12 passos para criar um curso — e ganhar dinheiro com isso – Parte 1

 

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Se você já se perguntou se poderia ganhar dinheiro ensinando o que sabe, esse post é para você. É possível que você já tenha se questionado: como criar um curso para ensinar o que sei? Descrevo aqui doze passos que você precisa ficar atento ao criar seu primeiro curso. Profissionais experientes de mercado – pessoas pós-graduadas, com mais de cinco anos de experiência em uma função, e professores com frequência recebem pedidos de ajuda de outras pessoas para lhes ensinar o que sabem. Para um professor a parte didática pode até ser mais fácil do que para o profissional experiente, mas ambos podem não saber como criar e divulgar um curso. Então, dê uma olhada nas dicas que preparei para vocês, saídas diretamente da primeira edição do curso Aprenda a Ensinar no Século XXI, aqui no GUAJA.

 

  • Identifique suas melhores habilidades e conhecimentos

 

O que é aquele assunto que algum colega de trabalho vem sempre tirar dúvidas com você? Se você é referência em um assunto, é bem possível que pessoas estejam dispostas a pagar dinheiro para que você as ensine isso. Foi assim que criei meu primeiro curso livre: uma colega de trabalho, também publicitária, carecia de conhecimentos em Marketing Digital e me pediu para que eu a ensinasse, e ela ainda disse que me pagava pra isso. Imediatamente entendi ali uma oportunidade, e sugeri a ela que se ela conseguisse mais três pessoas dispostas a pagar por esse esse conhecimento, o dela sairia de graça. Não apenas ela, mas outras pessoas a quem contei a ideia acharam isso ótimo e já queriam aprender também. Daí começou o desafio de montar um curso.

 

  • Faça pesquisa de tendências – o que as pessoas gostariam de aprender e que você sabe ensinar?

 

No meu caso bastou uma busca no Google por “Curso de Marketing Digital” para perceber que já havia alguns cursos criados, que já havia pessoas querendo comprar esse trabalho. Além disso fui atrás de pesquisas de tendência de consumo (há várias fontes disso, como o Trendwatching, por exemplo) que periodicamente publicam relatórios de tendências. Veja se seu assunto figura entre uma das tendências apresentadas. Observe também o movimento da sua cidade: quais iniciativas legais estão surgindo? Alguma tem a ver com o que você pretende ensinar? Se sim, mais um sinal de que pode haver interesse de compra para seu assunto. Eu observei em 2016 várias iniciativas que apoiavam produtores locais, como a Mooca e o Beagá Cool.

 

  • Converse com colegas de trabalho e amigos contando sua ideia, observe se há interesse

 

Ideia é commodity. Qualquer pessoa minimamente informada e observadora é capaz de ter uma ideia. Colocá-la em execução é que requer talento, competência e dedicação. Perca o medo de compartilhar sua ideia com outras pessoas. Se você souber aproveitar a ideia que teve, realmente a colocando em prática, tem mais chance de resultado do que se trancar a ideia a sete chaves. Converse com pessoas em quem você confia primeiro, depois observe se já está pronto para compartilhar com mais gente, e você verá provavelmente mais gente querendo te ajudar com mais ideias complementares à sua do que querendo “roubar” sua ideia. Saber ouvir é tão importante quanto saber falar.

 

  • Identifique o(s) principal(ais) públicos que podem ter interesse em aprender isso. Ele é numericamente interessante?

 

Quem são as pessoas que podem querer comprar esse curso? Se a resposta é “todo mundo”, pense de novo. Sempre há alguma característica que reúna boa parte do seu público potencial. No meu caso, o primeiro curso que pensei, lá em 2014, foi para profissionais de comunicação que trabalhavam em uma função específica: atendimento publicitário. Esse profissional é quem gerencia a “conta” do cliente (empresa anunciante) na agência de publicidade. Ou seja: poderia anunciar esse curso para publicitários, que eventualmente chegaria em quem eu precisava.

