Autores, leitores e obras literárias

 Foto: Jenna Jacobs via Unsplash

Receba artigos sobre cultura semanalmente em sua caixa de entrada!

×

O que é necessário para que possamos falar de uma literatura belo-horizontina?

Antonio Candido (1918-2017) defendia que a literatura é um sistema. No livro Formação da Literatura Brasileira, o sociólogo e crítico literário escreve sobre a existência de um “conjunto de produtores mais ou menos cientes do seu papel”; um conjunto de receptores, “formando os diferentes tipos de público”; e um mecanismo transmissor, “que liga uns a outros”.

Em resumo: é preciso que existam autores, leitores e obras.

A questão é que, mesmo quando há a presença desses três elementos, não há garantias de contato entre eles. Autores que criam às escuras, sem nunca mostrar sua obra, existem aos montes. Assim como leitores que até buscam, mas não encontram caminhos para chegar à sua próxima leitura, principalmente quando o foco são autores locais, comumente apagados das mesas de grandes livrarias.

Então, como promover encontros entre autores, leitores e obras literárias?

Uma resposta possível são as livrarias locais, tema do texto publicado neste espaço no mês passado. Dentro desses espaços físicos, trocas e diálogos entre autores, leitores e autores-leitores acerca das obras presentes fazem a ideia da “literatura belo-horizontina” tomar forma, permitindo a ela momentos de fortalecimento.

É preciso considerar, no entanto, que a promoção desses encontros não começa após a publicação. Há mais entre o momento em que o autor finaliza sua obra e o leitor a lê do que fazem transparecer as palavras de Candido. Em A Mão do Autor e a Mente do Editor, o historiador do livro, Roger Chartier, por exemplo, cita tradução, revisão, composição, tipografia, cópia e censura para deixar claro a multiplicidade e a complexidade dos processos aos quais um texto é submetido antes de chegar ao leitor. Não duvide: cada uma dessas etapas é essencial para o produto final. Não há obra sem o trabalho de edição — seja ela feita pelo próprio autor ou por uma casa editorial.

Por isso, se há qualquer interesse na existência da tal “literatura belo-horizontina”, é preciso olhar para o trabalho das editoras da cidade. São elas que selecionam, editam e publicam as palavras dos autores locais (nacionais e estrangeiros também), possibilitando a conexão descrita por Candido entre autor, leitor e obra. É por isso que deixo a lista abaixo, com algumas casas editoriais belo-horizontinas que, apesar de enormes obstáculos, movimentam a cena literária local e nacional, muitas vezes sem receber o devido reconhecimento.

Não tenho a pretensão de que essa lista seja um inventário definitivo (existem 56 editoras na capital mineira, segundo a Câmara Mineira do Livro), mas permite que você — autor, leitor ou autor-leitor — conheça um pouco mais sobre quem está por trás do delicado e precioso campo editorial da nossa cidade.

Abacatte Editorial
Literatura infantil e infantojuvenil.

Aletria
Literatura infantil.

Autêntica
Textos acadêmicos, literatura geral e infantojuvenil e quadrinhos.

C/Arte
Arte, pesquisa acadêmica e gastronomia.

Chão da Feira
Textos acadêmicos e literatura. A editora ainda edita e distribui a revista Gratuita.

Crisálida
Editora ligada a um dos sebos mais charmosos da cidade, tem foco em literatura clássica, filosofia, antropologia e psicologia.

Crivo Editorial
Literatura geral e infantil, com foco em novos autores.

Letramento
Obras gerais, contribuindo para discussões atuais com a série Feminismos Plurais.

Mazza
Cultura brasileira e afro-brasileira.

Miguilim
Literatura infantojuvenil e quadrinhos.

Moinhos
Literatura contemporânea brasileira e clássicos.

Relicário
Textos acadêmicos e literatura em língua portuguesa.

Por fim, deixo uma dica para quem quer conhecer melhor as editoras mineiras: Editoras Mineiras: Panorama Histórico, organizado por Julianne Matarelli e Sônia Queiroz.

Autor
Jornalista, com especialização em Publishing pela NYU e mestranda em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Já trabalhei na revista Ragga e nos jornais Estado de Minas e O Tempo, onde fui editora adjunta do caderno de Cultura e atualmente escrevo uma coluna semanal. Apaixonada por literatura, fundei a revista Chama, que publica novos autores belo-horizontinos.

Share the love.

Se este artigo te fez lembrar de alguém, mostra pra elx!

Para comentar você deve ter uma conta—só leva um minuto:

fazer login ou registrar-se
Você vai gostar

GoFree. A nova experiência em eventos.

Parceira GUAJA e incentivadora do Além do Rolê. Crie eventos e garanta ingressos online. CONHEÇA!

Dia, noite, curso, treinamento…

O que você quiser a gente realiza. Faça seu evento no GUAJA! Reservar agora