Essa qualquer: a arte

 Foto: Igor Miske / Unsplash

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Em tempos de mediocrização do ser, a arte está de volta às rodas. Não vamos falar aqui de censura, esse outro nome da ignorância. Melhor falar do lado de lá, tumultuado pelos mais espertos, sabedores da verdade, donos da luz, do caminho e dos museus. Também não se trata de tomar partido desse ou daquele salvador de gravata, títere dos caras da grana. Afinal, há sempre alguém que paga para a manada ser manada. Vamos falar dessa outra qualquer: a arte.

Ainda que incompreendida, quando é rara, vinda dos valores da alma, a arte atravessa, transforma. Nas mais diversas e profundas proporções, a arte humaniza, dá voz ao diferente e ajuda a ajuntar os sentidos. A decifrar os vazios. Invisível, silenciosa, a arte é dependente. Depende do outro. Não está na obra, no artista ou em quem a consome (somente). Está no encontro. No todo.

Deixa estar. São muitos os que vociferam em seu nome. Ainda que fale por si, inteira, única, em comunhão. Ela é generosa, essencial. Tanto quanto travessa. “Temos a arte para não morrer da verdade”, escreveu Nietzsche (1844-1900). É preciso dessa qualquer para não sucumbirmos à estupidez de todos os dias. Embora, muito embora, não haja criação capaz de superar a realidade.

É. Nem tudo é arte. Não pode ser. Tudo é demais. E a arte não sobra. É justa. Já a medida, como não, é o encontro. O todo. Contudo, é natural até — já que estão em tudo o que é canto e espaço —, na arte também se acomodam aproveitadores, sanguessugas, ventríloquos do próprio umbigo. Desses a natureza se encarrega. Como dá jeito em tudo o que não presta. A arte, por fim, não tolera desaforos.

Autor
Ator, jornalista e professor. Diretor da Casa do Ator; professor de interpretação da Rede Pitágoras (2000-2007); professor de teatro da PUC Minas (2000-2014). Em 1998 e 2014, com trabalhos em Cuba, Argentina, Alemanha, França, Espanha e Luxemburgo, fui curador do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (Fit-BH). Entre 2015 e 2017, diretor das artes da Fundação Municipal de Cultura. Diretor do Fit-BH, em 2016. Desde 1992, profissional de teatro, TV e cinema. Diagramador e repórter de cultura e cidades dos Diários Associados (1991-2015).

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