Meu primeiro gole de café especial

 Foto: Thobias Almeida

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Tinha gosto de tomate, e eu achei surreal. Foi em uma sala, muito fofa, com cara cozinha de fazenda, com cheiro de vó e todas aquelas coisas. Eu senti ali o primeiro mundo de expandindo na minha cabeça, e mais especificamente, na minha boca.
Em uma cidade completamente desconhecida, ali no coração da Vila Madalena/SP, eu me vi cercada de gente descobrindo novas partes da língua – partes que sempre existiram, mas que nunca conversamos sobre – do nariz e do cérebro. Tive oportunidade de tomar, em questão de minutos, xícaras de diversas qualidades, torrefações, fazendas e lugares do Brasil. Aprendi o que era e o que não era café especial, assim, com gostinho de tomate.
Confesso que foi um susto “Meu Deus! Café tem acidez??????”. E com muito jeitinho, minha primeira professora de barismo me contou por que café especial tinha acidez e o quão incrível era explorar todas as partes de um café em que você vê ali, o grão, torrado, sozinho. Café tem que ter doçura, corpo, acidez, retrogosto agradável. Sem amargor, sem gosto de nicotina, nem borracha, nem cinza.
Nada contra aquele velho cafézinho de vovó, mais preto que uma brusinha gótica e mais melado que cana… Mas um café especial me tira do chão. Me tira do chão a ponto de eu tornar isto a minha profissão, a ponto de procurar cada dia cafés mais doces, mais complexos, com mais história, com mais afeto e transmitir para a xícara todo esse cuidado que, meus amigos e colegas, produtores tiveram ao plantar colher e beneficiar esse grão.
O café especial assim é chamado porque requer um cuidado desde o plantio à xicara; passando pela colheita e todo o processo pós colheita, seleção, torra e a forma com que o grão vira pó e o pó vira uma bebida.
Em cada ponta dessa cadeia existem cabeças pensantes estudando, pesquisando e botando a mão na massa pra que essa bebida, muito conhecida mas pouco entendida, sirva cada dia mais qualidade a mais pessoas.
É necessário que falemos sobre café especial (e tudo por trás desse universo ainda-em-descoberta). Vamos falar sobre café! Nos dias 8 e 9 de abril, ministro um curso sobre Cafés Especiais aqui no GUAJA, onde trabalho como barista e espalho minha paixão atualmente. Vamos desmistificar vários pontos que circundam esse universo e aprender, com teoria e prática, diferentes métodos e técnicas para um bom café!
Venha sem medo e de coração aberto, conheça o curso e se inscreva aqui!
Autor
Barista-quase-nômade, Ane se divide entre o mundo de receitas e pesquisas sobre como levar boas bebidas à todas as mesas e balcões. Barista há uns anos, fissurada pelos processos e encantada com os laços que se formam nesse pequeno nicho ainda aparece timidamente pelo Brasil. Mapeadora de acidez e cada vez mais interessada em descobrir o que de fato, transforma uma xícara cheia em vazia.

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