6 dicas para transformar reclamação geracional em aprendizado e uma receita de muffin de banana

 Aprenda a fazer esse muffin delicioso, fácil, rápido e com uma massa prontínha para receber muitos recheios.

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“O grande desafio humano é resistir à sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação é um elemento indispensável para quem, mais do que repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar”. A reflexão está no livro “Não nascemos prontos” do filósofo e professor brasileiro Mário Sérgio Cortella, que provoca: “assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante”.

Se Cortella não cansa de repetir que “gente nasce não pronto e vai se fazendo”, eu não canso de me perguntar por que, então, expressões como “eu sou assim” segue disputando espaço com “é tudo mimimi” e “esses Millennials!” a cada contrariedade daqueles das gerações anteriores?

Daniel Klein, autor best-seller do The New York Times, reuniu em “O livro do significado da vida” as anotações que ele, ainda um jovem estudante de filosofia, manteve em um caderno. A combinação dos aforismos de grandes filósofos e suas impressões sobre cada um deles, nos leva para uma viagem sobre as maiores questões da vida, juntando reflexões, velhas e novas, para nos ajudar a encontrar respostas para o que realmente precisamos.

Escolhi o aforismo de Jean-Paul Sartre para explicar que nós somos responsáveis pelo que nos tornamos e para perguntar como você está trabalhando na construção de quem vai ser no futuro. “Sua existência precede sua essência” é a frase do filósofo francês e Daniel explica: “Sartre está dizendo que, ao contrário dos objetos no mundo – por exemplo, minha torradeira – os seres humanos não podem ser definidos pelas suas propriedades. A torradeira é criada para tostar pão; a capacidade de tostar é o propósito e a essência da torradeira. No entanto, nós, seres humanos, podemos alterar nossas propriedades e propósitos ao longo do caminho, de modo que não faz sentido dizer que temos alguma essência definidora imutável. Em primeiro lugar nós existimos e, em seguida, criamos a nós mesmos. Isso é algo que minha torradeira não poderia fazer mesmo se quisesse”.

Se, ao contrário da torradeira, gente não nasce pronto, mas se constrói ao longo de toda a vida, por que carregamos tanta resistência ao novo? Por que nos cercamos de magias e crenças limitantes para justificar o injustificável? Por que desmerecemos o presente, não perdendo uma chance de dizer aos mais jovens: “no meu tempo”, ou “você não sabe o que é ter infância”, ou “o mundo era melhor”… ?

No mês passado escrevi aqui sobre ser parte da última geração “bilíngue” e sobre como tenho sorte de não ter me fechado para esse novo mundo que se descortina através de uma geração absolutamente tecnológica e honesta consigo… sem a menor disposição para se manter sob qualquer fachada.

É também uma geração ansiosa, hiperconectada e com uma dúzia de problemas sérios, mas se você, como eu, é um filho dos anos 80, sugiro que abra seu coração e seu ouvido para esse novo universo pelo simples fato de que o mundo para o qual fomos criados não existe mais e fique tranquilo porque é natural que ele mude.

Dia desses, assistindo a uma aula do historiador Leandro Karnal sobre “A cultura no ambiente educacional”, o ouvi relatando a visita que ele fez, com um grupo de professores, a uma escola onde as crianças não usam mais papel e lápis e fazem todas as anotações usando tablets. Uma das professoras, muito preocupada com perda da capacidade motora de escrever e, amendrontadíssima com a tecnologia, soltou: “mas e quando não tiver um tablet por perto?”… a resposta foi tão simples quanto lógica: não se escreve, assim quando não temos papel e lápis.

O medo do novo nos torna arrogantes, mas faz alguns anos que o meu trabalho vem me permitindo estar entre profissionais muito, muito novos e cheios de coisas para me ensinar, logo, venho aprendendo sobre uma troca muito rica que me faz usar minha experiência para trazer alguma segurança para experimentos que fazemos juntos.

Eu sei que nem sempre é fácil dispensar o “deixa de mimimi” como bote salva-vidas para o diferente, mas listei aqui algumas coisas que podem ajudar na construção de um “você” menos pronto, mas com uma irresistível elegância intelectual.

Elabore mais perguntas que respostas

Não fomos treinados para perguntar. Elaborar boas perguntas pode ser, justamente pela nossa falta de treino, mais difícil que ter sempre uma boa resposta na ponta da língua, mas saiba que a pergunta certa pode te trazer muito, muito aprendizado. Lembre-se: as pessoas mais inteligentes são aquelas que querem saber, portanto, estimule a sua curiosidade.

