Confie mais nos seus olhos do que na matemática

 

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Para garantir que todas as letras tenham a mesma altura, eles não podem ter matematicamente a mesma altura. Parece confuso, mas olha só:

O triângulo neste desenho deve ser mais alto que o quadrado, caso contrário, o triângulo vai parecer menor que o quadrado. Quando desenhamos letras nossa vontade é que todas as letras tenham a mesma altura, certo?
Todas as formas arredondadas também devem exceder as linhas que as comportam para serem percebidas como iguais às formas quadradas. Se o círculo tiver matematicamente a mesma altura que o quadrado, ele irá parecer menor. Esta regra não valem somente para formas básicas como triângulos e círculos; é essencial para o design como um todo, porque ele se aplica a todos os caracteres, ícones e formas vistas pelo olho humano. Não importa se você está projetando uma fonte em cirílico ou uma cadeira, este princípio é fundamental para qualquer forma.

Tipografia é uma questão de luz e sombra

Muito mais importante que a forma dos caracteres é o ritmo do tipo. Uma face tipográfica com belos caracteres mas mal espaçada é extremamente difícil de ser lida. No entanto, se as formas das letras não são tão boas, mas estão perfeitamente espaçadas, o tipo se torna fácil de ler. Definir ritmo é mais importante que definir as formas.

Os espaços em branco dentro e entre as letras definem o ritmo, muito mais que as formas pretas das letras. Enquanto você cria as formas, as contra-formas têm de ser levadas em consideração. Mudando a forma, inevitavelmente você altera a contra-forma.

Por exemplo, deve existir uma relação entre o espaço dentro de um ’n’ e o espaço entre o ‘i’ e o ’n.’ Se eles forem visualmente semelhantes, percebemos um ritmo mais constante e mais harmonia no texto. O mesmo se aplica para todos os espaços entre letras.

O mesmo vale para a forma interna do ‘a’ e do ‘e’ neste exemplo. Há uma grande relação entre estas duas formas. Se eles têm (opticamente) a mesma quantidade de branco dentro do caractere, seu texto terá um melhor ritmo também.

Small caps. Use small caps

As versaletes ou small caps são letras maiúsculas com altura compatível com as minúsculas.

E por quê as versaletes são necessárias? Por diversas razões tipográficas. Primeiro: uma palavra escrita inteiramente em maiúsculas afoga completamente o resto do texto, roubando a atenção toda para si. Segundo: na esmagadora maioria das famílias tipográficas, as maiúsculas não são desenhadas e espaçadas para funcionar lado a lado, mas sim para serem seguidas de um caractere minúsculo. As small caps no entanto são desenhadas puramente para funcionar juntas. Elas geram um resultado mais prazeroso e harmônico.

Dizer que as versaletes são maiúsculas com a altura das minúsculas não é exatamente verdade. Para dar a mesma altura opticamente, as small caps devem ser ligeiramente mais altas que as minúsculas da mesma fonte (se lembra da dica #1?). Fique atento com as falsas versaletes geradas por software! Mas isso é algo que abordo em minha palestra mais aprofundadamente.

Ligaduras ou ligaturas? E o que são elas?

Em pouquíssimos casos são essenciais. Algumas das mais famosas são ‘fi’ e ‘fl.’ A necessidade da existência de uma ligadura depende do desenho de uma fonte. Nem toda face tipográfica necessitará de uma ligadura para a combinação ‘fi.’ Mas em alguns casos, o pingo do ‘i’ se choca com o ‘f’ anterior, tornando-os uma forma constrangedora. Como você já sabe, aumentar o espaço entre as duas letras seria um erro de ritmo e balanço do texto. Então, para se livrar disso, criaram as ligaduras: um único glifo que representa duas letras, desenhadas ligeiramente diferentes para interagirem melhor entre si.

Há também uma variedade das ligaduras, com a exceção da utilidade: as ligaduras discrecionárias. Estas servem somente para adicionar estilo ao texto, muitas vezes inclusive impactando a leitura negativamente. Algumas fontes fontes possuem ligaduras como ‘st’ e outras inusitadas, como ‘cky’ ou ‘ism.’ As possibilidades são infinitas, e admitimos que não é o item de maior urgência no design de tipos, mas um dos mais divertidos de se trabalhar.

Não pressione o B

Desde a invenção do computador, o design e a utilização de tipos se tornou disponível para um grande público, como nunca havia ocorrido antes. Com a invenção do digital, várias tarefas se tornaram muito mais facilmente executadas. Isto não quer dizer que automaticamente ficam melhores, mas isso é uma história que vou abordar em minha palestra. Por exemplo, muitos processadores de texto possuem um familiar botão para ‘deixar o texto em negrito.’ Clicar no famoso ‘B’ somente expande o limite das linhas que formam as letras. O computador está apenas te enganando; o que você está vendo não é a mesma fonte em negrito. É como uma limousine que foi rapidamente estendida por um serralheiro. O contraste entre preto e branco será certamente destruído, e o tipo sem sombra de dúvidas irá parecer mais alto. Fazendo este processo à mão irá levar a um resultado muito mais prazeroso aos olhos.

Não importa quão avançada a tecnologia chegue, uma coisa sempre será mais importante: seu olho crítico.

Quer ir mais fundo no estudo sobre o uso das tipografias? O Fred vai estar ministrando sua palestra aqui no GUAJA, na próxima semana! Clique aqui para saber de tudo e se inscrever.

Autor
Sou Designer Gráfico graduado pela Escola de Design da UEMG e tipomaníaco. Depois de um ano de intercâmbio na UEL em Londres me apaixonei por formas de letras e tudo que as envolve: tipografia, lettering e caligrafia. Trabalho com mídias impressas e digitais.

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