Queijos artesanais para uma ceia e oito lugares para comprá-los

 Foto: Divulgação/A Pão de Queijaria

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Minha família é do interior, dessas bem grandes. Primos e tios se reúnem todos os anos para compartilhar o banquete. Minha mãe faz o peru; a tia Maria José, o lagarto; a tia Terê, o bacalhau. Entre as minhas contribuições deste ano estará uma grande paixão: uma bela tábua de queijos.

Na minha tábua só vai entrar queijo artesanal, feito a partir de leite cru, recém tirado da teta da vaca. A grande maioria deles é preparada em fazendas, feita por pequenos produtores que seguem uma tradição da família há várias gerações. Os queijos artesanais são uma expressão do território onde são preparados. O clima, o tipo de pasto, a raça de gado que melhor adapta-se à região, as bactérias que se desenvolvem por ali são elementos que o caracterizam. É o que se chama de terroir.

Um queijo Canastra só pode ser chamado assim se for produzido dentro dos limites dos oito municípios estabelecidos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA): – Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Tapiraí, Vargem Bonita, São João Batista do Glória. Já queijo Araxá é feito nas cidades que compõem outro terroir, englobando as cidades de Araxá, claro, além de Campos Altos, Conquista, Ibiá, Pratinha, Pedrinópolis, Perdizes, Sacramento, Santa Juliana, Tapira e Uberaba. Em uma caminhada pelo Mercado Central pode-se ler chamadas de queijos Canastra de Araxá. Um grande equívoco. É como vender vinho chileno de Buenos Aires.

 

O modo de produção desses queijos é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Segundo o Emater, se considerarmos apenas 5 regiões produtoras (Serro, Canastra, Araxá, Campos das Vertentes e Cerrado), cerca de 9 mil famílias fazem a incrível quantidade de 29 mil toneladas do queijo minas artesanal por ano. No entanto, apenas 276 produtores, menos de 5% (!!!), possuem o selo do IMA e podem vender o queijo legalmente.

Os produtores se queixam, dizem que o processo de legalização é caro, confuso e burocrático. Acredito que devemos sim ter em nossas mesas um alimento limpo e seguro, mas também acredito que os órgãos de fiscalização podem ter uma atuação mais flexível e organizada com esses produtores.

Montando a sua tábua

Se você também quer montar uma tábua para a ceia de Natal, acho legal colocar pelo menos três queijos de origens e perfis diferentes. Não é necessário comprar uma peça inteira, pois na maioria das lojas e empórios eles são vendidos em pedaços. Não há problema algum escolher apenas queijos mineiros, pois estamos muito bem servidos. Recentemente, produtores artesanais do estado ganharam 11 medalhas no prestigiado Salão Mundial do Queijo da França.

Minha dica é ir à loja e pedir para experimentar os queijos e comprar aqueles que mais agradam e surpreendam o seu paladar. Gosto muito de comprar queijos no Roça Capital, uma loja do Mercado Central, que oferece uma variedade de cerca de 50 queijos de origens diferentes.

Outro dia provei um da cidade de Timóteo, feito pelo produtor Edson: macio e produzido com a mesma técnica do queijo italiano Robiola. Muito saboroso, delicado, que desmancha quando colocado na boca. Nessa mesma loja pode-se comprar um ótimo Canastra do produtor Mauro por R$ 59,90 a peça ou até mesmo um excelente queijo de cabra chamado de Névoa das Vertentes, feito em Barbacena.

Meus queridinhos, que me acompanham desde o início da A Pão de Queijaria, são os de Salitre, do João Melo, e o Alagoa, do Oswaldo, feito na Serra da Mantiqueira. Cada um com a sua peculiaridade. O primeiro mais úmido e ácido, o outro mais untuoso e potente.

Já existem muitos endereços espalhados por Belo Horizonte e região que fazem um belíssimo trabalho com queijos artesanais, além de geleias, doces em compota e até mesmo embutidos para compor a tábua. Seguem oito indicações que você vale a pena conhecer. Mais do que super saboroso, comprar um queijo artesanal também é valorizar e incentivar a nossa cultura.

1. Savassi — Empório De Lá

2. Mercado Central — Roça Capital

3. Mercado Central — Loja do Itamar

4. Cruzeiro — Néctar do Cerrado (Mercado do Cruzeiro)

5. Contagem — Casa Pimentel

6. Floresta — Empório Palato

7. Gutierrez — Empório Nacional

8. Online — Armazém São Roque

Autor
Engenheiro de Produção pela UFMG, empreendedor desde muito cedo. Já abri e fechei algumas empresas, mas minha grande paixão sempre foi a cozinha. Neto de padeiros, mergulhei fundo no universo do pão de queijo e do queijo artesanal. Sou um dos fundadores da A Pão de Queijaria. Inquieto, estou sempre me envolvendo em novos projetos ligados à gastronomia, como o Food Experience, o Travessia Gastronômica e outros que estejam por vir. Usarei este canal para compartilhar um pouco das minhas experiências e as tendências que observo neste incrível universo das comidas e das bebidas.

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