O que um hit de verão pode ensinar aos empreendedores

 Imagem: still do vídeo de Que Tiro Foi Esse, de Jojo Maronttinni

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Já chegou! Ou melhor, já chegaram!

Feliz ou infelizmente (no meu caso, a segunda opção), as musiquinhas do alto verão de 2018 começaram a pipocar. Querendo ou não, de repente você, do nada, começa assobiar aquele danado refrão-chiclete, em vão, achando-se o máximo. Dentro do carro, no ponto do ônibus, enquanto stalkeia algum perfil, no Tinder, no meio do trampo, no banheiro, naquele momento de maior despojamento. É foda! Ninguém merece, mas vai consumindo tudo, em todos os lados que, quando percebemos, estamos vendo vídeos das pessoas caindo ao som de #quetirofoiesse!

Jojo Todynho rules!

Apesar dos pesares, o único consolo de tudo isso é que sabemos, ao final das contas, que será só mais um hit de verão e nada mais. Daqui a alguns anos, iremos ouvir, vez por outra, tamanho tiroteio e ficarmos até saudosos…

Já estou até me vendo em 2040:

— Ah, aquele verão de 2018! Colocando a vida em dia, principalmente as leituras, e ouvindo Jojo Todynho na rádio, na propaganda de TV sobre uma operadora de telefonia móvel, no Insta e em tudo quanto é de lugar por aí! Que saudade!! (#sqn).

Bom, mas acima de qualquer discussão que envolva questões relativas à melodia, à composição musical, ao arranjo e estética subjacentes de qualquer hit de verão desde É o Tchan até os dias de hoje (reafirmo, infelizmente), o que quero destacar aqui é que muito dos sucessos (e dos insucessos) dos empreendedores se devem justamente à perspectiva de sazonalidade, tal e qual o nosso querido (arg!) hit de verão.

Irão durar aquele período e só! A curva irá dos mais altos patamares de audiência (redes de TV, sociais e demais mídias disponíveis) ao completo e ligeiro ostracismo em questão de algumas poucas semanas. Não irei ficar decorrendo sobre a (infeliz) enorme lista que poderia recordar-lhes, mas creiam: ela é bem longa mesmo!

Estamos aí na era dos apps, das coisas residentes nas nuvens coisa e tal, mas muito devemos aos empreendedores offline! Pode consultar qualquer base de dados que estude e analise o movimento empreendedor do Brasil e constatará o que lhes digo

Além do mais, boa parcela destes empreendedores nascentes, novos ou mesmo os estabelecidos passam a existir somente durante certo período de tempo pré-estabelecido. É também um hit de verão! E faz um sucesso tão estrondoso que pode inclusive tornar-se um bom investimento. E são muitos, não são? Pense bem: fabricam chaveiros, lanterninhas, bandanas, tudo aquilo que possa servir como brinde, lembrancinha ou brincadeira, que depois vai ficar abandonado mesmo no fundo de uma gaveta.

As pessoas baixam músicas, vendem-se produtos, marcas do luxo ao lixo? Sim, tudo isso acontece! Gera notícia, capa de revista, entrevista no blog, live, direct e toda a tralha digital? Sim, tudo isso acontece. E no meio dessa história todos ganham. Que bom para todos!

Mas a velocidade que tudo isso ocorre tem sido cada vez mais reduzida. Os hits vêm envoltos de muita expectativa e, assim sendo, nem tantos produtos são produzidos, pois da hora do lançamento até ele virar lembrança o tempo voou (lembrem-se do tempo que o hit Na Boquinha da Garrafa ficou no ar, bombando naquela época e tentem se recordar do hit do último verão). Seja em termos de variedade, seja em termos de quantidade mesmo.

Ainda assim, vocês podem ir a qualquer praia de caráter familiar neste Brasilzão que irão encontrar diversos ambulantes, lojinhas, bancas de CDs piratas vendendo Jojo Todynho, Anitta, Pabllo Vittar e tudo que daí sair para uma população ávida em acompanhar as tendências (não, please!).Tá todo mundo comprando, então tá todo mundo vendendo, então tem gente fabricando, empregando, gerando no decorrer da toda a cadeia.

