A glosa da glosa

 

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Rolou um entrevero grotesco num lugar improvável, que deveria, por feitio, imprimir um instinto gregário.

Um grupinho grunhiu numa escola renomada, dizendo que a prova aplicada agredia a moral da soberania nacional. Ora bolas, onde se viu, criticar a autoridade? Falta de Cristo ou porrete nessa gente degenerada.

Falar que come solta a queimada, que se promove a mamata, que se lixa pra indiarada, que a nossa comida está envenenada; deixou de ser observação do pau que rola pra virar agente doutrinário. Quem assim vê a realidade é um desviado; afinal, vamos muito bem, obrigado.

E escola é lugar de se discutir isso, minha gente bem adestrada? Joga um Bhaskara na moçada pra acabar com a palhaçada. Filosofia e sociologia não servem pra nada, o que dirá uma crônica nefasta de um pseudointelectual esquerdopata?

É pra isso que eu pago a escola? Bradou uníssona a grã-finada. Acuada pela força da grana que destrói coisas belas, a administração mandou dizer que acatava a denúncia; que era de fato fundamentada. Sob esdrúxula justificativa de que é preciso fazer contraponto às opiniões políticas cassou-se o malfadado exame. Um porém é importante salientar: se o desempenho do discente nessa feita anulada for superior à outra que será aplicada, manter-se-á essa pontuação. Talkey? Talvez com essa presepada tenham querido ensinar na prática o conceito de paradoxo, uma vez que é impossível mensurar o inexistente; ou talvez seja só força do hábito, dar mais uma lustrada na bolha particular rebuscada.

A gente acredita mesmo é na rapaziada que mostrou que no pensar não se põe grilhão. Que respeito é bom e todo mundo gosta, inclusive professor. Trataram de alavancar uma nota de repúdio à (suposta) cabeça da escola com mais de 450 assinaturas, deixando explicadinho que aprender é a única forma de nos melhorar. E que não existe conteúdo perigoso ou subversivo, que o risco mora é na desinformação, se transveste na hipocrisia e aniquila no desmando.

#desculpagregorio

Autor
Sou a rapa do tacho de uma família mineira de cinco filhos. Apareci por descuido e cresci despercebida, num universo de adultos. Aprendi quase tudo através da observação e da imitação. Este relativo descampado social me brindou com uma vastidão no campo da imaginação. Passei a habitar o mundo das palavras e por isso fui uma criança com vocabulário e repertório incomuns. A inadaptação fez surgir uma habilidade que me permitiu criar pontes e afetar as pessoas através da minha escrita. Quando me dei conta disso me senti segura. A escrita, para além da necessidade, passou a ser o meu modo de existência.

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