policy da 99, e Rafael Calabria, pesquisador em mobilidade urbana do Idec.

Acompanhe o especial Esquina no Pedal para ficar por dentro de outras ideias e estudos bacanas sobre o uso de bikes nas cidades.

Autor
O Esquina é uma plataforma de conteúdo sobre cidades que tem como objetivo apresentar e discutir questões da vida urbana de maneira compreensível e interessante a partir de temas como mobilidade, tecnologia, urbanismo e arquitetura. Nosso site (esquina.net.br), abrigado dentro do portal do Estadão, conta com reportagens, análises e reflexões de colaboradores influentes e respeitados na área. Já os eventos presenciais, como palestras, debates, passeios e cursos, mobilizam arquitetos, incorporadores, empresários, investidores, poder público e estudantes, entre outros interessados, para discutir ideias e soluções para os espaços urbanos. Ao compartilhar conhecimento e promover encontros, o Esquina informa e inspira as pessoas a se engajarem na melhoria de nossas cidades.

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