Crie iguanas em vez de expectativas

 Foto: Unsplash

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Uma amiga anunciou no grupo de WhatsApp que está com peguete novo. Mal pedimos a ficha do rapaz e ela foi logo cortando as asas das mais empolgadas com a notícia: “Já estou em conflito. Ele mora metade da semana fora de BH e a outra metade tem sido difícil nos encontrarmos”. Declarou o fracasso do relacionamento antes mesmo de ele engatar.

Em reação, deu-se início a uma enxurrada de mensagens. A amiga que casou com um alemão, depois de 10 anos namorando separados pelo Oceano Atlântico, escreveu: “Opa: relacionamento à distância, tratar aqui”. Eu, que enfrento restrições severas de horários dos dois lados, emendei: “Relacionamento com incompatibilidade de agendas: tratar aqui”.

Em poucos minutos, mais uma de nós apresentou um tratado sobre deixar fluir, pensar no presente e evitar ansiedade. “Quando os dois querem, as coisas conspiram a favor a as soluções aparecem”, disse. Prefiro chamar o tal “deixar fluir” de não criar expectativas, tópico de longuíssima conversa de outro grupo no aplicativo.

Aliás, se editadas, desconfio que as discussões do meu WhatsApp dariam um best-seller de autoajuda e relacionamento. Também por causa de um namoro que começava cheio de pessimismos, uma amiga deu a receita à outra: “Crie iguanas, mas não crie expectativas”. Iguana, o réptil. Bicho estranho, frio e que, até onde saiba, pouco demonstra afeto.

Longe de sinal de desencanto ou de crise na relação, deixar as expectativas de lado foi a forma que encontrou para pôr fim a uma fonte inesgotável de frustrações. “Não espero fidelidade, exclusividade, não espero mais que seja eterno”, listou, bem radical. O casamento deu uma guinada positiva depois que ela virou a chave.

Desenvolveu inteligência emocional, livrando-se da prisão dos pensamentos sobre o futuro, sempre atemorizada pela possível ausência, pela suposta solidão, pela imaginável traição, por qualquer coisa que simplesmente não existe. Diminuiu as expectativas e decidiu viver, única condição para que, bem ou mal, algo aconteça na realidade.

É óbvio que planos fazem parte da vida, especialmente quando envolvem amor e família. E nem se deve parar de fazê-los. Deixar fluir significa reconhecer que não temos o controle sobre o outro, de quem não devemos esperar tanto. Querer compartilhar a vida com aquele alguém, mas sem ditar, por exemplo, o como e a freqüência dos encontros.

Quem cria expectativas geralmente fica à espera. Nesse caso, opto por agir, porque é somente vivendo que se reconhece a incrível capacidade humana de ser resiliente e enfrentar situações impensáveis. O famoso “tudo se ajeita”. Quase nunca é da forma que se espera, às vezes é até melhor. Por isso, em vez de expectativas, prefira criar iguanas.

Autor
Jornalista e celebrante de casamentos na Amor Sempre Vivo. Acredito em três verdades absolutas: pessoas precisam ser ouvidas, histórias precisam ser contadas e a razão para nossa existência está em amar e ser amado. É por isso me tornei mais do que jornalista, uma jornalista que conta histórias de amor. Tive clareza desse propósito quando eu e Pedro celebramos nosso próprio casamento. Depois daí não parei mais. Aqui, a repórter dá vazão a tudo aquilo que faz o coração pulsar e mantém o amor sempre vivo.

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