O Colapso de Tudo

 foto: série “Echoes of Lofoten”, de Hebe Robinson.

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Parte do trabalho de pesquisa de tendências é pensar sobre tudo. Como diz Li Edelkoort, o que fazemos é uma arqueologia sobre o futuro. Entendemos o passado, interpretamos os sinais de hoje, e desenhamos cenários possíveis. Ler os sinais é tão simples quanto acompanhar o crescimento do número de candidatos em um curso universitário ou outro. E tão complexo quanto entender os motivos de fanfics de um romance entre Faustão e Selena Gomez terem virado um fenômeno.

Os sinais que temos sobre a sociedade de hoje são dos nossos principais pilares — democracia, liberdades individuais e tolerância social — correndo risco. São sinais do mundo se tornando um lugar horrível, definido pela barganha por recursos limitados e pela rejeição de pessoas de fora de nossos grupos imediatos. Se não encontrarmos maneiras de parar esse movimento, vamos eventualmente assistir a um colapso total da sociedade. Hoje, a rota do colapso tem dois caminhos prováveis: o esgotamento dos recursos naturais ou uma estratificação econômica extrema. Uma combinação dos dois também é possível.

O primeiro caminho do colapso já tem sido discutido há muitas décadas, especialmente quando falamos do esgotamento de recursos como lençóis freáticos, solos e florestas — todos que podem ser piorados com as mudanças climáticas. Mas, apesar de tudo, continua sendo utópica uma resolução no século em que estamos, simplesmente porque é mais caro resolver agora um problema que pode ser empurrado com a barriga.

O segundo, um pouco mais sofisticado, vem se desenhando com uma elite acumulando quantidades cada vez maiores de riquezas e recursos. E deixando pouco, ou quase nada, para os comuns, que existem em um número muito maior e sustentam o primeiro grupo com seu trabalho. Eventualmente, a população trabalhadora vai entrar em colapso já que não terá acesso a riqueza suficiente para existir. E sem a mão-de-obra, para continuar gerando riqueza e diferenciação social, a elite também entrará em colapso.

Os dois caminhos tratam de capacidade de carga — uma quantidade x de estresse que um recurso (natural ou humano) pode carregar a longo prazo. Se a capacidade é excedida, o colapso é inevitável. Claro, os dois caminhos são evitáveis. Precisamos tomar decisões racionais e dolorosas agora que nos direcionem para uma via completamente sustentável, com pleno acesso a riquezas e recursos. E aí vem a parte boa. Evitado o colapso, o que nos espera é o começo do infinito.

Autor
Mineiro de Belo Horizonte e, atualmente, morando em São Paulo. Com formação pela Escola de Design da UEMG e especialista em Coolhunting pela Elisava em Barcelona, estou há mais de dez anos no mercado desenvolvendo projetos para moda, cultura, economia criativa e novos modelos de negócio. Acho que tendências servem para tudo, porque antes de qualquer coisa, falam sobre pessoas. E o que eu faço é ajudar as marcas a se tornarem as versões mais legais delas mesmas. Desenvolvi projetos para Telefonica (Espanha), KWS (Alemanha), Oi, Yunus Social Business, Guaja, Manoel Bernardes, Hometeka/Bimbon.

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