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As mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto há mais de oito décadas e marcaram um grande avanço na luta por direitos. Mas foi apenas na década de 1980 que a primeira brasileira alcançou o cargo de governadora de um Estado, quando Iolanda Fleming, então vice-governadora, assumiu a gestão do Acre. Foi apenas em 2010 que uma
mulher se elegeu presidenta da República. E, agora, em 2018, vivemos um cenário de apenas 10% de mulheres eleitas no país.

Olhando para esses fatos e dados, e pensando na importância de aumentarmos a representatividade das mulheres na política, decidimos trabalhar em prol das candidaturas femininas e sob uma perspectiva feminista de jornalismo. Além da sub-representação, a estrutura machista da nossa sociedade faz com que a mídia trate as mulheres de
forma pejorativa, invisibilizada e estigmatizada. A grande pergunta que fazemos a todo o momento é: como eleger mais mulheres?

Ilustração – Pollyana Dias

Uma questão muito importante é a necessidade de um olhar feminista para as pautas políticas do nosso país e para as pautas que têm impacto direto na vida das milhões de brasileiras. Não acreditamos em uma melhora significativa nos direitos das mulheres sem que elas estejam em cargos públicos defendendo políticas para isso. É notório que em países onde a representação das mulheres é maior, temas relacionados a elas têm outra visibilidade e outra abordagem. Um exemplo disso é a discussão sobre aborto na Argentina, país que tem um Congresso com 30% de mulheres. Acreditamos que a pauta só entrou em discussão pela quantidade de mulheres eleitas.

Precisamos de mulheres para legislar por todas nós, para legislar a favor de políticas de inclusão, para legislar a favor de programas contra a violência doméstica e o feminicídio, para atuar na defesa da inclusão das mulheres no mercado de trabalho, para definir políticas que criem cidades mais seguras para as mulheres. Precisamos ter representantes que entendam a importância da interseccionalidade e de como é preciso aliar a luta das mulheres com as tantas outras lutas por igualdade e democracia. Não basta ser mulher, mas é preciso entender a urgência de ações pela vida das mulheres negras, pela população LGBT, contra a desigualdade social e contra tudo que a nossa sociedade exclui.

Viemos, então, oferecer o nosso trabalho de jornalistas em prol de uma outra perspectiva de política. Criando conteúdo exclusivo sobre as candidatas mulheres em Minas Gerais, queremos mostrar ao mundo que elas existem, são capazes e estão dispostas a lutar por todas nós. Sabemos que ainda é muito pouco, mas acreditamos que a imprensa é um caminho primordial na correção das desigualdades que assolam, ferem e matam mulheres todos os dias. E é nesse sentido que inauguramos uma plataforma feita por elas e dedicada a elas. Acompanhe a gente aqui NO
GUAJA e no CAMPANHALIBERTAS.ORG e faça parte desta luta! É por mais mulheres na política e em todos os lugares.

Nesta terceira semana de atuação da Campanha Libertas, com foco nas candidatas mineiras, viemos especialmente convidar a todos para participar da nossa RODA DE CONVERSA, na terça-feira, 11. Será um evento lindo no Vandário do GUAJA Café Coworking (Av. Afonso Pena, 2.881, Funcionários, BH). Chamamos candidatas a diferentes cargos para essa conversa inspiradora sobre a participação das mulheres nos espaços de poder e queríamos muito contar com a participação de todxs que apoiam essa causa e curtem a Libertas. Será um momento de trocas, conexões e propostas para tornar a política do nosso Estado mais diversa e justa.

Autor
Somos um coletivo de mulheres jornalistas de Minas que já trabalharam em redações de grandes jornais de Belo Horizonte e em assessorias de imprensa. A "Campanha Libertas – Por mais mulheres na política" surgiu para fazer uma cobertura jornalística independente das eleições de 2018 com foco nas candidaturas femininas.

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