Nickary Ayker: uma querida drag queen

 Foto: Lucas Ávila

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Convido vocês a conhecerem, neste mês, a história de Nickary Ayker. Quem a vê nos palcos da cidade, em shows e eventos não imagina a história de perseverança e superação que teve que trilhar. Esta “travesti preta, periférica, ex-presidiária, drag queen, transformista”, como ela mesma se define, fez da vida um grande leque de empoderamento, que bate forte a cada obstáculo enfrentado, a cada passo de dança, a cada luta vencida. Vrá!

“Eu me lembro a data até hoje: 29 de julho de 2008. Estava em uma boate com alguns amigos quando percebi que queria ser como aquelas drag queens que lá estavam. Comecei a me interessar pela profissão e logo iniciei minha vida nos palcos, na extinta boate New Eros, com um grande artista aqui da cidade, Carlinhos Brasil. O amor à arte foi crescendo cada vez mais dentro de mim. Com quase dez anos de carreira, sempre procurei me esforçar, aprender e me dedicar bastante.

Em 2009 tive que dar uma pausa nos meus trabalhos. Fiquei 1 ano e 2 meses presa, na ala LGBT do presídio de São Joaquim de Bicas. Foi uma árdua experiência, momentos muito duros e difíceis, mas que hoje vejo que me fortaleceram bastante. Penso que, às vezes, determinadas experiências fazem a gente crescer. Tive o apoio da minha família e da militante Anyky Lima, eu sabia que sairia de lá e que minha vida mudaria para melhor. E foi exatamente isso que aconteceu: saí do presídio e dei o primeiro passo para concluir meus estudos.

Me assumi uma mulher trans no final de 2010, quando tive mais certeza de quem eu realmente era. Antes de assumir minha identidade de gênero, eu já trabalhava como uma drag queen. As pessoas confundem muito uma coisa com a outra. Ser uma mulher trans diz respeito à forma com a qual eu me reconheço, me sinto, me apresento diariamente. Ser drag queen é uma profissão que pode ser exercida por qualquer pessoa. Eu gosto muito de usar o nome “transformista” quando falo da minha profissão porque nesta palavra existe algo que sou: trans.

Embora a drag queen seja uma personagem e não tenha identidade de gênero, acho muito importante fazer esta marcação de que sou trans, é uma forma de lutar, mostrar que estamos aqui no mundo pra ocupar qualquer espaço que a gente deseja. Aqui em casa eu não sou a única trans. Meu irmão, Kennedy, é um homem trans. Fomos acolhidos pela família e pela periferia onde eu moro. Tenho muito orgulho da minha história.

Eu, ele e minha mãe vivemos em paz, temos um ao outro pra se proteger. Hoje, sinto que meu propósito de vida é sempre estar em busca dos meus sonhos e objetivos sem perder o foco. E luto diariamente por meu direito de viver.”

Nickary Ayker é uma das drag queens mais queridas da cidade, faz parte dos coletivos Academia Transliterária, Toda Deseo, Bacurinhas, além de ser aluna bolsista de teatro livre no Galpão Cine Horto. Ela faz apresentações em festas de aniversários, casamentos, festas de 15 anos ou onde mais chamar. No dia 29 de julho, ela completa 10 anos de carreira. Que tal chamá-la pro seu evento? Mande uma mensagem pro João Maria, seu produtor, responsável pela agenda (31) 99795-5647 ou [email protected]

#contrateumapessoatrans

Autor
Jornalista, fotógrafo e, desde 2010, realizador de trabalhos que envolvem visibilidade de travestis e transexuais (binários e não-binários)

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