Não, o bendito não

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Uma palavra engasgada. Que não se pronuncia para negar favor a um primo. Que não sai para questionar a correção de uma prova. Que não se diz à moça da empresa de telefonia contra uma taxa injusta.

Por que, em circunstâncias triviais, pode ser tão difícil dizer: não posso, não concordo, não aceito?

Para algumas pessoas, situações simples trazem à tona a memória de episódios muito mais graves, em que elas foram caladas pela violência.

Diante do horror, da desproteção ou do autoritarismo, uma vítima pode emudecer de forma profunda e perder a capacidade de se afirmar. São as pessoas invadidas, que, mais tarde, não conseguem impor limites. Crianças ameaçadas, que, mesmo depois de adultas, não se manifestam. Gente ignorada, que desacreditou de si mesma.

Um amigo me pergunta o que penso sobre a fama que o brasileiro tem de nunca falar “não”. Seria, em comparação com pessoas de outras nacionalidades, um jeitinho simpático de sempre se justificar, dar uma desculpa e até mentir para evitar uma negativa direta.

Para mim faz sentido estender ao grupo o que se aplica aos indivíduos. Não somos um povo desatendido e sem voz? Já fomos silenciados por monarquia e ditadura militar. Reféns de 350 anos de regime escravocrata, que determinou invisibilidade e exclusão. Deve ser mais fácil se posicionar quando se cresce em uma democracia sólida, em vez de cercados por uma desigualdade, ao mesmo tempo, agressiva e silenciosa.

E qual a solução, individual ou coletiva, para quem não conquistou o direito à palavra? Como tentar adquirir a capacidade de recusar e de reivindicar?

O rumo está entre dois extremos, onde há, de um lado, a passividade e, de outro, a agressividade. O caminho do meio é a assertividade, ou seja, aprender a se posicionar com confiança e clareza e proferir sem medo o bendito “não”.

Autor
Sou uma perguntadeira profissional. Jornalista e psicanalista. Escrevo um blog sobre comportamento, chamado "Sanguínea". Assino a coluna "Corações e Mentes" na Rádio Inconfidência. Já trabalhei em cinco emissoras de TV e deixei a rotina de repórter e apresentadora pela intimidade do consultório. Minha matéria prima são as palavras, para tecer conexões, vínculos e significados que enriquecem a vida.

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