Porque é primavera

 

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O que fazer? O que fazer? 

Tá queimando, o que fazer? 

Tá pegando fogo! 

Tem gente morrendo, o que fazer? O que fazer? 

Que miséria de vida, que bagunça é essa, tá pegando fogo, tem gente morrendo, que fome, que miséria é essa, tá pegando fogo, olha ali uma bala perdida, o que fazer, tem gente morrendo, tá queimando meu peito, tá pegando fogo, tá queimando!

Queimada 

Incêndio 

Nuvem densa de fumaça 

Massa de ar quente e seco 

Atmosfera inerte 

Poluentes. Fogo. Fuligem 

Cinza e com cheiro de cinzas. 

É urgente: aqui eu grito! Cooperar.

Cooperação. Colaboração

Associar-se 

Crescer em coletivo

Igualdade

Responsabilidade

Democracia. 

É urgente: dia após dia

Poesia

Desenvolvimento social

Estratégias para solidariedade

Solidarizar-se.

Aqui eu grito: É urgente!

Ajudar, distribuir

Valor-Humano

Movimentar, participar, independer

Melhoria. Autonomia. 

Avante, Marginais! Avante!

A regra se fez.

por quem se desfez

a sarjeta chegou

a polícia parou

a mulher não viu

a negra se despiu

a indígena caiu

a luz se foi embora, tá pegando fogo

O limite foi acordado por patrões 

com carro importado

e veio o juiz

a ponte está por um triz!

A porta fechou

para quem contrariou à regra 

a norma tem forma

de carrasco embriagado

e deixa-me tonto, obrigado!

Eu quero despir a farda

quero saber quem é dono da espada

quero saber quem é que fala

o que a gente cala

O desvio é desviado

travesti, transviado

suave 

se resolve a sós

como quem desfaz os nós

que a sociedade alinhou.

Se chamam de louco 

todo e qualquer pouco

estatisticamente rotulado

por um postulado

de colarinho branco

e alma nada franca

louco, louca, loque quero ser

para compreender

que não é justo

seguir conceitos

pautados em pré-conceitos

intolerância e falta de fé.

Caminho com um pé

e preciso de pés, muitos pés

que é pra deixar o outro cru e nu

sem sapato.

A tão formosa lei

desvia a si própria

com um capital que gira

para o pouco que acha muito

ser normal

É urgente: aqui eu grito! 

Cooperar. Cooperação. Colaboração

Aqui eu grito: É urgente!

Avante, avante

É primavera

Avante!

É urgente sair da conduta

Tá pegando fogo

Quero flores, florescer

Flores-ser.

É urgente sair da conduta

Tá pegando fogo.

Sincronicidade recebe nesta primavera uma iniciativa que promete brotar em solos queimados, arco-iris de possibilidades para o que está em cinzas. 

Cooperativa de Literatura Marginal são profissionais da área que se juntaram em prol do desenvolvimento de ações de integração econômica dos cooperados nas áreas de Produção Cultural e Educação Social. Poesia, performance e formação em escrita criativa, além de produção de livros e artigos derivados da poesia marginal em MG. Para isso a Cooperativa tem como objetivos básicos o incentivo ao cooperativismo sob seus diversos aspectos, a realização de feiras de literatura marginal e economia solidária, a promoção de oficinas de formação em diversas áreas educativas e artística cultural. Junto a isso coletivas e artistas independentes originários de camadas populares marginalizadas são divulgadas e sua cultura é difundida. 

Conheçam, sigam no Facebook: facebook.com/cooperativaliteraturamarginal/ 

Conheçam três poetas marginais que fazem parte  da Cooperativa de Literatura Marginal: Giuliana, Joi Gonçalves e Jazz.

Sou Giuliana, tenho 20 anos e moro na região de Venda Nova (ZN), a palavra se tornou meu refúgio depois de perceber o quão doente por falta de amor estamos, reconhecendo que o afeto nos salva de qualquer maldade do mundo! Faço parte da Coletiva MANAS e da Cooperativa Marginal que inclui outros vários coletivos, participo de feiras literárias, rodas de poesia, também sou dançarina e dou oficinas nessa e é em outras áreas!

Me desculpa a cena.

É preciso se confessar,

É preciso exercer o ato

De desocultar mistérios,

Romper privilégios,

Levar certas virtudes a sério.

 

É preciso

URGENTEMENTE se confessar,

É preciso abrir o coração

E deixar de lamento,

Pois de tanto medir esforços,

A culpa virou remorso.

