Objeto do novo milênio

 

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Seria então, vistos os últimos acontecimentos e analisadas as estatísticas, a Diversidade uma ameaça?

É sabido cientificamente que as prováveis reações para um sentimento de medo são a fuga ou o confronto. E que o medo é também um alerta para a sobrevivência da espécie. Convido então para pensar na hegemonia colonizadora instaurada, pense também na diversidade de corpos, cores, crenças, culturas, costumes, desejos, etcs.

E daí…
Objeto, corpo. Corpo-objeto gente-objeto dejeto treco dinheiro e raça e gênero e classe e mobilidade instabilidade margem e lixo bueiro fascismo genocídio: caixão. Não te parece estranho que o ser humano também tenha sido catalogado em hierarquias? Vejam só: esse aqui é um humano melhor do que aquele ali porque… mas é pior que este outro já que… e também por ser… E ali! Aquele ali pouco importa, ainda mais por ele ser… e. Ah, vejam esse exemplo, este humano aqui está exatamente como gostaríamos, nossa, mas como é belo! Hmmm vejamos os próximos… próximo!

E não te parece estranho pensar que hierarquias nada mais são do que uma estrutura de poder opressora controladora manipuladora higienista e desigual? Afinal, onde raios foi parar a Humanidade? Vivo vivo morto vivo vivo morto morto vivo morto.

Não seria o normativo poderio um retrato do medo normal? Convenção-Perigo: Mortos-vivos. Será?

03.03.2019. (Jorge Maravilha)

Uma tesoura, um pulso e a vontade de dar um fim a toda essa agonia. Uma tesoura, um pulso e a minha vontade de  chorar, desaguar, desabar sozinhe. Têm vezes que não consigo estar entre vocês. Ando na corda bamba da estabilidade. Uma tesoura, um pulso e a vontade. As pessoas com seus olhares brancos me expurgam como FRAUDE, FRA-U-DE TRANS: estar desmembrado do protótipo cis-binário-branco. Pra esta familícia eu deveria estar em trânsito, em alteração, em modificação, em troca, em rota, em via… peça+peça+peça. Mercado Escravo.

Quais são as condições físicas do objeto? O ocó pergunta. Uma tesoura, um pulso e a vontade. Terrível descoberta: queria que você me legalizasse, que você verdadeiramente viesse, mas logo você?

Pra quê? Se você me mata, e isso consta nos dados, nas taxas de suicídio transprete. Essa vontade (criada?) de que você rompesse com essa validação cisnormativa: violenta conveniência que te afasta do negre, do meu negre. Uma tesoura, um pulso, e a vontade. De Liberdade? Liberdade. Só no reino onde passabilidade-branca não rimasse com +vida. No reino onde nossas querenças não ficassem engasgades no molde de cisafetar. Um povo negro que não me binarizasse pra poder Me presenciar, Me relevar, Me imergir, Me apalpar. Mercado de Escravos. Objeto do novo milênio.

Uma tesoura, um pulso e a vontade. Rompi com você, com essa necessidade louca de você. Acima do cis, Eu estou. Uma tesoura, uma fuga, um pulso livre.

JORGE MARAVILHA é transprete, boiceta não binarie negre pra frentex dos infernos,
é artiste hibride, performer, cantore, escrotore, ator. Jorge Maravilha traz em seus
escritos, em sua arte-vida a necessidade vital de desaguar suas vivências, de
reivindicar sua transexistência negre, de retornar a sua ancestralidade, assim como
procura instaurar o caos no Cis.tema. Faz parte do coletivo Culto das Malditas
(@cultodasmalditas), e está cursando Letras Português na Universidade de Brasília.

Blog: https://escritosdesaguas.blogspot.com/
E-mail: [email protected]
Instagram: @jorgemaravilhaa
Telefone: (61) 981826057

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…já passamos passarinhos passaremos. Bora fazendo, nos vemos!

Autor
Passarinho loque, asa artivista e redundante.

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