Cadê o Pink Money que tava aqui?

 Foto: Estático Zero Fotografias

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Há uma semana nos reunimos para o último encontro do Além do Rolê em 2019, colocando na roda o tema Empreendedorismo LGBTQIA+ em Belo Horizonte. Entender os desafios de empregabilidade e capacitação e os lugares sociais que são e deixam de ser ocupados, a partir do recorte de gênero e/ou orientação sexual, estavam entre nossos principais objetivos.

Com uma galera incrível na roda, ficou fácil desenrolar o bate-papo, que se transformou em uma verdadeira aula aberta sobre reconhecer privilégios e a necessidade de auto-organização da classe empreendedora LGBTQIA+. Estiveram com a gente Uno Vulpo (Transvest), Giovanna Heliodoro (@transpreta), Ana dos Anjos (Yanã Bar), Ed Luiz (Festa @bsurda) e Vini Morais (GALLA). 

Mas, afinal, onde estavam as marcas e empreendedores que adoram “abraçar a causa” nessa noite? Por quê as pessoas ali presentes eram, em maioria, justamente quem já está no corre para fazer acontecer? Nos deparamos com questões importantes no percurso da discussão, desde noções de representatividade até práticas que de fato podem empoderar e fortalecer as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que se lançam no mercado.

Empregabilidade x Cota Social

Empregar, por exemplo, uma mulher trans, apenas para cumprir uma demanda da sociedade não é valorizar essa profissional, nem vai, instantaneamente, conferir representatividade ao seu negócio/marca.

Empregabilidade tem a ver com a qualificação que aquela pessoa vai receber quando ingressar no mercado de trabalho, com quais ferramentas terá disponíveis para desempenhar sua função, com equidade de salário e acolhimento. Tem a ver com pessoas LGBT terem condições para empreender e ser donas de seu próprio negócio, para além de conseguir um emprego.

Lógicas de trabalho que não contemplam o T

Falar sobre empreendedorismo LGBT é falar sobre a escassa articulação da classe e sobre a necessidade urgente de uma auto-organização. E a vivência mercadológica é muito diferente entre pessoas cisgênero e pessoas transgênero. Infelizmente, ainda existe um abismo entre a forma como um homem gay-cis-branco e uma mulher-trans-preta são tratados.

Por isso é imprescindível pensarmos coletivamente e reforçar a importância de ações de desmarginalização, até mesmo dentro da própria classe LGBTQ+, levando em consideração recortes interseccionais de raça e classe, por exemplo, e oferecendo acompanhamento psicológico a esses profissionais.

Quais lugares institucionais e sociais são de fato ocupados?

Quantos empreendimentos encabeçados por uma pessoa trans você conhece? Transsexuais representam, atualmente, 2% nas Universidades. Já em relação aos trabalhos informais que elas e eles ocupam, o número é absurdamente maior. A raiz desse problema é estrutural,

Como muito bem pontuou Amanda Rodrigues, presente na roda, é urgente romper com a ideia de que contratar um LGBT é “dar acesso” ou “oportunidade”, e assumir que esse é um vínculo empregatício como qualquer outro, onde alguém oferece determinada mão de obra e é devidamente pago por ela.

O tratamento midiático que reforça padrões e estruturas

Tem sido cada vez mais comum a presença de figuras LGBTQIA+ estampando campanhas publicitárias, memes e gírias queer se tornando produtos, enfim, toda uma estética criada e comercializada a partir desse universo. Mas para onde vai toda essa renda? São bilhões de Pink Money movimentados, enquanto pessoas (principalmente as que representam a letra T da sigla) discutem condições de continuar sobrevivendo.

Vivemos no país que mais consome pornografia lésbica e trans no mundo, e também que mais mata essas mesmas pessoas.

Isso é muito cruel.

A luta do outro, da outra, antecede e muito nossa discussão. O medo não brotou pós-eleições 2018, ele sempre existiu. Conheça as iniciativas e projetos que trabalham e apoiam a causa. Doe para instituições que assistem pessoas LGBTQ+. Reconheça seus privilégios e lugares de fala. Não passe pano para preconceituosos e agressores.

Seguimos e nos vemos em 2020!

Autor
A paixão pela palavra escrita, falada ou não-dita fez de mim jornalista e publicitária pela UFMG. Sou uma das mentes criativas do time de Comunicação do GUAJA: aqui dou vida às ideias, nomes às coisas e cores às palavras. Quer contar uma história ou dar play em um novo projeto? Me chama que eu vou. Da produção cultural ao conteúdo digital, me redescubro nos encontros, e nos desencontros me reinvento. Sempre além.

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