Pare de acreditar apenas no que lhe convém

O ódio pelas ideias que não são as suas pode estar blindando o seu aprendizado. A curiosidade é um desejo pelo outro e quando repudiamos o diferente, não conseguimos abandonar as velhas crenças. Pessoas muito mais novas ou vindas de outros lugares, com outras experiências podem nos fazer rever pontos e nos abrir para novas perspectivas. Lembre-se: há uma confusão muito grande entre opinião e argumento e não existe uma verdade universal para a grande maioria das coisas.

Passe sua experiência com humildade

O autoritarismo não suporta reflexões filosóficas e quando pensamos em trabalho, por exemplo, vemos que o modelo de carreira que foca em hierarquia, de algum modo, afasta a maioria dos questionamentos que podem ser muito enriquecedores em todas as situações. Não tenha preguiça de ouvir, extrair o que pode ser bom. Depois disso, não tenha medo de afirmar, com convicção, que não algo não vai funcionar porque sua experiência te diz isso. Lembre-se: ouça, com verdade, pondere e compartilhe porque o autoritarismo perdeu a vez na história, mas a autoridade permanece.

Não tenha vergonha de dizer “não faço a mais puta ideia”

O conhecimento que define a sociedade atualmente é o acesso à tecnologia. Quanto mais jovens, mais desenvoltos. Não pense duas vezes para instalar um novo aplicativo, para experimentar antes de descartar e, acima de tudo, não pense duas vezes antes de manter por perto aqueles seres que estão sempre atentos às novidades e que podem te ensinar. Não se esqueça, porém, que você deve ser sensível à tecnologia, mas não definido por ela. Lembre-se: troque posts que trazem “verdades” nas redes sociais por artigos que trazem reflexões em bons sites.

Veja o erro — seu e dos outros — como um processo de aprendizagem

Seu conservadorismo não permite erros? Uma das grandes razões de trabalhos pífios é o bloqueio que o medo de errar traz para todos nós. Desconstrua modelos e, assim, ressignifique seus pensamentos porque você não está pronto e quem não está pronto erra. Lembre-se do que disse Sartre: “Sua existência precede sua essência”.

Agora, reserve 20 minutos do seu tempo para uma experiência na cozinha. 🙂

Muffin de banana

Você vai precisar de:

2 + ½ xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de açúcar
1 colher (sopa) de fermento
1+¼  colher (chá) de bicarbonato de sódio
½ colher (sopa) de sal
3 ovos
½  xícara (chá) de leite
½  xícara (chá) de manteiga sem sal derretida (temperatura ambiente)
3 colheres (sopa) extrato de baunilha
3 bananas cortadas em rodelas
açúcar e canela a gosto para polvilhar

Como fazer:

Pegue duas vasilhas e reserve uma para os ingredientes secos e outra para os molhados. Na primeira, misture a farinha, o açúcar, o fermento, o bicarbonato de sódio e o sal e reserve. Na segunda, misture os ovos, o leite a manteiga derretida e a baunilha. Em seguida, jogue os ingredientes molhados, já misturados, sobre os secos e mexa delicadamente até que fique uma massa homogênea. Não é preciso sovar, apenas misturar.

Use uma forma para muffins e cupcakes e dentro de cada espaço encaixe uma forma de papel, também apropriada para muffins e cupcakes. Com duas colheres de sopa, coloque a massa nas forminhas até quase enchê-las e coloque quatro ou cinco rodelas de banana no meio da massa. Asse por 20 minutos em forno pré-aquecido a 200 graus.

Você pode substituir a banana por gotas de chocolate e aí é só misturar as gotas com o ingredientes secos, na primeira vasilha.

Sirva com café. 😉

Autor
Especialista em comunicação, fiz carreira no mundo digital gerenciando projetos e escrevendo para grandes marcas. Amante da moda e das artes, divido meu tempo entre meu trabalho no time de branding de uma grande startup, meia dúzia de dilemas sobre os tempos modernos, meus amores e muitos, muitos bolos.

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  1. Bom dia, Andresa! Você nem sabe como eu vim parar nesse texto que fiquei apaixonada. Foi fazendo uma pesquisa de” O que é o desejo humano? Conseguimos satisfaze -los? ”
    Muito obrigada pelo texto e pela receita, que estou ensaiando faz um tempo, porque sempre faço cuques e cucas de banana.

    Um abraço,
    Adriana

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