O que casais aprenderam depois do primeiro ano de casamento

 Foto: Aproximar Fotografia

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Já escrevi sobre essa maravilhosa empreitada de contar histórias de amor em cerimônias de casamento, que me rendeu o carinhoso apelido de “padra”. É sempre um momento lindo e emocionante. Mas, e depois? Não raro me pego imaginando como vai a vida em família. Em vez de somente pensar, decidi perguntar para meus noivos queridos sobre os desafios do primeiro ano depois do grande dia e o que eles fizeram para superá-los.

O encantamento das respostas é enxergar um pouquinho da gente em toda casa, com um quê de implicante, de egoísta, de bagunceiro ou sistemático. Afinal, #somostodoshumanos. Abrindo também meu baú de memórias, confesso que o primeiro ano de casada foi difícil, mesmo depois de nove juntos. Meu marido achava ruim porque eu não lavava as cascas da mexerica antes de comer.

Jamais pensei ser necessário, pois não se come a casca, né? Ele, porém, foi educado dessa forma, porque não sabe por onde a fruta passou e, segundo ele, depois de pegar na casca, você pega no gomo. Está certo, mas eu encarava aquilo como uma ofensa. “Está dizendo que eu sou uma porca?”.

Só pra citar mais um dos muitos exemplos, também implicava (e ainda implico) com as roupas espalhadas pela casa. A justificativa dele é de que as roupas precisam respirar antes de pôr no armário. Nunca entendi o raciocínio, mas concluí que, pra ficar junto, quem tem que respirar fundo somos nós.

O “sima gente diz todos os dias. Sim, eu tento, sim, eu persisto em mudar minhas imperfeições. Sim, eu aceito suas manias e até posso, sim, lavar uma bacia de mexericas. Sim, eu reconheço, eu peço desculpas, eu perdoo. Sim, eu te amo.

E agora, com vocês, o que aprenderam casais queridos um ano depois de subir ao altar.

1) Exercitar diálogo não violento

O primeiro desafio que identificamos é o desenvolvimento do diálogo, aberto, claro e não violento. Percebemos que saber expressar os sentimentos, especialmente, os negativos, é um exercício constante, que requer muita consciência e clareza interna. Para nos auxiliar, buscamos adotar as técnicas da Comunicação não violenta, do Marshall Rosenberg.

Entre inúmeras sugestões, ele propõe, que, quando se o outro fizer ou falar algo que nos desagrade, a gente tente não acusar e julgar, mas apontar de forma objetiva o fato e demonstrar o que, em mim, aquela atitude gerou e, a partir daí, propor uma solução, uma outra forma que gostaríamos dali pra frente.

Isso parece até meio banal, mas muda muito a forma de encarar as dificuldades juntos. Sinto que assim, deixamos de tratar as situações difíceis de forma vitimista e imatura, mas assumindo também a responsabilidade pela realidade que vamos construindo juntos.

2) Organizar as finanças

Um desafio de ordem prática foi criar uma cultura financeira do casal, de compatibilizar a forma como cada um lida com o dinheiro e encontrar uma síntese possível para as finanças de uma vida a dois. A solução que encontramos foi tentar aprender mais sobre educação financeira.

Decidimos adotar uma ideia que consiste em identificar o quanto cada um ganha e calcular o percentual que cada um representa na renda total. Daí, somamos o valor total dos gastos em comum e cada um contribui de forma proporcional à sua renda. Também enumeramos nossos objetivos que envolvem grana e cada um vai poupando de forma individual.

3) Incluir romance na rotina

Um dos maiores desafios nesse primeiro ano é o de não deixar a rotina esmagar o romance, o carinho e o cuidado. Deu pra ver que, se a gente não colocar atenção, o dia a dia (trabalho, obrigações, compromissos sociais, tarefas domésticas, cansaço) vai passando por cima da gente.

Às vezes, no próprio fim de semana, a gente acaba sem tempo pra curtir um ao outro diante de tantos compromissos. Daí, a solução que encontramos foi marcar um dia da semana, na parte da noite, pra namorar. A gente reservou mesmo um pro outro e não marca mais nada naquele dia. No geral, tem dado certo. É uma forma de se forçar a parar e olhar com mais calma pro outro… Achamos essencial essa pausa consciente.

4) Respeitar a individualidade de cada um e construir o “nosso” lugar

O mais difícil foi dividir a rotina com alguém, respeitar o espaço do outro, mas, ao mesmo tempo, dividir o seu espaço também, numa relação de cumplicidade. Cada um de nós tem uma bagagem – hábitos, manias e formas de encarar a rotina – de quando morava com os pais. Vivências de muitos anos que, de repente, são substituídas por um novo cotidiano.

Os desentendimentos vinham de coisas simples do dia a dia, como a organização da casa, a divisão da limpeza. E foi preciso muita conversa, paciência. Foi preciso, principalmente, ceder para chegar a um meio termo. A gente teve que aprender a conversar (mesmo com tanto tempo juntos), aprender a não tentar impor um jeito de levar a rotina da casa e sim construir o nosso jeito.

5) Reconhecer o que vem de você ou do outro

Antes “sozinho”, agora somos dois. No primeiro ano de casado, vejo um ano de carinho à flor da pele associado com a necessidade de adaptação. Porque tem dia que acordamos cansados da nossa própria cara e, às vezes, nem sabemos se nós estamos uma “mala” ou se é o outro… Então, o melhor é aguardar as coisas se encaixarem de novo e pesar na balança se vale ou não levantar aquela discussão.

A resiliência é fundamental pra conciliar família, trabalho, emoções e prazeres de duas pessoas. Lógico que tem dia que as coisas não saem como você quer, tem dia que nem você sabe o que quer. Nessa hora, o jeito é ficar em paz, no canto, ou se abraçar e se apertar. O casamento é o alicerce de uma vida feliz. Ele não te garante nada, mas, se você lutar por ele, suas chances de sucesso e paz são muito maiores.

Autor
Jornalista e celebrante de casamentos na Amor Sempre Vivo. Acredito em três verdades absolutas: pessoas precisam ser ouvidas, histórias precisam ser contadas e a razão para nossa existência está em amar e ser amado. É por isso me tornei mais do que jornalista, uma jornalista que conta histórias de amor. Tive clareza desse propósito quando eu e Pedro celebramos nosso próprio casamento. Depois daí não parei mais. Aqui, a repórter dá vazão a tudo aquilo que faz o coração pulsar e mantém o amor sempre vivo.

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