O que cria Luiza Maximo?

 

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Com o intuito de conhecer e exaltar os jovens criativos que estão tornando mais legal a cena cultural e visual de BH — e, ouso dizer, do Brasil inteiro — estou começando o “O que cria—”: uma série de entrevistas com designers gráficos, artistas, arquitetos e seus trabalhos. Pode entrar, Luiza!


Luiza em seu habitat natural e só de meias. Criatividade e sapatos não combinam.

Luiza, me conta um pouco sobre sua formação e história — quando foi que você percebeu que queria ser uma designer gráfico?
Ah, um belo romance isso ai, viu… Eu basicamente desenho desde que tive coordenação motora suficiente pra pegar em um lápis, e daí nunca mais parei. Com 16 anos, começaram a me chamar de “menina dos coelhos” pela minha mania louca de desenhá-los de tudo quanto é jeito. Resolvi fazer uma tatuagem de um coelho aos 16 anos; minha mãe me acompanhou e eu desmaiei: que fase KKKKKKKKKKK. Decidi fazê-la porque havia decidido que, não importasse o que acontecesse, iria ter a arte sempre comigo, sempre como forma de expressão. E se tudo corresse bem, como um ofício: fosse com coelhos ou não, rs… De eles fato sumiram, mas a paixão continua a mesma. Alguns anos depois para o vestibular ouvi dizer do curso de comunicação. Parecia uma boa ideia, mas ao ver que ilustrações relacionadas ao curso de design gráfico, já sabia que seria aquilo de cara! Pedi para minha mãe um livro, o “O que é Design Gráfico” do Quentin Newark, pra dar uma investigada no rolê. Tentei ler, entendi muito pouco ou quase nada, mas o santo já tinha batido. Passei no vestibular… raspando, rs. Foram os melhores 4 anos e meio da minha vida, parecia que todo dia era sexta feira! Tive a oportunidade de estagiar em lugares sensacionais e conhecer MUITA gente legal. Professores, calourinhos queridos e colegas de profissão da faculdade e do Brasil inteiro nos encontros nacionais e regionais de estudantes. Agora me formei e estou livre, leve e solta como freelancer de design, ilustração e aquarelas, e estou gostando bastante.

Que tipo de projeto te empolga?
Pergunta difícil. Seria melhor responder à pergunta: “que tipo de projeto não te empolga” (risos). Se eu puder ter a liberdade de acompanhar ou pegar para fazer o projeto desde o início, do briefing à produção gráfica, fico feliz demais!

“Na Lampejo, eu recebia projetos inteiros para cuidar, sob a supervisão dos meninos João e Filipe e era muito bom porque aprendi um pouco de tudo”

Outra coisa que curto mesmo, por incrível que pareça (e até meio contraditoriamente) é sentar a bunda na cadeira e desdobrar todas as peças de uma identidade visual, como fiz para a ‘Jacinta’. Foi incrível! Tivemos uma etapa de naming e conceituação, João ficou responsável por desenhar a marca e foi um “toma que o filho é teu”: Desdobrei a identidade de copo a uniforme, de rótulo de cervejas a bonés. Esse tipo de trabalho é um exercício bem gostoso de criatividade.

A charmosa D’Angola se desenrolou e virou jogo americano, copo de chopp e até boné.

Além de designer gráfico, você é musa da aquarela e já experimentou (experimenta?) até com tatuagem. Quais mídias tocaram sua veia criativa e quais não?
Musa da aquarela?? Hahahah são seus olhos, Fred! É… aquarela realmente é meu xodózinho. Comecei com uma caixa de lápis aquareláveis Faber Castell, lá em 2011 e estamos até hoje, dando até workshop no GUAJA (que loucura). Sou apaixonada por ilustração de uma forma geral e, às vezes, me arrisco na pintura digital até. Comecei a dar uma namorada na acrílica e em pintura de murais, mas estou tímida ainda. Por enquanto, ainda estou focada na aquarela mesmo e vendo no que vai dar. Uma outra técnica que sempre me acompanha é a colagem, seja para montar uma composição de aquarela ou de design. Ela entremeia tudo que eu faço e acredito que tem muito a ver com o design em si, no aspecto em que design, para mim, é juntar referências e fontes diversas em uma nova linguagem.