Nesse cenário, destaco que toda a parte digital, digamos, oficial, irá cair nos bolsos dos produtores, diretores, artistas, compositores e aquela cadeia produtiva dos serviços especializados de marketing, comercial, produtivo, operações coisa e tal. Ou seja, já tem destino certo. Mas o que se vê nos postos de gasolina do interior afora, naqueles comércios pequenos do interior, nas lojas das pracinhas dos centros de turismo das cidades litorâneas, nas entradas dos parques das cidades turísticas, é aquele comerciozinho bobo, aparentemente despretensioso, pouco qualificado, mas que no fundo, dá trabalho e renda para uma porção de famílias, seja daqueles que nos atendem, nos vendem, como também daqueles que estão lá no fundo do quintal montando as peças, ou em frente a um computador, imprimindo as fotos, montando os chaveiros, costurando as blusas, colocando as músicas que serão ouvidas nos trios elétricos.

O que se vê, portanto, é que os empreendedores offline tem boas perspectivas nestas cenas, pois em pouco tempo conseguem produzir e vender quase tudo que gira em torno daquele hit de verão. Aproveitar essa oportunidade, entretanto, requer um conhecimento bem peculiar em que não será possível produzir pouco, mas ao mesmo tempo, dada a rapidez do modismo, sequer deverá ser produzido em grande quantidade, no sentido de algumas peças encalharem no estoque assim que o outro (Por quê, meu Deus?) hit, modismo, modinha, ou coqueluche, como minha vó dizia, chegar.

Assim como você pode não ter a real dimensão que este tipo de empreendedor totalmente offline representa para a economia, para a constituição dos valores sociais, para o funcionamento dos comércios locais, para a aquisição de outros produtos, acredito (não tenho certeza, ok?) que os artistas do verão também não conseguem calcular o impacto que eles geram nas vidas das famílias que dependem de somente deste hit de verão para poderem sobreviver um pouco melhor, mesmo que dure somente uma temporada.

Esse argumento por si só me convence de que os hits de verão são necessários. Engulo seco toda a minha erudição, principalmente aquelas relacionadas às composições musicais, e declino ao surgimento do empreendedor por necessidade e sazonal. E vamo que vamo!

Pra inspirar, segue abaixo a letra da composição que hoje domina a parada.

Que Tiro Foi Esse — Jojo Maronttinni (via letras.mus.br)

Que tiro foi esse?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

Que tiro foi esse?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

 

Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

 

Samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

Vai, samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

 

Quer causar, a gente causa

Quer sambar, a gente pisa!

Quer causar, a gente causa

Quem olha o nosso bonde pira

 

Quer causar, a gente causa

Quer sambar, a gente pisa!

Quer causar, a gente causa

Quem olha o nosso bonde pira

 

Então samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

Vai, samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

 

Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

Que tiro foi esse, viado?

Que tiro foi esse que tá um arraso?!

 

Samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

Vai, samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

 

Quer causar, a gente causa

Quer sambar, a gente pisa

Quer causar, a gente causa

Quem olha o nosso bonde pira

 

Quer causar, a gente causa

Quer sambar, a gente pisa!

Quer causar, a gente causa

Quem olha o nosso bonde pira

 

Então samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

Vai, samba

Na cara da inimiga

Vai, samba

Desfila com as amigas

Autor
Professor, mentor, fomentador, estudioso, facilitador e interessado em empreendedorismo e coisas afins.

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  1. Muito bom Bonono!

    Uma perspectiva diferente que as vezes deixamos passar, são outras realidades, mas ainda sim cada um tem o seu meio, afinal, como dizem o brasileiro sabe se virar. Entender as tendências e conseguir tirar proveito do momento é uma atitude empreendedora.

    Acompanharei os seus posts, ainda não conhecia o seu blog. Depois entre no meu blog também, acredito que vai gostar dos temas: Inteligência emocional, comportamento humano e desenvolvimento de negócios.

    http://honoss.com/

    Forte abraço meu querido. Sucesso!!

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