Chá e homus: coloridos para a primavera

 Foto: @carolbatis

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O Capim-cidreira é muito usado na desintoxicação do corpo, combatendo gripes e resfriados por conter Vitamina C. Além disso, é antibacteriano e antifúngico. Já a flor do manjericão é usada na receita para dar boas-vindas à época que nos convida a florescer! Muita gente descarta a florzinha pensando que ela não é comestível, mas ela pode ser usada sem medo.

O chá dessa mistura, com propriedades curativas, foi pensado para abrir a primavera, época em que as mudanças de temperatura costumam ser evidentes e deixam muita gente resfriada.

Por que esse chá é mágico? O manjericão é uma erva ancestral, muito usada em inúmeras religiões no mundo. Conheci a história do manjericão numa visita que fiz ao interior de Minas Gerais, conto tudo no post Cozinhar é Participar do Mundo.

Ingredientes

(para 2 canecas de chá mágico da primavera)

400 ml de água filtrada
2 colheres (de sopa) de flor de manjericão
1 colher (de sopa) de capim-cidreira

Como fazer?

Ferva a água e desligue o fogo. Numa caneca, coloque todos os ingredientes, depois adicione água e espere até que o aroma apareça. Coe e sirva em seguida!

Homus

Para acompanhar, homus – ou húmus (do árabe hummus) – de beterraba: colorido para comemorar a primavera. É um alimento típico da cultura árabe feito a partir de grão-de-bico cozido. É uma pasta vegana, deliciosa e saudável, que pode ser conservada em pote hermeticamente fechado por até 05 dias na geladeira.

No Oriente, o jeito mais tradicional de comer é com nacos de pão pita (aquele pão árabe fininho). Basta rasgar o pão com as mãos e mergulhar numa porção genenosa de homus.

Se você gosta de carnes, sirva com o homus em temperatura ambiente, pois o calor o faz virar um molho de consistência espessa e aveludada.

Para comer com sanduíches, espalhe bem sobre o pão como se fosse manteiga, lembrando que o excesso pode amolecer o pão.

No Oriente existem até mesmo casas e bares especializadas nessa pastinha!

Ingredientes

1 xícara de chá de grão de bico já cozido (ver dica abaixo de como cozinhar)
Suco de 1 limão
2 colheres de sopa de tahine
1 pitada de sal
1 dente de alho
1 pitada de páprica (opcional)
1 pitada de cominho moído (opcional)
1/4 xícara de azeite de boa qualidade
1 beterraba média ralada

Como cozinhar o grão de bico

Coloque o grão de bico de molho em água suficiente para cobri-lo por pelo menos 8 horas. Esse processo serve para remover o fitato (ácido fítico), que causa indigestão. O ideal mesmo é deixar de molho por 48 horas e ir trocando a água aos poucos. Você vai perceber que ele irá soltar uma espuma esbranquiçada, que é a liberação desse ácido

Como fazer

Coloque o sal e o grão de bico numa panela de pressão, adicione água suficiente para cobri-lo e cozinhe em fogo baixo por cerca de 30 minutos depois que pegar pressão. A ideia é ficar mole o suficiente para ser triturado com facilidade. Escorra a água e bata todos os ingredientes em liquidificador até chegar na consistência desejada. Se ficar muito grosso, adicione um pouco mais de azeite até ficar homogêneo. Acerte o sal se necessário.

E para celebrar esse momento de chegada da primavera, deixo aqui um belo texto que foi publicado pelo Rubem Alves no Correio Popular:

Por este mundo

“Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar; pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte. Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e as constelações, lá no alto.

Nós te louvamos pelos oceanos, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob os nossos pés. Nós te louvamos pelos nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera.

Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda esta alegria e a toda esta beleza, e livra as nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus. Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar, juntamente conosco.

Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado nos aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor.

Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem para si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós, e te servem, no seu lugar, melhor que nós no nosso.

Quando chegar o nosso fim, e não mais pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos de dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada pela nossa ignorância. Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.”

Autor
Alou, aqui quem fala é a Carol Dini! Comecei a cozinhar por um acaso e descobri em razão disso um mundo inteiro de novas possibilidades. O que mais me fascina quando estou com a barriga no fogão são os ensinamentos que essa experiência, somada à boa mesa, traz sobre viver a vida. Digo aos amigos que cozinha é lugar pra dançar, tirar folga dos problemas, despir os preconceitos, adorar o novo, apreciar os detalhes, fazer do simples algo especial, afinar o paladar, testar nossos limites, inovar, meditar sobre o correr dos dias, associar olfatos, entender o corpo, reconectar com o universo, fazer da pimenta e dos problemas ardidos algo agridoce, fartar com novos cheiros, misturar sabores e brincar com as papilas gustativas. E do que mais a vida não é feita senão disso? Corte uma Cebola, puxe ela na Manteiga e sigamos juntinhos. =) Ah, se você quiser dicas culinárias, me encontre no instagram: @carolinandini

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