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Texto de Ladislau Dowbor
Gambiarras, fotografias de Cao Guimarães

Visitei um conjunto habitacional em Grenoble, na França, onde descobri o funcionamento de um espaço organizado não por uma empreiteira que maximizaria os lucros sobre o terreno e a construção, mas por seus próprios habitantes, com o intuito de otimizar suas condições de vida. Os vários prédios do conjunto são interligados em diversos andares, que permitem fácil comunicação interna. A escola no térreo permite que uma criança vá́ comer um sanduíche em casa entre uma aula e outra.

Os outros espaços que respondem a atividades e necessidades diárias estão dispersos pelo conjunto: o mercadinho, a farmácia, a lavanderia e outros, compondo o chamado espaço “de a pé́”. E como a área externa dos prédios é comum, há ampla possibilidade para a prática de esportes, para bancos de jardim, para o efetivo convívio social.

Não tenho nenhuma pretensão de transportar para o Brasil um pedaço de França, ainda que alguns pedaços sejam bem agradáveis. O que quero sugerir aqui é que quando uma comunidade de famílias decide organizar suas condições de vida de forma humana, isso é possível. Não há nenhuma lei que defina que, para levar a criança para a escola, seja obrigatório correr e estacionar em fila dupla ou levantar de madrugada e enfileirar diversos meios de transporte. A moradia é muito mais do que a casa ou o apartamento: é também a organização racional do entorno.

A realidade é que somos condicionados, desde a infância, a acreditar que as formas de organização do nosso cotidiano pertencem naturalmente a uma misteriosa esfera superior, o “Estado”, ou aos poderosos interesses da especulação imobiliária e das empreiteiras.

Em todo caso, acabamos convencidos de que a única opção que temos é nos inserirmos da forma mais vantajosa possível no mundo tal como existe, definido por outros. A própria forma de definir o mundo que nos cerca seria coisa de terceiros. E se estamos insatisfeitos e temos os recursos, mudamos de casa, em vez de mudar o ambiente.

Por outro lado, aceitamos que a modernização econômica e social seja feita à custa do indivíduo, como se o conforto de um rio limpo, de ruas arborizadas (talvez até com frutas) ou simplesmente transitáveis, de espaços livres para o convívio e para as brincadeiras das crianças fosse incompatível com o desenvolvimento.

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Autor
PISEAGRAMA é uma plataforma editorial dedicada aos espaços públicos – existentes, urgentes e imaginários – e além da revista semestral e sem fins lucrativos, realiza ações em torno de questões de interesse público como debates, micro-experimentos urbanísticos, oficinas, campanhas e publicação de livros.

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