Mas aí, depois de começar a divulgar o curso, percebi que esse público existe, mas não é numericamente interessante, pelo menos em BH. Olhei no site do Sinapro – sindicato de agências de publicidade – a quantidade de agências em BH, considerei um número médio de profissionais de atendimento publicitário, e o número só dava para encher poucas turmas. Ainda assim prossegui e fiz uma turma desse curso, mas sabia que seria difícil encher uma segunda turma. Se você quer frequência, precisa de um público potencial grande (passar dos milhares de pessoas). Já o curso de Marketing Digital para Produtores Locais mirava em um perfil um pouco diferente: pequenos empreendedores. Esses sim, quase chega a 7 milhões no Brasil, contando somente os formalizados. Não é à toa que esse curso chegou comigo em dezoito edições, somente no GUAJA.

 

  • Aprenda sobre as necessidades, hábitos, comportamentos e estilo de vida desse público

 

Uma vez que você identificar qual é a característica em comum, passe para pesquisar sobre esse público. Seguindo o mesmo exemplo do curso para Atendimentos Publicitários. Por observação, experiência – já fui atendimento publicitário – e conversas com colegas identifiquei que esse profissional sentia no dia-a-dia dele os pedidos dos clientes por soluções de comunicação digital e que ele, muitas vezes, sequer compreendia o que o cliente estava solicitando. Isso que eu acabei de dizer é a necessidade desse público. No caso dos Produtores Locais, o dono do pequeno negócio muitas vezes desconhece completamente comunicação e marketing, especialmente na internet. Entretanto vê todos os dias, em Mídias Sociais, empresas divulgando bem seus produtos e serviços, super bem feitos, por profissionais de comunicação, mas ele não tem como pagar por um serviço especializado de forma recorrente. A necessidade desse público é entender o básico sobre marketing e comunicação digital para poder fazer ele mesmo o dia-a-dia da comunicação digital do seu pequeno negócio.

Perceba que essas informações que trouxe sobre ambos os públicos requerem experiência em observação ou pesquisa – ninguém tem bola de cristal. Uma boa dica nesse sentido é o site da Opinion Box, um instituto de pesquisas online, mas não se atenha a uma só fonte. O Dr. Google é nosso melhor amigo nessas horas.

 

  • Elabore sua(s) persona(s)

 

Para entender muito bem esse público usamos uma ferramenta chamada Buyer Persona: a elaboração de um personagem semi-ficcional que representa o público-alvo. Aqui tem um post do Minas Digitais contando timtim por timtim como criar uma persona, então não vou me delongar sobre esse assunto nesse post.

Dica importante nesse passo: tente identificar dois a três públicos diferentes mas que tenham a mesma necessidade: aprender o que você ensina. Mais um exemplo: no curso de Marketing Digital tenho três personas: a Nádia, profissional de nível diretoria de média ou grande empresa que precisa aprender Marketing Digital para comandar, não fazer; a Ana Maria, pequena empreendedora que vai colocar a mão-na-massa e fazer ela mesma a comunicação do negócio; e a Alessandra, que é profissional de comunicação e quer aprender para seu trabalho ou para virar freelancer. Isso me permite ter turmas cheias mesmo que eu comunique quase que unicamente para o público pequeno empreendedor, que corresponde a cerca de 70-80% das pessoas que fazem esse curso.

Como esse assunto é longo, vou dividí-lo em duas partes: a parte 1, que você leu até agora, e a parte 2, que será publicada próximo mês. Gostou das dicas? Comece a aplicá-las e me diga se lhe foram úteis nos comentários. Se interessou pelo curso? Aproveita que temos a segunda turma já marcada, inscreva-se já.

 

Autor
Sou graduada em Publicidade e Propaganda, tenho um MBA em Gestão Empreendedora em Marketing Digital e tenho mais de 14 anos de experiência. Meu negócio é o Ainda Que Tardia (aindaquetardia.com.br), uma escola de cursos pra aprender a ser livre. Atualmente tenho dois cursos acontecendo: Mídias Sociais (guaja.cc/cursos/midias) e Marketing Digital (guaja.cc/cursos/mktdigital), ambos voltados para o pequeno empreendedor. Sou professora de pós graduação na PUC Minas, na UNA e no UNIBH. Também faço cursos sob encomenda e sou palestrante.

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