Qual o papel da iluminação residencial?

 Janela de hotel em Inle Lake, Myanmar. Foto: Mariana Novaes

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O conceito de lar pode ser entendido como uma relação emocional e significativa entre os moradores e a sua morada. É o espaço escolhido para conexão e desenvolvimento de uma relação de pertencimento. Pode ser visto como refúgio, onde se busca inspiração e descanso do que se vive fora dele, possuindo ressonância psicológica e significado social.

A iluminação residencial, em conjunto com a arquitetura e o design de interiores, imprime caráter e significado ao lugar, revelando a identidade dos seus moradores: valores, culturas, preferências, hábitos, memórias, estilo de vida. Por que a iluminação residencial é importante?

Assim como as demais disciplinas, o projeto de iluminação residencial deve atender o que faz sentido dentro das perspectivas de quem reside naquele espaço: conforto visual, economia de energia, facilidades tecnológicas (como o uso da automação), atmosfera, estímulo aos sentidos, informação, segurança, idade, facilidade de manutenção, valorização da arquitetura, de objetos com significado sentimental, entre outros aspectos.

A iluminação artificial exerce o papel de completar ou até mesmo compensar a falta de luz natural em alguns espaços durante o dia e proporcionar a extensão da vida familiar durante a noite. A experiência do espaço é criada através da interação entre luz e materiais: identifica-se contrastes, formas, cores, superfícies, texturas, entendendo escalas e limites.

                           Janela em Millesgården, Estocolmo, Suécia – Foto: Mariana Novaes

Como escolho a iluminação de cada espaço?

Diferentes cenários favorecem e flexibilizam os espaços para as atividades que nele acontecem: a visita de amigos e familiares, a leitura de um livro, a prática de um hobby, um momento de conversa e compartilhamento entre a família, entre outras. Para cada atividade e espaço, demandas visuais devem ser atendidas e alguns recursos podem ser empregados, separadamente ou em conjunto:

• Iluminação ambiente ou geral – direta e indireta, através de soluções no forro, paredes ou piso;
• Iluminação de destaque – em planos verticais (paredes) e horizontais (mesas e bancadas), áreas (hall, escadas) ou objetos específicos (obras de arte);
• Iluminação de balizamento – para orientação noturna, por exemplo. As diferentes características das fontes de luz e das luminárias devem ser levadas em consideração para a solução dos ambientes, tais como:Tipo de lâmpada (led, fluorescente, halógena, incandescente – as últimas duas em desuso por serem menos econômicas energeticamente e por possuírem menor tempo de vida útil. Já existem soluções de qualidade em led, apesar do custo ainda elevado);
• Índice de reprodução de cores (quanto maior, mais fielmente reproduzem cores – considerar IRC>80/90);
• Aparência de cor da luz (ou temperatura de cor), variando entre o branco quente (entre 2700K e 3000K para quartos, salas de estar e jantar, áreas de lazer) e neutro (4000K em cozinhas, áreas de serviços);
• Sistema óptico e o tipo de distribuição de luz que proporcionam (difusa, pontual, oval, linear, assimétrica, simétrica).

Benefícios da Automação

A automação pensada em conjunto com as soluções de iluminação residencial pode proporcionar benefícios para os moradores, como maior conforto visual – ao permitir, com praticidade, a dimerização das soluções e a redução ou aumento de níveis de iluminância nos espaços em horários diferentes –, a composição de diferentes cenários para o mesmo espaço, que passa atender demandas de diferentes atividades, assim como o prolongamento da vida útil de alguns equipamentos e economia de energia.

Sweeney Chapel – @ebachta via Flickr

Como favoreço a iluminação natural da minha casa?

A iluminação residencial natural muitas vezes não pode ser modificada em função da vizinhança e da orientação solar do apartamento escolhido, assim como pelas regras de conservação do edifício e do condomínio. Neste caso, é possível fazer uma análise da distribuição de luz incidente nos diferentes cômodos – observando o comportamento da luz nas diferentes estações, assim como do momento de entrada de luz solar direta ou apenas luz refletida.
Avalia-se, por exemplo, a necessidade de escolha de cores mais claras para maior reflexão da luz incidente ou de uso de cortinas para filtragem ou maior difusão da luz, a fim de garantir o conforto visual a quem estiver dentro dos espaços. A entrada direta de raios de luz pode ser até mesmo aproveitada para a exploração de efeitos de reflexão, sombra, destaque ou transformação de cores. De toda forma, o mais importante papel da iluminação residencial é permitir ao morador ser quem ele é, proporcionando liberdade, conforto e segurança.

Autor
Mariana Novaes é mineira com raízes nordestinas. Arquiteta, urbanista e architectural lighting designer MSc. que viveu em Estocolmo, Singapura, RJ e voltou para Belo Horizonte. Grande entusiasta de vivências espaciais, busca dar voz à iluminação e ao lighting design(er) em seu trabalho, apresentando a importância da sua interdisciplinaridade na sociedade e no mundo. É sócia-diretora da Atiaîa Design, membro profissional e diretora de relações sociais da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (AsBAI), membro do Encuentro Iberoamericano de Lighting Design (EILD), escritora da Revista L+D e responsável pela Comunicação e Parcerias do LEDforum. Foi premiada uma dos 40under40 lighting designers mais promissores da atualidade no Lighting Design Awards 2018. A Atiaîa Design foi homenageada no 16º Prêmio IMEC 2018 na categoria prestadora de serviços em lighting design.

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