Seriam os empreendedores pareidômalos?

 

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Aqueles que se prestam ao trabalho de ler essas minhas poucas palavras por aqui no guaja.cc sabem que adoro umas palavras diferentonas, exóticas, tipo aquelas que saem de algum conto de outro algum escritor clássico que existiu por aí. Aqui, para este título, não foi o caso.
Às vezes e a esmo abro o dicionário – sim, antes de qualquer coisa, eu tenho sim um volume físico do dicionário em minha casa (e adoro!), e fico a procurar palavras e entender o significado delas.

Leio tudo. Não escolho.

Dias desses, eis que abri o tal pai dos burros, capa de couro coisa e tal, e, folheando, cheguei à palavra pareidolia. Termo muito lôco! Saca só o que esse bagulho quer dizer: é quando o indivíduo enxerga imagens de rostos ou de animais nos mais inusitados objetos, nas coisas mais diversas possíveis, nas luzes, formas e até mesmo na música. Sabe aquele esquema de ficar olhando pro céu e, de repente, você enxerga na formação das nuvens um carneirinho? Pois então, se você é desses que vê rostos ou bichos nas coisas, não se preocupe: você não está ficando doido. Você tem pareidolia, que nada mais é do que um fenômeno psicológico.

Ver significados diferentes daquilo que é a realidade. Vejo o que você não vê! É claro que há um intenso componente de criatividade aí, não acha? Eu acho que há. E vou mais além: de certa forma, acho que todos os empreendedores, em especial aqueles por oportunidade, são possuidores de pareidolia, afinal, eles veem coisas onde outras pessoas só veriam a realidade nua e crua.
Por vezes assemelho o empreendedor ao artista, pelo fato de que ambos produzem imagens, objetificadas ou não, que espelham seu suor, seus sentimentos, seus pensamentos, vontades, interesses.

Ao ver uma obra de arte que seja significativa, tem-se a certeza de que o artista a fez com muita emoção, pela “simples” constatação de que ela significou algo para você. Ela te tocou de alguma maneira.

O mesmo movimento e raciocínio devem ocorrer ao encontrarmos um empreendimento de sucesso: ele assim alcançou esse patamar pois causa alto grau de aceitação; se há aceitação é porque, de alguma forma ou de outra, ele tocou os seus clientes, seus usuários.

A meu ver, o artista vê coisas – e as reproduz – usando de uma sensibilidade sem igual. Ele enxerga coisas em locais, em esferas, em momentos e as produz na sua arte. Empreendedores também são assim. Essa visão aguçada, marota, oportuna de ter ideias que foram geradas por um nível sensibilidade ou de senso de oportunidade sem igual. Eles veem lacunas de mercado, veem problemas, reclamações e mostram ali soluções práticas, fáceis, cômodas, enriquecedoras, e as traduzem em negócios vitoriosos.

Porém, não podemos nos esquecer de que este fato psicológico não é uma atribuição inata (pelo menos não parece ser, uma vez que a possibilidade de reconhecimento e de fazer analogias de coisas com rostos ou bichos depende fortemente da capacidade de memória, e esta, por sua vez, só pode passar a existir à medida em que se registram as formas. Isso só pode ocorrer depois que os indivíduos já tenham visto formas e objetos variados, e constituído um arquivo disso para fazer a aludida comparação). Defendo a tese que, uma vez praticando, exercitando o nosso potencial de criatividade (e existem diversos métodos para isso), conseguiremos chegar ao nível da pareidolia, tão típica aos artistas e aos empreendedores.

Tornar-se pareidômalo pode ser um objetivo de vida, ter efeito na escolha de uma carreira, pode até ser um benefício na sua profissão, pois você estará adquirindo características de empreendedores.

Genericamente falando, sejamos todos pareidômalos! Sejamos todos empreendedores!

PS. Em tempo, uso de forma autoral o termo PAREIDÔMALO, uma vez que não encontrei em nenhum dicionário off ou online o uso gentílico do possuidor ou designado pela propriedade em ter pareidolia.

Autor
Professor, mentor, fomentador, estudioso, facilitador e interessado em empreendedorismo e coisas afins.

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