Além do Rolê #4 — Música independente em BH

 Foto: Camila Rocha/Estático Zero

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Falar sobre música é falar sobre paixão. Não adianta, sempre vai ter amor envolvido. Mesmo sendo um negócio, ainda que seja essencial levantar grana. Há uma semana, nos reunimos para o Além do Rolê #4, que tratou sobre a cena da música independente em Belo Horizonte. Falar disso é, então, falar do que a gente ama, dos lugares aonde vamos, artistas que admiramos, profissionais que reconhecemos e que dia a dia, há muito ou pouco tempo, ocupam o front da produção pra fazer a cena da cidade acontecer.

Estamos vivendo um momento de efervescência, um aqui e agora que reforça a potência e riqueza culturais que BH sempre teve, que se manifestam e resistem apesar dos desafios. Para refletir e compartilhar experiências e propostas, convidamos a Bruna Vilela da Banda Miêta; o Claudão d’A Obra Bar Dançante, inaugurada há 21 anos; Léo Moraes, d’A Autêntica; Sandra Leão, DJ e apresentadora do Conversa Afinada na Rádio UFMG Educativa; e Thiago Corrêa, produtor do estúdio Frango no Bafo.

As dúvidas sempre estiveram por aí: como romper com a lógica de uma BH provinciana? O que fazer para valorizar quem é daqui? Sendo independente, como criar um público disposto a sair de casa, conhecer esses artistas e pagar por eles? Como divulgar e disseminar o trabalho sem depender de gravadoras e dinâmicas tradicionais?

Todo mundo ali na roda tinha consciência desses desafios. Aliás, percebemos quanto a vivência de cada um pauta o tipo de obstáculo a ser superado. Em quais espaços uma artista trans tem visibilidade? Como uma jovem cantora de 19 anos consegue penetrar uma bolha? Vários questionamentos e, felizmente, várias possíveis soluções e propostas práticas.

O que podemos fazer:

Deixamos aquela roda com alguns indícios de caminhos a serem seguidos e a certeza de que as conexões são transformadoras. Para fazer contato, para conhecer o trabalho, para planejar juntos, criar experiências mais completas, agendas que se encaixam, palcos que abraçam e respeitam a diversidade. A força reside na coletividade, as parcerias são o que nos permite ir além, ousar e inovar quando falta orçamento ou espaço. Quando vamos além, rompemos com tradições e estabelecemos marcas no tempo e na história: um dia, nós seremos o “antigamente” de alguém.

Dentre outras conclusões práticas às quais chegamos, tivemos a confirmação de que precisamos saber aonde queremos chegar; de que necessitamos conhecer nosso público e seu comportamento de consumo; de que devemos fortalecer uma cultura bairrista para valorizar a cena local e criar um polo em Belo Horizonte seja reconhecido nacionalmente; de que carecemos de diálogo com o poder público; de que precisamos articular vozes para uma construção conjunta cada vez mais inclusiva e segura para minorias.

O que já é feito:

Aqui, algumas iniciativas que já existem para fortalecer a cena da música independente em BH:

Música do Coleguinha: uma rede de artistas e bandas locais grava músicas uns dos outros, apresentando e divulgando as mesmas em shows, redes sociais e outros canais;

Sessões Autênticas: A Autêntica recebe artistas de todos os estilos musicais para se apresentarem em 10 minutos no palco da casa, uma quinta-feira por mês.

Conversa Afinada: Sandra Leão, em seu programa de rádio, recebe artistas independentes para entrevistas e apresentações de seus trabalhos. O melhor? A agenda tá sempre cheia, é muita gente boa nessa cidade!

GUAJA no Rolê e Além dele

A série de painéis Além do Rolê se desdobrou a partir do guajanorolê, o guia cultural idealizado por Gabriel Prata que traz dicas dos mais variados eventos que movimentam a cena belo-horizontina. Estão nessa empreitada também a Julia Abrahão, representante da Baer-Mate em BH, e a equipe de Comunicação do GUAJA.

Expandir as fronteiras do guia foi uma iniciativa essencial, que naturalmente atende a sua proposta de pautar questões relativas à cena cultural de BH. Nada mais coerente do que abrir e ampliar essa discussão, certo? Esse foi o quarto encontro, mais um em que saímos com a cabeça fervilhando. Os outros painéis foram: Por que as coisas custam o que custam? Alô, Produção! e Fora do Eixo?

Muita água ainda vai rolar, e o próximo Além já tem data: vai ser no dia 02 de outubro, trazendo o tema Manas no Rolê. Salve a data e aguarde mais infos.

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou. Da produção cultural ao conteúdo digital, me redescubro nos encontros, e nos desencontros me reinvento. Sempre além.

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