 

Então para

De circular os erros,

LEVANTA,

Se orgulhe

Do que vê no espelho,

Humildade também

Pra cair de joelhos,

Reconhecer-se falho,

Pedir arrego,

Aceitar conselhos,

É preciso ORAR

Por quem não suporta

Seu jeito.

FORÇA!

É preciso se elevar,

Se soltar das amarras,

Das escolhas amargas,

Das pregas carnais,

É preciso quebrar

A ignorância,

Queremos chegar primeiro,

Mas não chegar junto,

E via WI-FI

Tua conexão com o mundo,

E esse COLAPSO

Não se resolve com elevação de contas,

E sim com o retorno às origens!

Disseminamos individualidade,

Mas não solidariedade,

Então chega de intolerância!

Somos capazes de reclamar

Uns dos outros,

Mas incapazes de responder

Uma indelicadeza

Com um sorriso,

Eu sei…

É difícil,

E se não encaramos as falhas,

Jamais seremos dignos das virtudes,

 

Toma atitude,

Se escute,

Qual tua sede?

O quanto teu coração

Deixou você se envaidecer?

Quantas manifestações de egoísmo?

Quantos abraços falsos

De quem jurou ser teu verdadeiro amigo?

E cadê teu abrigo?

O que te basta

Quando você quer alívio?

É…

É preciso se confessar,

É preciso urgentemente

Se confessar,

Existe diferença entre dar as mãos

E acorrentar almas,

Paciência requer muita prática,

Idade não significa maturidade,

E antes que essa vida passe,

Que possamos nos amar

Com todo sagrado de pureza

Que sejamos capazes de sentir…”

Giuliana

Joi Gonçalves. Poeta marginal, fotógrafa, arte educadora e diretora teatral. Cursa atualmente comunicação social. Integrante do coletivo Avoante, Coletivoz, Manas e 5só. Autora da zine “as moças não são como antigamente e nem eu” e “a vida é SÓ isso mesmo”. Uma das autoras da coletânea “à luta, à voz”.

Cê tá me confundindo

Não sou ninguém importante

Sou alguém que se importa

E buscando nas minhas memórias 

Sou um reflexo de todas as portas

Fechadas 

Dos murmúrios “que criança mal criada” 

Minha família sabia que eu

Só precisava de atenção

Fiz meu corres

Corri dos closes

Pensei que fosse mais importante… 

 …Dei bom dia a cavalo 

Fiz amizade com os ratos do centro 

Desci Bahia 

Me perdi subindo floresta 

Exagerei nas festas 

Bebi misandria 

Passei dia

E noite 

Procurando um sinal pra continuar

Cansei de palavras que eram minhas 

Não queria que me dessem notas

Mesmo sabendo que sempre fui um dez…

…Um desespero em pessoa 

Fumei um cigarro

Tossi boêmia

Encontrei alegria no colo do meu par 

Dei às costas ao azar 

Percebi que faço mais poesia

Quando não escrevo

Mas… 

É que eu sou desespero

E meus textos são aconchego 

Por ser alguém que se importa 

Dei meia volta 

Ao mundo 

Bati de frente 

Causei 

Fui expulsas de bares

Porque entrei sem querer em brigas que comecei 

Mudei as lentes 

Exclui parentes 

Não sou obrigada a amar ninguém 

Aumentei o tom 

Fiquei possessa

Me olhei no espelho 

E disse

“Que malcriada você, menina”

“Ou vai 

Ou fica”

E eu fui 

Malcriada

De peito aberto 

Com experiência de séculos 

Às vezes horas são anos 

Abortei planos

Desconfiei certo

Tomei uns canos 

Cresci um tanto 

E calei

Meu silêncio é poesia também.

Joi.

Jazz poesia, poeta marginal, 22 anos, moradora do Morro das Pedras, reside na poesia marginal desde de 2017, participando de slams, saraus e intervenções pela cidade. Por meio das palavras traz fé,  força, e axé! Seu compromisso com as palavras é sempre trazer esclarecimento, e reflexões. Esse ano se integrou a cooperativa de literatura marginal, e vem encantando a cidade com sua poesia. Representou MG em 2017 no Campeonato nacional de poesia, e é autora do zine: “Tudo está dentro!”

Luta armada de palavras, versos oculares.

Poetizemos as margens, 

estamos em Terra de diversidade

 e a cidade é sincronicidade.

Envie seu texto para [email protected]

Nos vemos!

#ProjetoLiteraturaCompartilhada

 

Autor
Passarinho loque, asa artivista e redundante.

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