Belo Horizonte: histórias encontradas no chão

 Foto: Casas de Belo Horizonte

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“Meus caminhos no centro de Belo Horizonte eram escolhidos pelos desenhos que eu queria rever. Da rodoviária até a Praça Sete, as pedras portuguesas davam formas a grafismos indígenas, e eu ficava pensando se seriam dos Tupinambás, dos Carijós… Dali ao final do Parque Municipal, as pedras formavam liras, flores-de-lis e gregas. Fui assim apresentado simultaneamente ao design e ao art déco.

Muitos anos depois, quando entrei na TerraTile para dirigir a empresa, duas jovens e talentosas estudantes me mostraram seus trabalhos de fim de curso de design. Os desenhos de Marcia Larica e Sonia Alves, inspirados na arte indígena, deram à empresa a primeira página do caderno de cultura do JB, um convite para a Primeira Bienal Brasileira de Design e o Prêmio Museu da Casa Brasileira, entre outros.

Quem repara em piso se liga necessariamente aos ladrilhos. Na década de 1980, meu sócio e irmão Antonio Carlos Grillo se dedicou a um levantamento dos ladrilhos hidráulicos da área central da capital e a um estudo técnico sobre o tema. Descobriu que, o quart zo muito fino do ladrilho bom foi substituído pelo gesso, colocando os ladrilhos em descrédito e decretando um longo intervalo nesta produção.

Só neste novo século, quando o mercado passou a valorizar os arquitetos e estes souberam quais são os produtos bons, os ladrilhos voltaram a ser valorizados. Hoje novos designers começam a reescrever esta história.”

O depoimento acima, de autoria de João Grillo, foi publicado no livro Casa e Chão – Arquitetura e Histórias de Belo Horizonte, lançado pelos projetos Casas de Belo Horizonte e Chão Que Eu Piso. Uma série publicada no portal do GUAJA destaca trechos da obra.

São raras hoje as casas preservadas no coração da capital. Um expoente, que se divide entre o Centro e o Funcionários, está na avenida Álvares Cabral. Erguido em 1903, o casarão tem projeto de Edgar Nascentes Coelho. O arquiteto carioca nasceu em 1853 e diplomou-se pela Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Ao vir para Belo Horizonte, em 1894, trabalhou como desenhista na seção de arquitetura da Comissão Construtora da Nova Capital. Atualmente, a edificação é utilizada como sede da Gustavo Penna Arquiteto e Associados, um dos mais renomados escritórios do país.

Gustavo Penna contou um pouco sobre a sua história ali: “Esta casa é bem assombrada. Toda casa antiga tem fantasmas e aqui todos são os meus parentes. O meu bisavô veio para Belo Horizonte para ser juiz de direito e morou aqui. Minha avó, sua filha, casou-se e veio para cá. Minha mãe nasceu aqui e só saiu quando se casou. Eu nasci em outra casa, mas cresci nesta. Tenho saudades divertidas, como explorar cada canto com os meus primos. Éramos quatorze. Ganhei um cômodo para estudar para o vestibular e foi assim que o meu escritório nasceu aqui. O ambiente de que eu mais gosto é o que não mudou o cheiro, a sala de parquet com perfume de madeira. Essa casa me ensinou que é preciso ter os pés no chão, os olhos no horizonte e a cabeça nas estrelas.”

Os livros podem ser comprados pelas redes sociais do Chão Que Eu Piso e do Casas de Belo Horizonte. Podem ser encontrados também no GUAJA, um dos nossos pontos de venda (Av. Afonso Pena, 2881, Funcionários, BH).

Autor
Idealizado pelas jornalistas Paola Carvalho e Raíssa Pena em 2013, o projeto vem catalogando fotos de pisos encontrados em construções históricas de todo canto do mundo. Já são mais de 250 histórias e 12.000 registros de pisos enviados por colaboradores de vários países, como México, Polônia, Vietnã, Marrocos, França, Itália e Estados Unidos. A ideia é não apenas destacar a beleza estética do chão, como também chamar atenção para as histórias que esses pisos testemunharam e o estilo que eles carregam. Se juntou, em 2016, ao projeto Casas de BH para lançar o livro Casa e Chão — Arquitetura e Histórias de Belo Horizonte.

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