Quero muito saber sobre o processo criativo-louco envolvido no parto d’A Central; Você e o Filipe fizeram um espaço que transpira design pra onde quer que você olhe.
Nossa, e que parto viu (risos). Assim que me formei, Filipe já me sequestrou pro baixo centro: em mais ou menos um mês, desdobramos a identidade feita pelos meninos da Alpendre naquele espaço maravilhoso. O Lucas Durães e o Filipe já tinham uma boa noção do ar que queriam no lugar, mas daí até a concepção e implementação gráfica é outra história. Várias coisas mudaram e ver um projeto inteiro sair do papel em tão pouco tempo foi tão cansativo quanto extremamente satisfatório. Nesse um mês antes da abertura das portas da Central tive que me virar nos 30 com as produções mais loucas que já fiz: o maior relógio de parede que já vi, um neon circular de 1,3m de diâmetro e guardanapos com poesia! Designer e pau pra toda obra, prazer, eu mesma!

Tem algum projeto autoral? Pode contar mais sobre eles?
Demais da conta, uai! Sempre estou em alguma produção de aquarela, tenho umas 20 ideias de séries pra fazer. Algum dia rola. Decidi que quero realizar minha primeira exposição de aquarela até o ano que vem e tenho duas ideias fortes candidatas. Ambas envolvem a pintura hiper-realista, que é o que me tem feito brilhar os olhos! Ainda não decidi qual será a escolhida, mas já têm nome: “Coisas que Não me Incomodam” ou “Abalada”. Durmam com essas!

Soube que você anda se imergindo pelo mundo do café — um nicho que você pode misturar a expertise em design gráfico com ilustração, aquarela para criar embalagens e identidades. Como anda?
Anda ótimo! Depois que eu aprendi a gostar de café, minha vida mudou (risos). No segundo semestre do ano passado a Lampejo atendeu os meninos do ‘Infinito Café’, para fazermos a marca deles, que já chegou chutando a porta no mundo dos cafés especiais, com produtos de altíssima qualidade.


Fiquei encarregada do projeto desde então e fui a responsável pela linha de embalagens deles. Ao todo, são 7 rótulos estampados com ilustrações e texturas bem diferentes. Elas têm chamado bastante a atenção por onde quer que passam:

“até meu avô que não entendia muito bem minha profissão comentou que a faculdade valeu a pena. Imagina só minha alegria!?”

Seguindo o conceito de infinitude da marca, cada embalagem tem um visual bem único, e o plano é expandir cada vez mais nossa linguagem gráfica, sem medo de ser feliz. A parceria com os sócios da marca, Thiago e Lucas, tem sido fantástica e estamos muito felizes com os resultados. Já é possível comprar os cafés em alguns pontos de venda físicos, no instagram e em breve num belo site!

Em que local você se sente mais produtiva? E mais criativa?
Atualmente, trabalho em casa como freelancer. É uma dinâmica diferente, com a qual ainda estou me acostumando. Meu maior desafio é não ficar me distraindo por várias horas com meu cachorro (como lidar? rs).Um lugar que me deixa com vontade de sair desenhando pelas paredes é o sítio do meu avô. Basicamente cresci lá e me faz muito bem a roça, o silêncio, a falta de sinal de celular, os bichos… Bom demais! Uma coisa que gosto muito de fazer é desenhar pela cidade, seja no ônibus, numa praça ou em qualquer banco por aí, é bem inspirador. ◼︎

Conheça mais o trabalho da Luiza:
Instagram @luizamaximoart
Behance luizamaximo
Autor
Sou Designer Gráfico graduado pela Escola de Design da UEMG e tipomaníaco. Depois de um ano de intercâmbio na UEL em Londres me apaixonei por formas de letras e tudo que as envolve: tipografia, lettering e caligrafia. Trabalho com mídias impressas e digitais.

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